sábado, 22 de setembro de 2012

Vênus e Marte


Podem dizer que mulher gosta é de pegada, de puxões de cabelo e palavras de "baixo-calão" sussurradas ao pé do ouvido, mas isso é uma tremenda abobrinha. Quem é mulher sabe. É bem verdade que isso tudo tem seu valor em certos momentos, mas o que mulher gosta de verdade são palavras de amor, atitudes bobamente fofas e de um cafuné depois do sexo.

O que todas nós queremos é ouvir ele dizer que nenhuma outra é igual a gente, que adora ficar assim bem coladinho só falando bobagem, que somos a única mulher do mundo aos olhos dele. É evidente que esse tipo de coisa só acontece quando ele está querendo algo em troca. Aí vai das coisas mais absurdas, tipo um par de meias novo ou um ménage à trois. Depende de cada casal. Mas a verdade é que os homens, no geral - fora aqueles insuportavelmente bonzinhos – não são muito dados a declarações de amor, carinho e fofice. E é por isso que fica tão difícil se entender - um quer do outro aquilo que o outro não sabe dar. 

Aqueles que são espertos, porém, e que normalmente também são bem canalhas, e que geralmente são ainda os melhores, já sabem que não existe nada mais funcional pra convencer uma mulher de alguma coisa do que falar umas três frases bonitinhas por dia, jurar que ela é a única mulher que ele enxerga na frente - bem, as outras são só sexo - e fazer mais umas duas ou três bobagens, tipo levar num restaurante caro ou pra tomar coco na praia e andar de mãos dadas - aí vai ao gosto da freguesa. Pronto, a satisfação de todos os seus desejos está garantida! Não é preciso ser muito inteligente pra saber quando um homem desse tipinho está adulando você pra, na sequencia, te pedir alguma coisa absurda, e como a maioria de nós é inteligente, a gente sempre percebe. 

Quando eu tinha uns 20 anos e acreditava que um dia um príncipe ia bater na minha porta em um cavalo branco eu fingia pra mim mesma não entender esses sinais. Ficava inventando coisas do tipo: "ele se apaixonou por mim".

Quando eu tinha uns 25 anos e achava que um dia o príncipe ia chegar, ainda que a pé e meio esfarrapado, tentava acreditar que em alguns casos os ataques de fofice masculinos podiam não significar a necessidade de um "pagamento". Ficava me desgastando tentando avaliar quando a coisa era verdadeira ou não, e perdi um tempo danado com isso.

Quando eu fiz uns 28 anos e comecei a sair por aí como uma louca caçando um príncipe, fiquei revoltada com todos esses simulacros de príncipe que vinham tentar me fazer de boba. Jogava na cara deles o quanto eu era esperta e não ia cair na deles. Fazia questão de deixar bem claro minha descoberta sobre seus ataques de paixão, e foi uma nuvem tão grande de sapos e príncipes correndo de perto de mim que quase deu manchete no jornal.

Quando eu fiz 30 anos e fiquei mais esperta, imaginando que talvez um dia eu encontre o príncipe assim sem cavalo, sem coroa e sem roupa real, parecendo apenas um homem qualquer, numa esquina qualquer, percebi que uma vida sem um pouco de ilusão não tem a menor graça. Então, quando acontece um "ataque de fofice", fico bem quietinha, na minha, aproveitando bem e ainda faço biquinho. Afinal, não é só isso que a gente quer? Um pouco de carinho, tesão, paixão, amor e companheirismo, tudo misturado e bem batido no liquidificador? E se durar apenas um tempo e não a vida toda, deixa de valer? Nem a vida dura pra sempre. Então, melhor viver como se hoje fosse o último dia da vida...