domingo, 17 de novembro de 2013

Eduardo e Mônica

Hoje vou contar a história de um casal que gosto muito. Vou chama-los de Eduardo e Mônica, em homenagem ao Renato Russo e também a eles, que formam um casal muito bacana.
Eduardo e Mônica se conheceram quando os dois já estavam passado dos trinta. Ela pouco e ele bastante. 

Isso quer dizer que evidentemente, tinham passado por desilusões.

Eduardo nunca havia sido casado, não tinha filhos por aí, apesar da idade, o que, por si só, já é motivo de estranheza pra muita gente. Ele teve uma noiva, quando estava na casa dos 20, mas não casou com ela. Desilusões.

Ele era o tipo de cara que queria um relacionamento, mas não qualquer um. Não era do tipo que não queria relacionamento, que fugia de compromisso ou do tipo desiludido traumatizado. Não mesmo. Ele apenas usava sua experiência de vida pra colocar alguns critérios em como era o relacionamento que ele desejava, sem idealismos. Quase perfeito esse Eduardo, né? E é. Um cara maduro e tranquilo.

Mônica, até pouco antes de conhecer Eduardo, fora um pocinho doce e sonhador de desilusões, frustrações e idealismos. Mônica achava que qualquer cara que tivesse um sorriso que mexia com seu coração poderia se transformar no príncipe encantado. Na verdade, ela achava que ela poderia transformar esse cara no príncipe encantado. Pra você ver o tamanho do problema.

Acontece que um dia, Mônica acordou crescida. Sentiu pela primeira vez que não estava desesperada por um relacionamento, porque não queria mais qualquer relacionamento. Nem queria mudar ninguém. Nem queria ficar se espremendo pra caber no sonho dos outros.

Foi neste contexto que Eduardo e Mônica se conheceram, ficaram, saíram, namoraram, namoraram e namoram até hoje.

Isso já tem uns anos. Nem muitos nem poucos. Uns anos.

O problema de Eduardo e Mônica, ou talvez, pra ser mais exata, o problema de 80% da população mundial em relação a Eduardo e Mônica, é que eles não se casaram. E nem noivaram. E nem marcaram a data do casamento. E nem falaram em se casar.

Quem não para de falar sobre a data do casamento deles (que eles nem sequer sabem se vai acontecer) é a família dele, a família dela, os amigos dele, os amigos dela, os desconhecidos da rua, etc.


O casamento (que não existe) de Eduardo e Mônica virou uma polêmica regional.

O pior de tudo isso, porém, é que eles simplesmente não se importam com isso. Eles não dão bola pras perguntas, eles admitem que não sabem responder, eles namoram, viajam, curtem e ficam mais companheiros a cada dia.



Eles mantém suas vidas individuais, sem nunca deixar de fazer parte da vida um do outro. Eles riem, saem e namoram numa boa.



E os outros deixam de dormir por causa do casamento de Eduardo e Mônica. Mas não eles. Eles dormem como anjos, as vezes juntos, as vezes separados, mas sempre em paz.


Se você me perguntar se eu acho que um dia o casamento de Eduardo e Mônica vai acontecer, eu direi honestamente que sim, eu acho. Mas não tenho certeza. Eles não têm certeza. Assim como minha amiga que casou mês passado não sabe se vai se separar um dia, embora ela possivelmente esteja aproveitando a Lua de Mel e não se preocupando com isso.


E eu não tenho certeza não porque não acredite no amor de Eduardo e Mônica. O amor de Eduardo e Mônica me faz acreditar em relações felizes. Eu não tenho certeza apenas porque todos nós estamos vivos. E a vida não nos dá muitas certezas, mas, nem por isso, podemos deixar de viver cada dia. 

E em homenagem a todos Eduardos e Mônicas: