sexta-feira, 29 de março de 2013

Esse eu não quero!!!


Se você é do tipo de pessoa que gosta de repetir aquela famosa frase: “eu não sei o que quero, mas sei bem o que não quero”, tenho hoje uma triste notícia pra você, minha amiga. Saber o que não quer não ajudará muito na sua vida, ou melhor, pode atrapalhar muito. Experiências científicas compravam isso.



Bom, na verdade eu não faço ideia se há alguma experiência científica sobre isso, mas para demonstrar que não estou falando sem ter refletido profundamente sobre o assunto, vamos a alguns exemplos práticos.

Imagine que você vai até uma loja. A vendedora sorridente se aproxima e pergunta:


- Posso te ajudar?



- É... talvez...



- O que você está procurando?

Essa pergunta desencadeia o problema. Porque você sabe o que não quer. Mas não sabe o que quer.

- Bom, eu sei que não quero uma blusa.

A vendedora já começa a te olhar estranho, mas ainda sorri.

- Então o que você está procurando? O que você quer?

Você, bem segura de si, afinal sabe tão bem o que não quer, responde:


- O que eu quero eu não sei, mas eu sei que não quero uma blusa, nem uma saia, nem um vestido.

A vendedora solta um leve suspiro de impaciência, começando a imaginar se você está debochando da cara dela.

- Quem sabe uma calça? – sugere ela.

- Humm, uma calça? Bom uma calça eu não sei se eu quero. Mas eu sei que não quero uma bermuda, então talvez eu queira uma calça...

- Certo. – define a pobre balconista. – Você quer uma calça jeans ou uma calça social?

- Ah, eu não quero nem jeans nem social.

A vendedora lança um olhar impaciente pra você antes de perguntar:

- Então que tipo de calça você quer?


Você, na maior naturalidade, responde:


- Ahh, isso eu não sei!

Entendeu o problema? Saber o que não quer, mas não saber o que quer, nesse nosso caso imaginário, pode representar vários riscos – você pode ficar 10 anos na loja antes de finalmente comprar alguma coisa e já ter perdido o evento no qual usaria a roupa quando sair com ela de lá, você pode ser assassinada por uma vendedora que perdeu o juízo, ou pode sair de mãos abanando, porque, afinal de contas, não sabe o que quer.

Este mesmo princípio vale para a escolha do seu príncipe. Aliás, se você não sabe nem mesmo o que é um “príncipe” pra você, como poderia achar um, ainda que o príncipe existisse?

Vamos exemplificar.

Você está numa balada. Linda, morena e feliz. De repente, aparece aquele gato. Até aí tudo bem. Afinal, você sabe que não quer um cara que não seja gato, ok?



Bom, tudo bem mais ou menos. Porque você não sabe o que quer. Então, você não sabe se quer um cara gato. Um cara gato pode ser um problema. Afinal, se é gato ele pode ser galinha. E você sabe que não quer um cara galinha. Mas não quer dizer que todo cara gato seja galinha, né?



Bom, enquanto você devaneia, o gato chega e vem puxar papo. Mas você ainda nem conseguiu decidir se quer conversar com ele ou não.

- Oi. – começa ele.

- Oi. – responde você receosa.

Ele sorri. Um sorriso bonito.


- Bom, eu vi você aqui... e te achei linda. Então vim saber se você aceitaria beber alguma coisa comigo.

Você constata que ele é um cara direto. Mas você não sabe se quer um cara direto.

- Então? – pergunta ele, alçando as sobrancelhas e fazendo cara fofa.

- Eu... Eu não sei.

- Não sabe se quer beber alguma coisa comigo?

- É, eu não sei.

Ele ri, achando você divertida, para sua sorte, sem perceber que você está falando sério.

- Bem, então vamos fazer o seguinte. Eu pego umas bebidas pra nós e, se quando a gente terminar de beber, você não quiser a minha companhia eu vou embora.

Essa realmente lhe parece uma ótima solução, pois parece ser uma boa saída pra você ver se ele tem coisas que você não quer: mau-hálito, arrogância, papo chato, intenções fúteis, etc, etc, etc.

- Ah tá bom.

- Ótimo! – exclama ele sorrindo de novo. Isso é bom porque certamente você não quer um cara que não sorri.

- O que você quer beber? – pergunta ele, complicando a situação.

- Bom, eu não quero cerveja.

Ele te olha com ar de interesse.

- Hum. Certo, sem cerveja. Mas o que você quer?

- Eu não quero uísque, nem rum, nem ice.

Ele começa a parecer um pouco sério.


- Será que você quer uma bebida sem álcool?



- Não, isso eu não quero.

Diz você, no auge do seu poder de decisão. Ele tem um certo tom exasperado quanto pergunta:


- Então o que você quer?

Nesse ponto, você é obrigada a encarar ele com seriedade e dizer, com uma cara de pastel:


- EU NÃO SEI!

E era uma vez um príncipe. Ou um sapo. Mas principalmente, era uma vez uma chance.

Ou seja, minha amiguinha, em todas as situações, é melhor você saber o que quer. Nem que seja que você quer se dar uma oportunidade de descobrir o que você quer. Porque saber o que não quer é divagação. E saber o que quer é objetivo.