sábado, 13 de abril de 2013

Paquera sem números

A problemática entre grande parte das mulheres e a revelação de sua idade começa de verdade depois dos 30, mas o bom é que, pelo menos pela minha experiência, é ainda nesta mesma fase que ela é superada. Dizem que ela volta com forma total depois dos 40 e que é nesse momento da vida que você começa a mentir a idade, mas aí só eu esperando pra ver. 

Embora alguns ingênuos achem que não gostamos jamais de falar sobre idade, a verdade é que até um certo ponto da vida, a mulher não se importa e até quer falar sua idade. Você pode até achar que está terrivelmente velha aos 25, mas, vamos falar sério, você vai ficar muuuito mais velha ainda, se tiver sorte, claro. Quem tem 25 tem também todo o tempo nas mãos. Quando você chega perto dos 30 - no meu caso a crise foi com 29 - percebe que o tempo passa, sim, ele passa. Que você praticamente dormiu com 20 e acordou com 30 e, se bobear, acorda no outro dia com 40. 

O fato é que, antes dos 30, a paquera pode perfeitamente começar assim:


Oi, qual seu nome?



Jéssica e o seu?



Felipe. Qual sua idade?



25. 

Tudo lindo. Depois que você visivelmente passou dos 20 e poucos, a maior parte dos caras já aprendeu que a idade não é um bom dado para se puxar uma conversa. 


Oi, Qual seu nome?


Andressa, e o seu?


Marcos. Qual sua idade?



Isso não é pergunta que se faça, assim, seu babacão!!!

Se você for mais calma, pode apelar pro clássico:


Advinha!


Logo, os caras mais espertos preferem deixar o detalhe da idade para um momento melhor. Quando a mulher está falando compulsivamente, por exemplo, e diz a idade sem nem perceber.


Pois é, então, na semana passada eu vi um apartamento perfeito, mas que não é muito bem localizado, e agora estou entre esse e um outro que fica beemmm do lado do meu trabalho, mas é menor. O preço é quase o mesmo, mas eu ainda estou pensando, estou realmente indecisa sabe? Na verdade até um tempo atrás eu nem pensava em comprar um aparamento, mas um dia pensei 'eu estou com 32 anos e preciso pensar no futuro'?


Esta é a sua cara quando percebe que falou sua idade no meio da conversa.



Essa é cara dele, quando percebe que você falou sua idade no meio da conversa e que ele tem que fingir que não acredita. 



É sééério que você tem 32 anos? Nossa, mas eu tinha certeza que você tinha vinte e poucos. Você parece ter 20 e poucos. 



Essa é a sua cara de feliz com a mentira descarada dele.



Essa é sua cara ao perceber que ele achou que você tinha 20 e poucos, logo pode te dispensar por saber que você na verdade tem trinta e poucos. 


Se ele é um cara esperto de verdade, porém, vai atacar com algo tipo:


Bem que eu estava percebendo que você é madura demais pra ter vinte e poucos. 




Madura?



Madura?


Madura demais?



Madura demais? O que você quer dizer com madura demais?



Seu papo, suas ideias...


Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Que lindo!


Então ele vai lançar os papos clássicos. 

Explico. Se ele é mais novo e tem vinte e poucos:


Eu sempre me relaciono com mulheres mais velhas. Eu não gosto de garotinhas não. Gosto de mulheres mais decididas, que sabem o querem.



Tradução: Eu cheguei em você mesmo sabendo que você é mais velha porque minha experiência diz que mulheres mais velhas são mais fáceis de levar pra cama.


Se ele é mais velho e já está perto da ou NA casa dos 40:


Eu estou procurando uma mulher pra ter um relacionamento sério. 



Tradução: Eu sou experiente e sei que você está louca pra encontrar alguém que queira um relacionamento sério, até porque, se quisesse só uma transa, possivelmente ia preferir um garotão de 20 e poucos. 


Se ele tem a sua idade:


Vamos pra outro lugar???



Tradução: eu tenho trinta, você também, então podemos transar logo, sem blá, blá, blá. 


Já sei, você acha que eu estou um pouco descrente né? Acha que estou amarga, abandonada e infeliz. Mas na verdade, quando a gente tem trinta e poucos, começa a ver com mais humor as paqueras, e analisar o comportamento repetitivo de muitos homens. Claro que nem sempre vai ser assim. É evidente que nem todo cara vai seguir esse roteiro, nem se encaixar nesses critérios. Mas é engraçado observar o número de vezes que as coisas se repetem quando o assunto é paquera, especialmente as paqueras da balada. 

Mas as vezes pode ser diferente. Ah pode. Pode rolar aquela paquera em que vocês apenas conversam, riem, acham bacana estar ali juntos, e depois... depois, o que ocorrer. O que os dois quiserem. Sem estratégia. Sem medos. Sem entrelinhas. E por isso, vale a pena tentar. 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A primeira vez


A primeira vez a gente nunca esquece. E darei pra vocês o privilégio de, em primeira mão, saber como foi a minha. Tudo começou há vinte e poucos anos atrás. Eu era criança, e como todas as crianças, sofria de uma danada falta de senso crítico e uma mania abobalhada de achar que tudo que os outros faziam devia ser copiado. Especialmente se "os outros" se tratasse de minha irmã mais velha, a Dandara. 


Então, eu achava que tudo que Dandara fazia era o máximo. E se ela estava apaixonada pelo vizinho do prédio da frente, e ficava na janela paquerando com ele, eu certamente devia fazer a mesma coisa. 



Sabe, eu me tornei uma pessoa razoavelmente inteligente depois que cresci um pouco. Talvez até um pouco acima da média, creio. No entanto, naquela época eu devia ser a burrice em pessoa, porque entendi que se ia copiar a Dandara, tinha que ser literal. Não podia pensar “vou paquerar o vizinho do lado”. Claro que não! Se o que a Dandara fazia era o máximo, e eu tinha que copiar, eu tinha que me apaixonar pelo mesmo vizinho que ela estava apaixonada. Ah e tinha que paquerar ele na mesma janela que ela paquerava. 



Achou engraçado? Vai se guardando. Porque eu tinha também que paquerar ele na mesma hora que ela paquerava (não era pra fazer o que ela fazia, porra!), ou seja, com ela do lado. Deve ser a herança portuguesa.

Ela paquerava ele, e eu ficava do lado também fazendo caras e bocas. É, ainda bem que a vida faz a gente se tornar mais esperta. Se eu tivesse hoje a esperteza que tinha aos sete anos, possivelmente não estaria aqui contando essas histórias ridículas pra vocês, pois possivelmente não poderia ter sido alfabetizada.


O nome dele era Renato. Então, eu não me lembro exatamente o que acontecia naquela janela, vocês vão ter que me perdoar a falta de riqueza de detalhes, mas é que eu tinha uns sete anos. Mas tem um dia em especial que eu lembro como se fosse hoje. 

Eu tinha perdido um dentinho. Um dente de leite, apenas, não precisa pensar que sou banguela. Mas na minha ilusão, pensei que o Renato não observaria este detalhe da minha pessoa, já que ele estava no prédio da frente, razoavelmente longe. 

Devo dizer que a Dandara bem que tentou me avisar. 


Você vai aparecer pra ele sem um dente?

Mas eu não ouvi. Devia ter ouvido. Talvez toda minha história fosse diferente se eu tivesse seguido seu sábio e experiente conselho. Mas eu fui na janela. 



Creio que como recurso para ver quem o Renato realmente queria das duas irmãs, resolvemos fazer um pequeno revezamento naquele dia. Dandara foi a primeira. Ela apareceu na janela, com seus longos e lisos cabelos castanhos, seu sorriso de cinco mil dentes e sua cara de menina que vai ter sorte no amor.

E não deu outra. Renato gritou, lá do outro prédio:


Liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinda!!!

Bom, ponto pra ela. Era minha vez. Apareci na janela do alto de meus sete anos, com meus cabelinhos curtinhos à moça penico, minha carinha acanhada e meu dentinho faltando. E o que ele disse?



 - Desdentadaaaaaaaaa!!!

Pronto. Quem mandou cobiçar o homem da próxima?

Estava feita minha primeira desilusão amorosa. 



Bom, a primeira de que me lembro. Eu não duvidaria nada que, no berçário, um bebê de olhos profundos tenha virado pra mim e me passado uma cantada cafajeste, prometido me amar pela vida toda...



 ´... e depois tenha saído de braços dados com a bebê que nasceu logo em seguida. 



Estou falando sério, eu não duvidaria. Mas eu realmente não tinha uma capacidade muito grande de fixar fatos nessa época. Então, considero que Renato foi a minha primeira dor de amor. E a primeira, a gente nunca esquece.