quinta-feira, 25 de outubro de 2012

De portas fechadas



E quando as portas se fecham? O que podemos fazer?

O que fazer quando você anda na rua e não olha pro bonitão que passou, vai numa festa e lembra de todas as músicas incríveis que tocaram, mas não vê ninguém que estava lá, quando você nem repara no olhar tentador do bonitão do trabalho?

O que fazer quando você nem lembra que existe sexo, como se essa palavra lhe lembrasse alguma coisa muita boa, mas que não, obrigada, você não está afim de fazer novamente nesse momento?

O que fazer quando você come sem culpa e fica feliz se estiver mais gordinha, pois assim não vai precisar se preocupar com possíveis interessados em começar um relacionamento, seja de que espécie for, com você?

Qual a receita para a cura quando você não tem mais vontade de se arrumar, e troca os saltos maravilhosos por sapatilhas que parecem saídas do armário da sua avó, apenas porque são confortáveis?

Qual a solução para um coração que se fecha?

Sacudir a poeira, dirão suas amigas, se arrumar bem bonita e badalar por aí, ficar com vários, curtir a vida.

Essa pode ser a fórmula mais adequada de se deixar pra trás um amor – ou uma sucessão de amores – problemáticos e infelizes, mas não compartilho da opinião de que uma desilusão amorosa deve imediatamente levar a uma reação quase maniática de busca por alguém pra colocar no lugar que ficou vazio.

Até porque, se as portas estão fechadas, como será possível acessar esse lugar?

E por que curtir a vida não pode ser curtir seu momento de vida, inclusive uma fase na qual você pensa em trabalho, em dançar sem se preocupar se vai beijar alguém, em usar sapatilhas apenas pra dar um descanso pros pés por uns tempos, até eles estarem bem pra voltar aos saltos?

Por que não engordar uns quilinhos comendo todo chocolate que você tem vontade de comer?

Por que não andar na rua e reparar na paisagem, nas crianças, por que não deixar pra depois o olhar tentador do colega bonitão?

A oportunidade pode passar, dirão alguns, o tempo vai passar e logo você estará mais velha, mais gorda, mais frustrada. Mas eu digo que não. Digo que temos milhares de oportunidades de tipos variados todos os dias, e que seria impossível aproveitar todas.

Digo que o tempo pode passar, mas não vai deixar você mais velha, nem mais gorda, nem mais frustrada, se você tirar um tempo pra amar um pouco a si própria, e não ficar apenas buscando o amor do outro.

E digo ainda que, quando a pessoa com a chave certa chegar, ele vai abrir as portas novamente, e você pode chorar e vir a fechar as portas no futuro, ou ser feliz pra sempre como a Cinderela, mas vai correr o risco, por que esse cara estava com a chave. Mas quem entrega a chave é você, ou seja, ela está na sua mão o tempo todo, e você pode sim trancar por um tempo as portas, pra fazer uma faxina geral.

E não vai perder nada por isso.