segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O não momento do amor


Você vai, mas fica tudo, tudo que vivemos, que queríamos ter vivido, e não foi possível. Lembranças não faltam, carnavais e invernos nos quais brigamos, nos quais fizemos as pazes, de tantas vezes, tantas coisas que é impossível descrever. Ainda lembro seus olhos no primeiro dia, e no último, a primeira vez que te vi, andando na rua, por que será que já ali senti uma coisa diferente...? Estranho. Não te achei bonito. Só vi teus olhos grudados em mim e percebi que, não sei até hoje porque, aquilo mexeu comigo. Lembro ainda da despedida, de teus passos descendo as escadas, e meu coração ruindo, sentindo que era a última vez, o desfecho final de algo que me acostumei a ter por tanto tempo – a certeza de que amaria você e que seria você que esperaria. Pena que não nos conhecemos no momento para o amor. Se assim fosse, talvez eu fosse amar você apenas, pela minha vida inteira. Mas agora fica tudo estranho, um vazio de você e ao mesmo tempo a certeza de que nada mudou, porque eu afinal nunca o tive. Não pude nem saber se era você que eu queria, e, de tudo, isso é o que mais lamento. Que não tenhamos vivido, que não tenhamos experimentado, que tudo tenha sido só um sonho e uma história que eu vivi sozinha.