segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O não momento do amor


Você vai, mas fica tudo, tudo que vivemos, que queríamos ter vivido, e não foi possível. Lembranças não faltam, carnavais e invernos nos quais brigamos, nos quais fizemos as pazes, de tantas vezes, tantas coisas que é impossível descrever. Ainda lembro seus olhos no primeiro dia, e no último, a primeira vez que te vi, andando na rua, por que será que já ali senti uma coisa diferente...? Estranho. Não te achei bonito. Só vi teus olhos grudados em mim e percebi que, não sei até hoje porque, aquilo mexeu comigo. Lembro ainda da despedida, de teus passos descendo as escadas, e meu coração ruindo, sentindo que era a última vez, o desfecho final de algo que me acostumei a ter por tanto tempo – a certeza de que amaria você e que seria você que esperaria. Pena que não nos conhecemos no momento para o amor. Se assim fosse, talvez eu fosse amar você apenas, pela minha vida inteira. Mas agora fica tudo estranho, um vazio de você e ao mesmo tempo a certeza de que nada mudou, porque eu afinal nunca o tive. Não pude nem saber se era você que eu queria, e, de tudo, isso é o que mais lamento. Que não tenhamos vivido, que não tenhamos experimentado, que tudo tenha sido só um sonho e uma história que eu vivi sozinha.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Lulus, polêmicas e tal

Antes que os aplicativos que dão nota a homens e supostos aplicativos que dão notas a mulheres saiam do papo do momento (se é que já não saíram, porque no mundo virtual tudo é tão rápido), resolvi dar minha singela opinião sobre o assunto.

Digo singela porque eu não pretendo que ninguém concorde com ela, especialmente as pessoas mais conectadas, as que adoram redes sociais, as que acham que não tem mal nenhum ficar fofocando sobre os outros em rede mundial.

Sim, porque, pra mim, essas coisas, nada mais são do que fofoca em rede mundial, fofoca que pode correr o mundo, e fofoca sempre pode fazer mal.

A verdade é que as impressões que temos sobre os outros não são 100% das vezes uma verdade absoluta. 

Eu, por exemplo, estou bem consciente de que tem gente que me acha uma chata insuportável, tem gente que me acha hilária, tem gente que me acha a pessoa mais bacana do mundo e tem gente que mal pode ouvir minha voz.

Também estou bem consciente de que as vezes eu mesma me acho a pessoa mais incrível que existe, e, outras, mal posso me olhar no espelho.

O mesmo se dá quando o assunto é sexo e relacionamentos. Um cara que é nota 9,5 pra mim, pode ser abaixo da crítica pra você. Isso já começa até mesmo na atração, porque eu posso gostar de um tipo físico que pra minha melhor amiga é uó.

Depois, aprofundando a questão do sexo, é claro que existem alguns gostos que são comuns a muitas mulheres, mas eu duvido que exista sequer um que seja comum a TODAS as mulheres. Idem para os homens.

Eu tenho amigas, por exemplo, que acham beijo na orelha a coisa mais insuportável do mundo e outras que não entendem como um cara pode não beijar a orelha. Eu tenha amigas que são loucas por carícias nos pés, e eu, sinceramente, daria um chute na cara de um homem que tentasse beijar meus pés. Gosto que deixem meus pés em paz.

Ou seja, pra mim, um cara que tem aquelas taras por pés é nota zero antes de fazer qualquer coisa. Para outras pessoas, ele pode ser nota 10 em todos os quesitos.
Tudo que eu falei até agora, porém, é pura obviedade. Todo mundo sabe. Qualquer um pode raciocinar e perceber.

A contribuição de um aplicativo que avalia e faz comentários sobre os homens, porém, é que acho mais problemática.

Você realmente acredita que seria bom ou útil, antes de sair com um cara, dar uma olhadinha no Lulu e ver a nota e os comentários sobre ele? Não, não responda essa pergunta pra mim. Responda pra você mesma e pense bem antes.

Imagine se você, que acha um charme tarados por pés, vai sair com um gato exatamente desse tipo e vê lá a minha desanimadora nota zero. Legal, né?

Ou pior, se eu sou uma ex inconformada e detono o cara no Lulu, e você, que vai sair com ele pela primeira vez, vê os meus comentários, sem nem saber que ele tem uma ex inconformada, e leva a sério?

Outra coisa, eu realmente não posso entender a cabeça de uma mulher casada ou enrolada, feliz e contente com seu relacionamento, que vai lá colocar o maridão no Lulu. Se você fala bem, esta fazendo uma linda propaganda do tipo “peguem o meu marido que ele é bom”. Se você fala mal, está difamando o próprio marido e não tenho comentários pra isso.

E se você falar qualquer coisa que seja, está abrindo margem para que uma sacana qualquer, que nunca teve nada com seu marido, ou que teve, mas não tem mais nada a ver, vá lá e coloque algo do tipo “#delicia”. Uma palavra simples, um nadinha, mas que você vai saber que veio de algum lugar. E pior, não sabe de que lugar, ou pior ainda, de que pessoa veio. Então, de repente você pode estar batendo boca com seu amado, que nem sabia que estava no Lulu.

Pra quem diz que é a “vingança das mulheres” eu respondo – ora minha amiga, não se faça de inocente. Eu tenho pilhas de amigos do sexo masculino e sei que eles não falam um terço das mulheres do que nós falamos dos homens. E aqui estou me referindo à questão sexual mesmo. Detalhes cabeludíssimos sobre o desempenho sexual dos homens fazem sim parte das rodas de conversas femininas. Por que eles não poderiam falar de nós, então?

E antes que alguém venha me dizer que estou sendo machista, me defendo – não vamos confundir as coisas. Eu estou sendo realista. Eu não gosto que falem de mim, claro, especialmente detalhes sobre meu desempenho sexual, mas uma vez que estamos na roda, estamos sujeitos. E eu não vou ser hipócrita de dizer que peço autorização pros caras com quem namorei pra falar sobre eles com minhas amigas.

De resto, me envergonho profundamente de que, estando quase no ano de 2014, depois de anos e anos de luta por diretos das mulheres, tenhamos nesse Lulu comentários do tipo “#pagaaconta”.

Por que será que mulheres que vivem arrotando feminismo por aí acham que o cara pagar a conta é um grande elogio?

É evidente que eu acho um charme um homem que, por educação, elegantemente paga a conta, dentro de suas possibilidades financeiras. No entanto, se ele pagar a conta porque acha que mulher gosta de dinheiro e isso impressiona e ajuda a dar umazinha, eu certamente prefiro que ele use esse dinheiro com uma profissional do sexo.

E se um namorado de tempos paga a conta sempre, eu honestamente não deixo. Me sinto mal, afinal de contas, eu já deixei de depender financeiramente de alguém há alguns anos. Não acho justo que uma pessoa fique sempre e sempre e sempre gastando rios de dinheiro comigo, ainda mais se for alguém que eu amo.

Podemos sacar o quanto esse Lulu é baixo astral pela reação indignada das mulheres quando começou essa história de que teria um aplicativo do mesmo nível para avaliar o sexo feminino.

Ouvi de mulheres, e respeito essa opinião, que os comentários do Lulu são inocentes, e os do outro aplicativo seriam péssimos, de baixo nível mesmo.

Mas, minha opinião: você acha mesmo que dizer de um cara que ele #preferevideogame ou #naofaznemcocegas é mais inocente do ele falar de você algo tipo #elaengole?

Inocência relativa, né? Pra mim, é tudo péssimo, ofensivo e, mais do que tudo, desnecessário.

Pra finalizar, e lembrando que ninguém precisa concordar comigo, acho pura perda de tempo ficar falando mal de alguém pela internet. Eu não usaria o Lulu pra falar de um ex, mesmo ficando anônima e mesmo daqueles que foram mais filhos da mãe comigo, e olha que eu tenho uma certa experiências em ex filhos da p.

Mas, se eles foram filhos da p comigo, podem não ter sido com outras. Aliás, alguns podem nem saber que foram filhos da p. O que é ser filha da p pra mim pode não ter nada a ver com o que é ser filha da p pra você. E, de mais a mais, ainda que alguns tenham tido comportamentos realmente lamentáveis comigo e até mesmo com outras mulheres, por que, Céus, eu perderia meu tempo falando deles ainda?

Que vão, que sigam seus caminhos e que evoluam. Eu estou tentando evoluir.


sábado, 30 de novembro de 2013

Enigmas


Enigmas podem ser deliciosos, instigantes... podem deixar uma mente divagando por horas, perdida em soluções mágicas, ilusões e pensamentos estranhos. Mistérios e sonhos podem mexer com um coração e com um corpo, deixando lembranças e suposições aflorarem como nunca.

O passado pode ser convidativo, as paixões mal resolvidas podem ser tentadoras e despertar sensações estranhas e já nem imaginadas.

Mas nada é melhor do que o real, do que a verdade, do que o que existe, do que o presente. Por isso ao passado, só tenho a dizer que fique no passado. Que seja boas lembranças, ou lembranças não tão boas, apenas estranhas, mas que seja o que passou e jamais voltará. O passado não tem espaço quando se vive o presente. O passado não pode ser futuro. E o futuro me interessa.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Considerações sobre o amor

..amor não tem cor, nem raça, nem religião, nem partido... amor tem cheiro, tem veludo na pele, gosto único e brilho no olhar.

...amor não tem razão, nem sentido, nem proposta, nem resposta, tem bagunça em sofás, camas e corações, tem momentos e improvisação.

...amor não tem consciência, nem ciência, nem papo-cabeça. Amor tem longos silêncios, empirismo e loucura.

...amor não tem passado, nem futuro. Amor tem agora, agora, agora...




sábado, 23 de novembro de 2013

Eu prefiro viver

Eu prefiro deixar de entrar no elevador quando ele está muito cheio. Prefiro porque por mais atrasada que eu esteja, os cinco minutos que vou perder pra esperar outro eu posso recuperar, mas se ele despencar não posso recuperar minha vida.


 Eu prefiro comer uma sobremesa maravilhosa com os amigos naquele jantar bacana. Isso porque as calorias que eu ganhar posso perder, mas o prazer de comer aquele negócio delicioso, naquele momento especial, dificilmente me será dado de novo.


Eu prefiro pegar um táxi e marchar com 20 conto do que aceitar a carona daquele amigo caindo de bêbado. Prefiro porque minha vida vale mais que 20 conto, pelo menos pra mim, e certamente pra minha mãe também.


Eu prefiro arriscar por um sonho, ainda que eu tenha que abrir mão de uma vida estável, se esta vida estável não estiver me deixando feliz. E eu prefiro abrir mão de um sonho, se um dia ele deixar de fazer sentido. Isso porque, só quem pode saber e procurar e encontrar os desejos da minha alma sou eu mesma.


E o que isso tudo tem a ver com o tema do blog?

Eu explico. Existem duas lógicas em relacionamentos, especialmente para mulheres mais experientes.
Número 1: Eu prefiro ficar sozinha a me meter num relacionamento que parece roubada porque prefiro não sofrer.

Número 2: Eu prefiro arriscar um relacionamento, porque estou sofrendo sozinha.

E o que eu prefiro? Bem, depende. Eu prefiro viver. Sempre, sempre prefiro viver.



Então, se o cara for um criminoso ou tiver histórico de bater em mulheres, por exemplo, ok, obrigada, eu prefiro viver sozinha a morrer por uma relação.

Agora, em situações normais, eu prefiro sofrer pelo fim de um relacionamento a deixar de viver, porque eu posso me recuperar de um sofrimento, mas os bons momentos que vivi ninguém pode me devolver.



E você, prefere o que?
  

domingo, 17 de novembro de 2013

Eduardo e Mônica

Hoje vou contar a história de um casal que gosto muito. Vou chama-los de Eduardo e Mônica, em homenagem ao Renato Russo e também a eles, que formam um casal muito bacana.
Eduardo e Mônica se conheceram quando os dois já estavam passado dos trinta. Ela pouco e ele bastante. 

Isso quer dizer que evidentemente, tinham passado por desilusões.

Eduardo nunca havia sido casado, não tinha filhos por aí, apesar da idade, o que, por si só, já é motivo de estranheza pra muita gente. Ele teve uma noiva, quando estava na casa dos 20, mas não casou com ela. Desilusões.

Ele era o tipo de cara que queria um relacionamento, mas não qualquer um. Não era do tipo que não queria relacionamento, que fugia de compromisso ou do tipo desiludido traumatizado. Não mesmo. Ele apenas usava sua experiência de vida pra colocar alguns critérios em como era o relacionamento que ele desejava, sem idealismos. Quase perfeito esse Eduardo, né? E é. Um cara maduro e tranquilo.

Mônica, até pouco antes de conhecer Eduardo, fora um pocinho doce e sonhador de desilusões, frustrações e idealismos. Mônica achava que qualquer cara que tivesse um sorriso que mexia com seu coração poderia se transformar no príncipe encantado. Na verdade, ela achava que ela poderia transformar esse cara no príncipe encantado. Pra você ver o tamanho do problema.

Acontece que um dia, Mônica acordou crescida. Sentiu pela primeira vez que não estava desesperada por um relacionamento, porque não queria mais qualquer relacionamento. Nem queria mudar ninguém. Nem queria ficar se espremendo pra caber no sonho dos outros.

Foi neste contexto que Eduardo e Mônica se conheceram, ficaram, saíram, namoraram, namoraram e namoram até hoje.

Isso já tem uns anos. Nem muitos nem poucos. Uns anos.

O problema de Eduardo e Mônica, ou talvez, pra ser mais exata, o problema de 80% da população mundial em relação a Eduardo e Mônica, é que eles não se casaram. E nem noivaram. E nem marcaram a data do casamento. E nem falaram em se casar.

Quem não para de falar sobre a data do casamento deles (que eles nem sequer sabem se vai acontecer) é a família dele, a família dela, os amigos dele, os amigos dela, os desconhecidos da rua, etc.


O casamento (que não existe) de Eduardo e Mônica virou uma polêmica regional.

O pior de tudo isso, porém, é que eles simplesmente não se importam com isso. Eles não dão bola pras perguntas, eles admitem que não sabem responder, eles namoram, viajam, curtem e ficam mais companheiros a cada dia.



Eles mantém suas vidas individuais, sem nunca deixar de fazer parte da vida um do outro. Eles riem, saem e namoram numa boa.



E os outros deixam de dormir por causa do casamento de Eduardo e Mônica. Mas não eles. Eles dormem como anjos, as vezes juntos, as vezes separados, mas sempre em paz.


Se você me perguntar se eu acho que um dia o casamento de Eduardo e Mônica vai acontecer, eu direi honestamente que sim, eu acho. Mas não tenho certeza. Eles não têm certeza. Assim como minha amiga que casou mês passado não sabe se vai se separar um dia, embora ela possivelmente esteja aproveitando a Lua de Mel e não se preocupando com isso.


E eu não tenho certeza não porque não acredite no amor de Eduardo e Mônica. O amor de Eduardo e Mônica me faz acreditar em relações felizes. Eu não tenho certeza apenas porque todos nós estamos vivos. E a vida não nos dá muitas certezas, mas, nem por isso, podemos deixar de viver cada dia. 

E em homenagem a todos Eduardos e Mônicas:



sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A nossa tragicomédia

Foi um amor arrebatador. A primeira vista. Paixão imediata.

Eu estava de férias, ele estava de folga. Ele estava na areia e eu estava no mar. Ele entrou no mar e eu entrei na vida dele. Mais ou menos assim. Só que eu estava de passagem e ele morava lá. Problema sem solução.

É bem fácil se apaixonar quando você sabe que a pessoa vai embora, né?

Você é incrível, linda, inteligente, divertida, cheirosa...

E o melhor é que eu nunca vou ter que descobrir que você nem sempre está afim de se produzir, as vezes tem suas burrices, também tem mau-humor e as vezes fica com chulé.

Pois é. Sendo tudo lindo e maravilhoso, nós nos permitimos acreditar que tudo seria perfeito. E foi. Bom, quase perfeito. Na verdade teve uns probleminhas. Bem, analisando melhor, muitos probleminhas.

Mas vamos fingir que não. Vamos fingir que foi uma história de amor de verão, perfeita, perfeita e perfeita.

Bom, na verdade não vai rolar. Porque se eu for fingir que tudo for perfeito, possivelmente vou perder o melhor da história. Porque o melhor de nós dois sempre foi o que nos fez rir. As coisas tragicômicas. As coisas patéticas.

E isso já começou pela nossa dramaticidade. Eu confesso que sou um tanto quanto dramática. Mas Paulinho, Ave Maria!!! Ele era muuuuuito dramático.

Coisas do tipo: eu ligar meu telefone, quando sai do avião, voltando pra casa, depois das férias, e ter uma mensagem dele do tipo: dê notícias pelo amor de Deus!!!

Depois, só porque eu demorei um pouco pra mandar as fotos das férias, uma declaração no MSN: mande logo essas fotos porque eu preciso ver o seu rosto, se não vou morrer. (na época meu pc não tinha cam).

Bom, mas a parte hilária é que ele fazia essas coisas acreditando no próprio drama. Não que ele se sentisse assim, mas ele acreditava que se sentia assim. E acreditava que eu acreditava também, claro. E eu fingia que não acreditava, mas acreditava.

Ihhh, essa história está ficando meio confusa. O que era mesmo que eu ia contar? Ah sim, claro.

Poderia contar muitas coisas lindas, dramáticas (de verdade), cômicas, horríveis da nossa breve história de verão, mas vou dar a vocês a cereja do bolo - a despedida.

Tinha que ser um dia especial, afinal de contas, seria o último. Mal sabíamos como estávamos enganados, mas tudo bem. Naquele momento, pra nós dois, era o último.

Então, estranhamente ele conseguiu se atrasar menos de uma hora pra encontrar comigo na praia. A essa altura, do alto do meu conhecimento de 15 dias sobre a pessoa do Paulinho, eu não encanava mais. Simplesmente ia fazer as coisas que eu queria fazer e deixava ele aparecer um dia. Então, eu estava na praia com um casal de amigos, e ele chegou.

Ficamos na praia, onde tínhamos nos conhecido, naquele clima romântico, e então resolvemos ir comer alguma coisa num lugar bem bacana. Na Ribeira, de frente pra Baía de Todos os Santos, comemos escondidinho e depois sentamos no muro, naquele clima de "não podemos nos desgrudar um minuto, porque são os últimos".

Acho que foi ali que começou a palhaçada. Eu estava sentada no murinho, com ele na minha frente, quando um sombreiro com água da chuva acumulada resolveu se fechar, despejando toda aquela água onde? Isso mesmo, bem em cima da minha cabeça.

E se você pensa que Paulinho se compadeceu, enrolou uma toalha sobre meus ombros e evitou que eu morresse de gripe, está enganada. O que ele fez foi cair na gargalhada ao ponto de quase ser hospitalizado por ataque de riso.

Tudo bem. Depois dele se desculpar por uma hora por rir da minha cara, voltamos ao clima romântico. E é claro que eu esperava que, para fechar com chave de ouro, ele me levasse ao aeroporto. Na verdade eu achava lindo aquela coisa de um casal se despedindo no aeroporto, e já estava imaginando nosso último abraço, nós dois tentando disfarçar os olhos marejados de lágrimas, eu entrando na sala de embarque, olhando pra trás e vendo ele ficar pequeninho lá parado, com aquela cara de "como o destino é cruel, encontrei a mulher da minha vida e ela mora no outro lado do País".

Assim, tipo cena de filme.

Mas, para minha surpresa, para minha tristeza, apesar de eu ter que partir, ele me informou que odiava despedidas e por isso não ia me levar ao aeroporto. Ah tá. Não podia acusar ele de falta de cavalheirismo propriamente, porque o paquera da minha amiga já tinha anunciado que nos levaria ao aeroporto.

Então engoli minha decepção e fingi que tudo bem. Tá bom. Legal. Melhor Assim.


Ao chegar em casa, eu e minha amiga tomamos um banho, comemos às pressas e sentamos nas malas, e fomos rumo ao aeroporto. Pedro, o paquera da minha amiga, estava nos levando, como eu já disse. E de repente o telefone dele tocou.

 - Estamos na Ondina, é... passando o hotel... é, aqui, aqui, tá vendo? - disse Pedro ao telefone.

Um carro deu uma volta diante de nós e parou enviesado na nossa frente. Tipo coisa de filme. E, para minha surpresa, Paulinho saiu de dentro dele.

E sim, eu sai de dentro do carro de Pedro, e corremos apaixonados um na direção do outro, e nos abraçamos no meio da rua. Igual cena de filme.

- Eu precisava ver você mais uma vez... - disse o nosso dramático Paulinho.

Extasiada com aquele momento, eu entrei no carro de Paulinho e ouvi ele contando como tinha tentado ligar pro meu celular (estava sem crédito e, deslocado, não recebia chamadas) tentado ligar pro celular da minha amiga (idem ao anterior), e pensado em ir direto para o mesmo mar que nos conhecemos e se afogar (essa parte é exagero, ele nunca disse isso) até se lembrar que minha amiga Helena tinha usado o telefone dele pra ligar pro Pedro. Ou seja, o número dele estava gravado no celular. Então ele ligou, e ali estávamos.

Nesse momento, Pedro parou ao nosso lado e disse que queria passar sei lá onde pra fazer sei lá o que. Ok, beleza, vamos lá. Em comboio. Chegando ao local onde Pedro precisava fazer sei lá o que, eu e Paulinho ficamos dentro do carro, nos amassando e curtindo o auge do romantismo.

Confesso que uma hora achei que ele estava me agarrando demais pra um momento romântico, que estava quase virando um momento sexual, mas então ele me colocou docemente eu seu peito, e ficamos conversando.

Mas de repente, se fez silêncio.

Paulinho parou de falar, e eu fiquei deitada eu seu peito, sentido sua respiração profunda e regular, imaginando que ele estava emocionado, como eu. Eu estava quase esperando ouvir um soluço, ou um som qualquer de choro, quando realmente ouvi um som. Mas era um som diferente... era um... era um...

RONCO!!!

Olhei pra cima e vi que Paulinho estava simplesmente dormindo. Tipo assim, caiu no sono no meio da nossa despedida de filme. Ali eu devia ter percebido que não dava, mas fui insistir e deu no que deu.

É claro que eu acordei ele com um tapa. Tudo bem que tapas não condiziam com cenas de despedida de filme, mas roncos muito menos, você concorda?

"Você está dormindo???????????????"

Esbravejei, pensando em como poderia contar nossa despedida romântica no futuro sem me lembrar do detalhe tragicômico do ronco.

"Ohh meu amor. É que não dormimos direito."

Isso era verdade, mas nada justificava o ronco.

"Mas você está roncando, Paulinho!!!!!!!!!!!!!"

Disse em desespero.

"É que o sono está me cercando de todos os lados."

Sim, sim, ele largou essa pérola.

E o pior de tudo, é que eu adoro contar essa história. Foi uma das coisas mais engraçadas que já aconteceu na minha vida, e eu sempre choro de rir quando conto, ao ponto de quase não conseguir terminar, porque me falta o ar.

Se eu fosse uma mulher normal, possivelmente omitiria os detalhes terríveis dessa história e provavelmente teria riscado o nome Paulinho do meu caderno para todo sempre.

Mas eu não sou muito normal, sabe? Eu gosto de rir. Eu gosto de coisas patéticas. Eu gosto do que me diverte. E o que é de gosto, é regalo da vida. ;)


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O vazio


Eu já senti muitas coisas desde aquele dia, há 20 anos, quando dei o meu primeiro beijo. Já senti paixão arrebatadora, já senti uma amizade que eu queria muito que tivesse paixão, mas não tinha, já senti carinho com desejo, já senti desejo puro e simples.

Até mesmo pela mesma pessoa já senti coisas bem diferentes – como um amor imenso e depois uma total e triste indiferença, ou uma paixão sofrida e incompreensível que se tornou uma amizade linda e delicada.

Já senti dores profundas e felicidades extremas, uma paz calma que a gente quer que nunca termine, uma alegria doce, uma alegria tímida, êxtase puro e desprezo simples. Já senti raiva, mágoa, ternura, empatia, esperança, desilusão.

Na entanto, eu jamais havia experimentado desde aquele dia o vazio. É um vazio puro e simples, nem bom, nem ruim, apenas vazio.

Uma falta total de sentimentos relacionados a espécie masculina (claro que não estou falando do meu pai ou do meu irmão, nem do meu amigo). É uma ausência de expectativas, de vontade até mesmo de começar tudo outra vez, mas sem desilusão. É quase uma paz. É uma serenidade grande, que simplesmente deixa o vazio ficar ali, sem medo de alguma coisa estar errada.

Aí eu penso, talvez por hábito – alguma coisa está errada?  Pode alguém sentir paz no vazio, ou somos obrigadas a estar o tempo todo esperando alguma coisa ou alguém, desejando estar nos braços de uma pessoa, será que temos que ter nosso coração ocupado romanticamente falando, para sermos felizes?

Percebo que nosso coração não precisa necessariamente estar ocupado com um relacionamento. Ele pode estar cheio de esperanças de melhorias em diversos setores da vida, pode estar cheio de sonhos a se realizar, de metas, de objetivos, de amor, amor de diversas naturezas. Inclusive a romântica, sim, por que não?

Talvez o problema seja o pensamento de que é uma obrigação que você queira, tenha ou pretenda ter um relacionamento o tempo todo. Talvez nosso coração precise de pausas para se encher de outras coisas, ou para aprender a se encher de várias coisas sem que uma seja tudo.

E vejo então que, ao mesmo tempo que esse vazio me cai tão bem nessa hora, olhando para frente, penso que não há como se desejar o vazio para a vida toda. O vazio é calmo e dá segurança, mas não traz vida.


Exemplo: se você compra um apartamento, ele pode vir vazio, que representa uma segurança (um teto na sua cabecinha). Mas você não vai poder morar nele vazio.


Um copo vazio é útil apenas se um dia você pretende encher ele com alguma coisa.

 Um caderno vazio é apenas entulho.


Todo vazio, porém, é um mundo de possibilidades.

 Um apartamento vazio permite um mundo de ideias de decoração.



 Um copo vazio comporta mil possibilidades de preenchimento.


Um caderno vazio pode ser o começo de toda uma nova história.

Um coração cheio de apenas um sentimento por uma única pessoa é um grande desperdício. Então, em um grande coração, cabem muitas coisas. Milhões de possibilidades, milhões de sentimentos. E um coração “vazio” pode ser preenchido com calma, sem pressa, com tudo de melhor. Pode-se simplesmente optar por não colocar nele sentimentos ruins. E essa é a grande oportunidade do vazio.  

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Silêncio

O silêncio fala tanto...

Quando as bocas se calam
E os olhos se encontram
O silêncio fala tudo que é preciso
Quando falar nada é o que se precisa

E silêncio, quando uma cabeça repousa docemente sobre um ombro
Mãos tocam cabelos distraídas
E uma frase que fala de amor é dita
Apenas pelo silêncio

E um dia
Assim de repente
O silêncio diz o que não se quer ouvir
Fala sobre todas as coisas que você nem quer saber
Mas, implacável
Te obriga a aceitar a realidade
De que o silêncio é tudo que se precisa
Pra se saber que é hora de partir.


sábado, 13 de abril de 2013

Paquera sem números

A problemática entre grande parte das mulheres e a revelação de sua idade começa de verdade depois dos 30, mas o bom é que, pelo menos pela minha experiência, é ainda nesta mesma fase que ela é superada. Dizem que ela volta com forma total depois dos 40 e que é nesse momento da vida que você começa a mentir a idade, mas aí só eu esperando pra ver. 

Embora alguns ingênuos achem que não gostamos jamais de falar sobre idade, a verdade é que até um certo ponto da vida, a mulher não se importa e até quer falar sua idade. Você pode até achar que está terrivelmente velha aos 25, mas, vamos falar sério, você vai ficar muuuito mais velha ainda, se tiver sorte, claro. Quem tem 25 tem também todo o tempo nas mãos. Quando você chega perto dos 30 - no meu caso a crise foi com 29 - percebe que o tempo passa, sim, ele passa. Que você praticamente dormiu com 20 e acordou com 30 e, se bobear, acorda no outro dia com 40. 

O fato é que, antes dos 30, a paquera pode perfeitamente começar assim:


Oi, qual seu nome?



Jéssica e o seu?



Felipe. Qual sua idade?



25. 

Tudo lindo. Depois que você visivelmente passou dos 20 e poucos, a maior parte dos caras já aprendeu que a idade não é um bom dado para se puxar uma conversa. 


Oi, Qual seu nome?


Andressa, e o seu?


Marcos. Qual sua idade?



Isso não é pergunta que se faça, assim, seu babacão!!!

Se você for mais calma, pode apelar pro clássico:


Advinha!


Logo, os caras mais espertos preferem deixar o detalhe da idade para um momento melhor. Quando a mulher está falando compulsivamente, por exemplo, e diz a idade sem nem perceber.


Pois é, então, na semana passada eu vi um apartamento perfeito, mas que não é muito bem localizado, e agora estou entre esse e um outro que fica beemmm do lado do meu trabalho, mas é menor. O preço é quase o mesmo, mas eu ainda estou pensando, estou realmente indecisa sabe? Na verdade até um tempo atrás eu nem pensava em comprar um aparamento, mas um dia pensei 'eu estou com 32 anos e preciso pensar no futuro'?


Esta é a sua cara quando percebe que falou sua idade no meio da conversa.



Essa é cara dele, quando percebe que você falou sua idade no meio da conversa e que ele tem que fingir que não acredita. 



É sééério que você tem 32 anos? Nossa, mas eu tinha certeza que você tinha vinte e poucos. Você parece ter 20 e poucos. 



Essa é a sua cara de feliz com a mentira descarada dele.



Essa é sua cara ao perceber que ele achou que você tinha 20 e poucos, logo pode te dispensar por saber que você na verdade tem trinta e poucos. 


Se ele é um cara esperto de verdade, porém, vai atacar com algo tipo:


Bem que eu estava percebendo que você é madura demais pra ter vinte e poucos. 




Madura?



Madura?


Madura demais?



Madura demais? O que você quer dizer com madura demais?



Seu papo, suas ideias...


Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Que lindo!


Então ele vai lançar os papos clássicos. 

Explico. Se ele é mais novo e tem vinte e poucos:


Eu sempre me relaciono com mulheres mais velhas. Eu não gosto de garotinhas não. Gosto de mulheres mais decididas, que sabem o querem.



Tradução: Eu cheguei em você mesmo sabendo que você é mais velha porque minha experiência diz que mulheres mais velhas são mais fáceis de levar pra cama.


Se ele é mais velho e já está perto da ou NA casa dos 40:


Eu estou procurando uma mulher pra ter um relacionamento sério. 



Tradução: Eu sou experiente e sei que você está louca pra encontrar alguém que queira um relacionamento sério, até porque, se quisesse só uma transa, possivelmente ia preferir um garotão de 20 e poucos. 


Se ele tem a sua idade:


Vamos pra outro lugar???



Tradução: eu tenho trinta, você também, então podemos transar logo, sem blá, blá, blá. 


Já sei, você acha que eu estou um pouco descrente né? Acha que estou amarga, abandonada e infeliz. Mas na verdade, quando a gente tem trinta e poucos, começa a ver com mais humor as paqueras, e analisar o comportamento repetitivo de muitos homens. Claro que nem sempre vai ser assim. É evidente que nem todo cara vai seguir esse roteiro, nem se encaixar nesses critérios. Mas é engraçado observar o número de vezes que as coisas se repetem quando o assunto é paquera, especialmente as paqueras da balada. 

Mas as vezes pode ser diferente. Ah pode. Pode rolar aquela paquera em que vocês apenas conversam, riem, acham bacana estar ali juntos, e depois... depois, o que ocorrer. O que os dois quiserem. Sem estratégia. Sem medos. Sem entrelinhas. E por isso, vale a pena tentar.