segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Um “bolo” feliz



Eu tinha conhecido o Renato na rua. Eu estava caminhando, e ele largou uma cantada do tipo barata, mas que me fez rir. E quando você ri de uma cantada, o cara entende que agradou (embora nem sempre seja assim) e persiste. E Renato foi atrás de mim, e batemos um papo enquanto eu esperava o cara da barraca fazer o meu suco de laranja, que eu tinha descido pra comprar. Trocamos telefone. Sei que assim fica parecendo que sou uma mulher fácil, mas eu realmente não gosto de dificuldades. O que é, é, e o que não é, não é. Fácil assim.

Bom, o fato é que nos falamos algumas vezes, mas o Renato era consideravelmente mais novo que eu e falava umas coisas muito sem noção. Fora aquela primeira cantada, que apesar de ruim tinha sido engraçada, ele só dava bola fora. A favor dele, direi que ele era realmente um gatinho, de olhinhos azuis, alto, uma fofura. Por isso sai com ele uma vez. Mas o desespero dele pra transar acabou com tudo.

Tudo bem um cara querer sexo, afinal de contas, não vamos nos iludir, as mulheres podem querer casar, mas também querem e precisam de sexo. O problema é quando o cara fica agarrando você sem clima nenhum. Isso é uma coisa bem pessoal, cada uma gosta do que gosta, mas o fato é que euzinha acho que até pra tentar uma transa casual tem que ter contexto. E convencimento. A mulher tem que acreditar que vai ser bom, e não é enfiando a língua na orelha dela assim do nada que um cara vai convencê-la disso.

Aconteceu então que uns dias depois de sair e dar um fora no Renato, eu conheci o Adolfo. A despeito da desvantagem do nome e da beleza (ele era bem mais baixo, mais magrinho e não tinha olhos azuis) ele tinha uma vantagem que possivelmente vem da maturidade. Conheci ele na festa de um amigo e conversamos bastante. Uma conversa provocante, cheia de risinhos, e, ao final, eu dei sim o meu telefone pra ele. Tudo bem, eu sou fácil, admito, mas não a ponto de ficar com um cara no chá de bebê do meu amigo.

Aconteceu, porém, que uma semana se passou, e Adolfo não ligou. Eu fiquei p da vida, e foi quando eu estava no auge da pdavidisse que Renato me chamou no msn. E ficou novamente insistindo pra gente sair, insistindo e insistindo. E eu aceitei.

Ele ficou de passar na minha casa pra me buscar às 21h. Eu me arrumei, fiquei toda bonitinha esperando, mas, quando estou lá, perfumada e reluzente, me liga um número que eu não conhecia. Atendi, achando que podia ser o Renato, mas era o Adolfo. E ele me chamou pra sair.

Era muito azar o cara sumir e aparecer justamente no dia que eu tinha marcado com outro. Depois de me morder de raiva, achei que não era decente eu desmarcar com Renato, que já devia estar a caminho. Afinal, Adolfo tinha tido tempo suficiente pra me procurar e não procurou.

Sendo assim, inventei uma desculpa qualquer e comentei que podíamos sair no dia seguinte. Adolfo topou, não sem parecer frustrado. E eu também estava, confesso.

Bom, o tempo foi passando. Quando deu 20h30, Adolfo me mandou uma mensagem no celular.

“Pena que você não pode. Eu estava louco pra te ver.”

Bom, é preciso dizer que Adolfo tinha dito que viajara a trabalho, por isso não tinha me procurado antes. Ou seja, a desculpa era boa, embora eu já esteja na idade de não acreditar em tudo que ficam me falando por aí. Bom, na verdade, já estou na idade de não acreditar em nada que ficam me falando por aí. Mas o fato é que eu queria sair com Adolfo. E respondi isso.

“Eu também queria muito, mas preciso preparar o material pra reunião. Amanhã nos vemos...”

Minha desculpa tinha sido uma reunião de trabalho cedo.

Adolfo me rebateu:

“Será que nem se a gente se visse rapidinho daria? Prometo não te tomar muito tempo, só queria te ver.”

Eu respondi:

“Também tenho vontade, mas acho que seria melhor amanhã, com tempo...”

Achei que ele ia desistir depois dessa, mas em breve meu telefone apitou:

“Eu preferia hoje, sem tempo, e amanhã, com tempo.”

Garoto esperto. Provocante, sem ser direto demais. Ri daquela mensagem, mas não sabia o que responder. Eram 21h, exatamente. Me perguntei quanto tempo eu teria que esperar pra decretar que Renato tinha me dado um bolo e sair com Adolfo. Mas eu sabia que Renato não ia me dar o bolo, afinal ele tinha enchido o saco pra sair comigo. Por isso respondi:

“Por favor, não me tente. Eu realmente preciso preparar as coisas pra reunião, e dormir bem. Mas prometo que amanhã vai chegar logo.”

Bom, Adolfo se conformou com essa e respondeu concordando. Aliviada, eu fiquei esperando Renato. 21h15, 21h30, 21h40. Sem acreditar, constatei que apesar de me achar a super entendida de homens, eu possivelmente estava levando um bolo do improvável Renato. Era inacreditável mesmo. Meses de insistência e então... Bolo!

Bolo! Uhuuuu!!! Eu tinha tomado um bolo! Peguei o telefone mandei um sms pro Adolfo.

“Terminei o material da reunião antes do que imaginava. Se ainda estiver de pé seu convite...”

Dois segundos depois ele respondeu:

“Estou indo te pegar.”

E assim foi. O Renato me deu o bolo mesmo. No dia seguinte me chamou no msn com mil desculpas esfarrapadas, mas eu nem respondi. Bloqueei ele, embora tenha ficado levemente incomodada com o fato de não agradecer por ele ter me dado o bolo. Com um sorriso de orelha a orelha, eu constatei que aquele tinha sido o único bolo feliz da minha vida.