sábado, 30 de novembro de 2013

Enigmas


Enigmas podem ser deliciosos, instigantes... podem deixar uma mente divagando por horas, perdida em soluções mágicas, ilusões e pensamentos estranhos. Mistérios e sonhos podem mexer com um coração e com um corpo, deixando lembranças e suposições aflorarem como nunca.

O passado pode ser convidativo, as paixões mal resolvidas podem ser tentadoras e despertar sensações estranhas e já nem imaginadas.

Mas nada é melhor do que o real, do que a verdade, do que o que existe, do que o presente. Por isso ao passado, só tenho a dizer que fique no passado. Que seja boas lembranças, ou lembranças não tão boas, apenas estranhas, mas que seja o que passou e jamais voltará. O passado não tem espaço quando se vive o presente. O passado não pode ser futuro. E o futuro me interessa.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Considerações sobre o amor

..amor não tem cor, nem raça, nem religião, nem partido... amor tem cheiro, tem veludo na pele, gosto único e brilho no olhar.

...amor não tem razão, nem sentido, nem proposta, nem resposta, tem bagunça em sofás, camas e corações, tem momentos e improvisação.

...amor não tem consciência, nem ciência, nem papo-cabeça. Amor tem longos silêncios, empirismo e loucura.

...amor não tem passado, nem futuro. Amor tem agora, agora, agora...




sábado, 23 de novembro de 2013

Eu prefiro viver

Eu prefiro deixar de entrar no elevador quando ele está muito cheio. Prefiro porque por mais atrasada que eu esteja, os cinco minutos que vou perder pra esperar outro eu posso recuperar, mas se ele despencar não posso recuperar minha vida.


 Eu prefiro comer uma sobremesa maravilhosa com os amigos naquele jantar bacana. Isso porque as calorias que eu ganhar posso perder, mas o prazer de comer aquele negócio delicioso, naquele momento especial, dificilmente me será dado de novo.


Eu prefiro pegar um táxi e marchar com 20 conto do que aceitar a carona daquele amigo caindo de bêbado. Prefiro porque minha vida vale mais que 20 conto, pelo menos pra mim, e certamente pra minha mãe também.


Eu prefiro arriscar por um sonho, ainda que eu tenha que abrir mão de uma vida estável, se esta vida estável não estiver me deixando feliz. E eu prefiro abrir mão de um sonho, se um dia ele deixar de fazer sentido. Isso porque, só quem pode saber e procurar e encontrar os desejos da minha alma sou eu mesma.


E o que isso tudo tem a ver com o tema do blog?

Eu explico. Existem duas lógicas em relacionamentos, especialmente para mulheres mais experientes.
Número 1: Eu prefiro ficar sozinha a me meter num relacionamento que parece roubada porque prefiro não sofrer.

Número 2: Eu prefiro arriscar um relacionamento, porque estou sofrendo sozinha.

E o que eu prefiro? Bem, depende. Eu prefiro viver. Sempre, sempre prefiro viver.



Então, se o cara for um criminoso ou tiver histórico de bater em mulheres, por exemplo, ok, obrigada, eu prefiro viver sozinha a morrer por uma relação.

Agora, em situações normais, eu prefiro sofrer pelo fim de um relacionamento a deixar de viver, porque eu posso me recuperar de um sofrimento, mas os bons momentos que vivi ninguém pode me devolver.



E você, prefere o que?
  

domingo, 17 de novembro de 2013

Eduardo e Mônica

Hoje vou contar a história de um casal que gosto muito. Vou chama-los de Eduardo e Mônica, em homenagem ao Renato Russo e também a eles, que formam um casal muito bacana.
Eduardo e Mônica se conheceram quando os dois já estavam passado dos trinta. Ela pouco e ele bastante. 

Isso quer dizer que evidentemente, tinham passado por desilusões.

Eduardo nunca havia sido casado, não tinha filhos por aí, apesar da idade, o que, por si só, já é motivo de estranheza pra muita gente. Ele teve uma noiva, quando estava na casa dos 20, mas não casou com ela. Desilusões.

Ele era o tipo de cara que queria um relacionamento, mas não qualquer um. Não era do tipo que não queria relacionamento, que fugia de compromisso ou do tipo desiludido traumatizado. Não mesmo. Ele apenas usava sua experiência de vida pra colocar alguns critérios em como era o relacionamento que ele desejava, sem idealismos. Quase perfeito esse Eduardo, né? E é. Um cara maduro e tranquilo.

Mônica, até pouco antes de conhecer Eduardo, fora um pocinho doce e sonhador de desilusões, frustrações e idealismos. Mônica achava que qualquer cara que tivesse um sorriso que mexia com seu coração poderia se transformar no príncipe encantado. Na verdade, ela achava que ela poderia transformar esse cara no príncipe encantado. Pra você ver o tamanho do problema.

Acontece que um dia, Mônica acordou crescida. Sentiu pela primeira vez que não estava desesperada por um relacionamento, porque não queria mais qualquer relacionamento. Nem queria mudar ninguém. Nem queria ficar se espremendo pra caber no sonho dos outros.

Foi neste contexto que Eduardo e Mônica se conheceram, ficaram, saíram, namoraram, namoraram e namoram até hoje.

Isso já tem uns anos. Nem muitos nem poucos. Uns anos.

O problema de Eduardo e Mônica, ou talvez, pra ser mais exata, o problema de 80% da população mundial em relação a Eduardo e Mônica, é que eles não se casaram. E nem noivaram. E nem marcaram a data do casamento. E nem falaram em se casar.

Quem não para de falar sobre a data do casamento deles (que eles nem sequer sabem se vai acontecer) é a família dele, a família dela, os amigos dele, os amigos dela, os desconhecidos da rua, etc.


O casamento (que não existe) de Eduardo e Mônica virou uma polêmica regional.

O pior de tudo isso, porém, é que eles simplesmente não se importam com isso. Eles não dão bola pras perguntas, eles admitem que não sabem responder, eles namoram, viajam, curtem e ficam mais companheiros a cada dia.



Eles mantém suas vidas individuais, sem nunca deixar de fazer parte da vida um do outro. Eles riem, saem e namoram numa boa.



E os outros deixam de dormir por causa do casamento de Eduardo e Mônica. Mas não eles. Eles dormem como anjos, as vezes juntos, as vezes separados, mas sempre em paz.


Se você me perguntar se eu acho que um dia o casamento de Eduardo e Mônica vai acontecer, eu direi honestamente que sim, eu acho. Mas não tenho certeza. Eles não têm certeza. Assim como minha amiga que casou mês passado não sabe se vai se separar um dia, embora ela possivelmente esteja aproveitando a Lua de Mel e não se preocupando com isso.


E eu não tenho certeza não porque não acredite no amor de Eduardo e Mônica. O amor de Eduardo e Mônica me faz acreditar em relações felizes. Eu não tenho certeza apenas porque todos nós estamos vivos. E a vida não nos dá muitas certezas, mas, nem por isso, podemos deixar de viver cada dia. 

E em homenagem a todos Eduardos e Mônicas:



sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A nossa tragicomédia

Foi um amor arrebatador. A primeira vista. Paixão imediata.

Eu estava de férias, ele estava de folga. Ele estava na areia e eu estava no mar. Ele entrou no mar e eu entrei na vida dele. Mais ou menos assim. Só que eu estava de passagem e ele morava lá. Problema sem solução.

É bem fácil se apaixonar quando você sabe que a pessoa vai embora, né?

Você é incrível, linda, inteligente, divertida, cheirosa...

E o melhor é que eu nunca vou ter que descobrir que você nem sempre está afim de se produzir, as vezes tem suas burrices, também tem mau-humor e as vezes fica com chulé.

Pois é. Sendo tudo lindo e maravilhoso, nós nos permitimos acreditar que tudo seria perfeito. E foi. Bom, quase perfeito. Na verdade teve uns probleminhas. Bem, analisando melhor, muitos probleminhas.

Mas vamos fingir que não. Vamos fingir que foi uma história de amor de verão, perfeita, perfeita e perfeita.

Bom, na verdade não vai rolar. Porque se eu for fingir que tudo for perfeito, possivelmente vou perder o melhor da história. Porque o melhor de nós dois sempre foi o que nos fez rir. As coisas tragicômicas. As coisas patéticas.

E isso já começou pela nossa dramaticidade. Eu confesso que sou um tanto quanto dramática. Mas Paulinho, Ave Maria!!! Ele era muuuuuito dramático.

Coisas do tipo: eu ligar meu telefone, quando sai do avião, voltando pra casa, depois das férias, e ter uma mensagem dele do tipo: dê notícias pelo amor de Deus!!!

Depois, só porque eu demorei um pouco pra mandar as fotos das férias, uma declaração no MSN: mande logo essas fotos porque eu preciso ver o seu rosto, se não vou morrer. (na época meu pc não tinha cam).

Bom, mas a parte hilária é que ele fazia essas coisas acreditando no próprio drama. Não que ele se sentisse assim, mas ele acreditava que se sentia assim. E acreditava que eu acreditava também, claro. E eu fingia que não acreditava, mas acreditava.

Ihhh, essa história está ficando meio confusa. O que era mesmo que eu ia contar? Ah sim, claro.

Poderia contar muitas coisas lindas, dramáticas (de verdade), cômicas, horríveis da nossa breve história de verão, mas vou dar a vocês a cereja do bolo - a despedida.

Tinha que ser um dia especial, afinal de contas, seria o último. Mal sabíamos como estávamos enganados, mas tudo bem. Naquele momento, pra nós dois, era o último.

Então, estranhamente ele conseguiu se atrasar menos de uma hora pra encontrar comigo na praia. A essa altura, do alto do meu conhecimento de 15 dias sobre a pessoa do Paulinho, eu não encanava mais. Simplesmente ia fazer as coisas que eu queria fazer e deixava ele aparecer um dia. Então, eu estava na praia com um casal de amigos, e ele chegou.

Ficamos na praia, onde tínhamos nos conhecido, naquele clima romântico, e então resolvemos ir comer alguma coisa num lugar bem bacana. Na Ribeira, de frente pra Baía de Todos os Santos, comemos escondidinho e depois sentamos no muro, naquele clima de "não podemos nos desgrudar um minuto, porque são os últimos".

Acho que foi ali que começou a palhaçada. Eu estava sentada no murinho, com ele na minha frente, quando um sombreiro com água da chuva acumulada resolveu se fechar, despejando toda aquela água onde? Isso mesmo, bem em cima da minha cabeça.

E se você pensa que Paulinho se compadeceu, enrolou uma toalha sobre meus ombros e evitou que eu morresse de gripe, está enganada. O que ele fez foi cair na gargalhada ao ponto de quase ser hospitalizado por ataque de riso.

Tudo bem. Depois dele se desculpar por uma hora por rir da minha cara, voltamos ao clima romântico. E é claro que eu esperava que, para fechar com chave de ouro, ele me levasse ao aeroporto. Na verdade eu achava lindo aquela coisa de um casal se despedindo no aeroporto, e já estava imaginando nosso último abraço, nós dois tentando disfarçar os olhos marejados de lágrimas, eu entrando na sala de embarque, olhando pra trás e vendo ele ficar pequeninho lá parado, com aquela cara de "como o destino é cruel, encontrei a mulher da minha vida e ela mora no outro lado do País".

Assim, tipo cena de filme.

Mas, para minha surpresa, para minha tristeza, apesar de eu ter que partir, ele me informou que odiava despedidas e por isso não ia me levar ao aeroporto. Ah tá. Não podia acusar ele de falta de cavalheirismo propriamente, porque o paquera da minha amiga já tinha anunciado que nos levaria ao aeroporto.

Então engoli minha decepção e fingi que tudo bem. Tá bom. Legal. Melhor Assim.


Ao chegar em casa, eu e minha amiga tomamos um banho, comemos às pressas e sentamos nas malas, e fomos rumo ao aeroporto. Pedro, o paquera da minha amiga, estava nos levando, como eu já disse. E de repente o telefone dele tocou.

 - Estamos na Ondina, é... passando o hotel... é, aqui, aqui, tá vendo? - disse Pedro ao telefone.

Um carro deu uma volta diante de nós e parou enviesado na nossa frente. Tipo coisa de filme. E, para minha surpresa, Paulinho saiu de dentro dele.

E sim, eu sai de dentro do carro de Pedro, e corremos apaixonados um na direção do outro, e nos abraçamos no meio da rua. Igual cena de filme.

- Eu precisava ver você mais uma vez... - disse o nosso dramático Paulinho.

Extasiada com aquele momento, eu entrei no carro de Paulinho e ouvi ele contando como tinha tentado ligar pro meu celular (estava sem crédito e, deslocado, não recebia chamadas) tentado ligar pro celular da minha amiga (idem ao anterior), e pensado em ir direto para o mesmo mar que nos conhecemos e se afogar (essa parte é exagero, ele nunca disse isso) até se lembrar que minha amiga Helena tinha usado o telefone dele pra ligar pro Pedro. Ou seja, o número dele estava gravado no celular. Então ele ligou, e ali estávamos.

Nesse momento, Pedro parou ao nosso lado e disse que queria passar sei lá onde pra fazer sei lá o que. Ok, beleza, vamos lá. Em comboio. Chegando ao local onde Pedro precisava fazer sei lá o que, eu e Paulinho ficamos dentro do carro, nos amassando e curtindo o auge do romantismo.

Confesso que uma hora achei que ele estava me agarrando demais pra um momento romântico, que estava quase virando um momento sexual, mas então ele me colocou docemente eu seu peito, e ficamos conversando.

Mas de repente, se fez silêncio.

Paulinho parou de falar, e eu fiquei deitada eu seu peito, sentido sua respiração profunda e regular, imaginando que ele estava emocionado, como eu. Eu estava quase esperando ouvir um soluço, ou um som qualquer de choro, quando realmente ouvi um som. Mas era um som diferente... era um... era um...

RONCO!!!

Olhei pra cima e vi que Paulinho estava simplesmente dormindo. Tipo assim, caiu no sono no meio da nossa despedida de filme. Ali eu devia ter percebido que não dava, mas fui insistir e deu no que deu.

É claro que eu acordei ele com um tapa. Tudo bem que tapas não condiziam com cenas de despedida de filme, mas roncos muito menos, você concorda?

"Você está dormindo???????????????"

Esbravejei, pensando em como poderia contar nossa despedida romântica no futuro sem me lembrar do detalhe tragicômico do ronco.

"Ohh meu amor. É que não dormimos direito."

Isso era verdade, mas nada justificava o ronco.

"Mas você está roncando, Paulinho!!!!!!!!!!!!!"

Disse em desespero.

"É que o sono está me cercando de todos os lados."

Sim, sim, ele largou essa pérola.

E o pior de tudo, é que eu adoro contar essa história. Foi uma das coisas mais engraçadas que já aconteceu na minha vida, e eu sempre choro de rir quando conto, ao ponto de quase não conseguir terminar, porque me falta o ar.

Se eu fosse uma mulher normal, possivelmente omitiria os detalhes terríveis dessa história e provavelmente teria riscado o nome Paulinho do meu caderno para todo sempre.

Mas eu não sou muito normal, sabe? Eu gosto de rir. Eu gosto de coisas patéticas. Eu gosto do que me diverte. E o que é de gosto, é regalo da vida. ;)


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O vazio


Eu já senti muitas coisas desde aquele dia, há 20 anos, quando dei o meu primeiro beijo. Já senti paixão arrebatadora, já senti uma amizade que eu queria muito que tivesse paixão, mas não tinha, já senti carinho com desejo, já senti desejo puro e simples.

Até mesmo pela mesma pessoa já senti coisas bem diferentes – como um amor imenso e depois uma total e triste indiferença, ou uma paixão sofrida e incompreensível que se tornou uma amizade linda e delicada.

Já senti dores profundas e felicidades extremas, uma paz calma que a gente quer que nunca termine, uma alegria doce, uma alegria tímida, êxtase puro e desprezo simples. Já senti raiva, mágoa, ternura, empatia, esperança, desilusão.

Na entanto, eu jamais havia experimentado desde aquele dia o vazio. É um vazio puro e simples, nem bom, nem ruim, apenas vazio.

Uma falta total de sentimentos relacionados a espécie masculina (claro que não estou falando do meu pai ou do meu irmão, nem do meu amigo). É uma ausência de expectativas, de vontade até mesmo de começar tudo outra vez, mas sem desilusão. É quase uma paz. É uma serenidade grande, que simplesmente deixa o vazio ficar ali, sem medo de alguma coisa estar errada.

Aí eu penso, talvez por hábito – alguma coisa está errada?  Pode alguém sentir paz no vazio, ou somos obrigadas a estar o tempo todo esperando alguma coisa ou alguém, desejando estar nos braços de uma pessoa, será que temos que ter nosso coração ocupado romanticamente falando, para sermos felizes?

Percebo que nosso coração não precisa necessariamente estar ocupado com um relacionamento. Ele pode estar cheio de esperanças de melhorias em diversos setores da vida, pode estar cheio de sonhos a se realizar, de metas, de objetivos, de amor, amor de diversas naturezas. Inclusive a romântica, sim, por que não?

Talvez o problema seja o pensamento de que é uma obrigação que você queira, tenha ou pretenda ter um relacionamento o tempo todo. Talvez nosso coração precise de pausas para se encher de outras coisas, ou para aprender a se encher de várias coisas sem que uma seja tudo.

E vejo então que, ao mesmo tempo que esse vazio me cai tão bem nessa hora, olhando para frente, penso que não há como se desejar o vazio para a vida toda. O vazio é calmo e dá segurança, mas não traz vida.


Exemplo: se você compra um apartamento, ele pode vir vazio, que representa uma segurança (um teto na sua cabecinha). Mas você não vai poder morar nele vazio.


Um copo vazio é útil apenas se um dia você pretende encher ele com alguma coisa.

 Um caderno vazio é apenas entulho.


Todo vazio, porém, é um mundo de possibilidades.

 Um apartamento vazio permite um mundo de ideias de decoração.



 Um copo vazio comporta mil possibilidades de preenchimento.


Um caderno vazio pode ser o começo de toda uma nova história.

Um coração cheio de apenas um sentimento por uma única pessoa é um grande desperdício. Então, em um grande coração, cabem muitas coisas. Milhões de possibilidades, milhões de sentimentos. E um coração “vazio” pode ser preenchido com calma, sem pressa, com tudo de melhor. Pode-se simplesmente optar por não colocar nele sentimentos ruins. E essa é a grande oportunidade do vazio.