quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Coisas de cabeça e cotovelo (Parte 1)


Agora eu vou pegar minha varinha de condão e me transportar pra um lindo café em Paris. Qualquer coisa em Paris deve se tornar sofisticada e romântica, até uma dor de cotovelo. Por que o governo não pode distribuir uma bolsa-cure-sua-dor-de-cotovelo-em-Paris?

Que porcaria viu! Ter que ficar parando a vida assim volta e meia pra curar uma droga duma dor-de-cotovelo tem me causado sérios prejuízos. Atrasa meu trabalho, não me deixa dar um jeito nas cortinas sujas da sala, faz com que eu acabe adiando minha consulta ginecológica...

Até mesmo danos à minha imagem. Claro, já que em todas estas paradinhas-cura-dor-de-cotovelo sempre tem aqueles cinco dias nos quais não consigo passar uma base na cara, muito menos um batom na boca. E as roupas? É aquele momento no qual se pega a primeira peça brega que aparece na frente e se ostenta como se fosse um acessório especial para usar com dor-de-cotovelo. E também é nestas horas que a gente fica usando aquele calçado sem taco durante dias, incapaz de largar ele no sapateiro.

Danos para a saúde ainda existem. É sempre na parada-dor-de-cotovelo que a gente se entope de porcarias, ou simplesmente fica sem comer uma uva. É a hora dos maiores porres pra quem bebe e das carteiras de cigarros não durarem nada pra quem fuma. Fora as noites sem dormir... E os prejuízos financeiros? Estes nem se fala. Além da grana homérica gasta com chocolate, temos os rompentes de compras compulsivas para melhorar a autoestima, que quase sempre acabam em roupas e sapatos que ficam o resto da vida enfiados no guarda-roupa, porque são simplesmente horríveis - claro, se você está toda estragada por dentro como vai conseguir ter bom senso pra escolher uma roupa?

Há ainda os danos sociais e afetivos. No olho do furacão de uma dor de cotovelo, você pode perder bons amigos que não aguentam mais ver você descambar em lágrimas cada vez que passar uma propaganda de margarina, ou ouvir uma música que te faça lembrar o causador da dor de cotovelo. E o detalhe é que, mesmo que você jamais tenha ouvido aquela droga de música, sempre vai ter uma frase feita exatamente pra você e ele. Também é na hora da dor de cotovelo que, caso você conheça um gato maravilhoso, cheiroso e querido, além de tarado, ou vai achar que está irremediavelmente fechada e não deve se envolver, ou vai avacalhar com ele, tentando provocar encontros para ciúmes com o porco que te chutou, e tratando ele com uma frieza que quer dizer "não vou deixar você me fazer sofrer como aquele canalha fez". E lá se vai uma chance de encontrar um namorado decente, ou uma dor de cotovelo novinha em folha.

Está aí uma boa ideia. Vou processar todos os homens que me fizeram ter dor de cotovelo. Danos morais, materiais, psicológicos, físicos, sociais... Possivelmente vou ficar tão rica que vou poder garantir Paris numa próxima dor de cotovelo. (...)