domingo, 12 de janeiro de 2014

Mãe Marguerita


Eu era bem nova quando manifestei pela primeira vez meu dom. Na época, claro, não tinha como saber que era um dom, e também não percebi logo quando ele se manifestou novamente.

Na verdade, eu achava que era só injustiça. Perceba que eu era bem jovem, bem jovem mesmo, e me sentia injustiçada pela vida, como todo jovem se sente. O engraçado é que quando a gente lembra, anos depois, da vida que a gente tinha na época, fica se perguntando qual o motivo de se sentir injustiçada, já que tinha tudo, não trabalhava, não fazia nada da vida a não ser estudar um pouco e ainda por cima tinha toda a beleza da juventude. Bom, mas esse é outro assunto.

Voltando ao dom, eu não sei bem quando comecei a desconfiar. Realmente não sei, mas acho que a primeira vez que falei sobre isso foi quando uma amiga me contou sobre o dom dela. Essa amiga, Ana, tinha o dom de trazer o amor de volta. E eu então desconfiei que tenho o dom de trazer o amor, simplesmente.

Explico: basta falar comigo com algum pinguinho que seja de segundas intenções, e, momentos depois, você vai encontrar o amor. Bom, na verdade, a coisa ocorre de forma diversa. Deve ser conforme a capacidade de acreditar no amor da outra pessoa, mas o fato é que todo cara que chega perto de mim e eu me interesso por ele, encontra o amor verdadeiro depois. Pode acreditar.

As vezes demora um pouco, outras a coisa se dá quase imediatamente. Vamos aos cases.
A primeira vez, foi quando eu me apaixonei enlouquecidamente, lá no primeiro grau. Era um colega de aula. Eu fiquei tendo certeza absoluta que ele era o amor da minha vida e que seria o pai dos meus filhos durante meses. E então, ele encontrou o amor. O amor dele era a minha melhor amiga. Legal. Pelo menos duas pessoas que eu gostava ficaram felizes, mas eu fiquei arrasada e achei por umas duas semanas que ia morrer.

Mas não morri, e por isso pude ajudar outras pessoas com meu incrível dom. Como o meu primeiro namorado mais sério, digamos assim. Foi uma coisa linda, que aconteceu, que brotou, que fez ele largar a namorada pra ficar comigo. E aí nos grudamos e assim ficamos por meses. Até que ele encontrou o amor. Não comigo, claro. Com uma pessoa que também era minha amiga, aliás. Tá bom, o que importa é que eu superei.

Depois teve o cara que ficou um tempão no meu pé, e eu não queria ficar com ele. Não que eu não gostasse dele, na verdade gostava até demais, mas como amigo. Ele era um fofo, um lindinho e o cara perfeito, mas é claro que eu estava apaixonada por outro, que não valia um centavo. Mas um dia resolvi dar uma chance e fiquei com ele. Aí ficamos algumas vezes, até que ele encontrou o amor. Nesse caso curioso, o amor dele era a mesma amiga que tinha sido o amor do meu primeiro namorado. Bom, eu nunca disse que o amor dura para sempre...

Temos muitos cases menores, mas vamos ficar com os mais atuais. Vamos ao case de um namorado que estava belo e faceiro comigo, e então, advinha? Isso mesmo, ele encontrou o amor. Nesse caso particular, eu não cheguei a ficar sabendo assim de cara, porque ele preferiu ficar com o amor e comigo ao mesmo tempo.

Em casos como este, o amor se vinga da pessoa que o traiu, e quando eu descobri sobre o encontro dele com o amor, ele decidiu que o amor dele era, na verdade (pasmem) eu. E ficou enchendo o meu saco por um tempão, até encontrar um outro amor. É, esse era meio inconstante. Geminianos dão trabalho.

Seguindo, teve ainda o cara que me fez pensar que eu tinha encontrado o amor. E eu acreditei nisso por anos, mas no fim ele encontrou o amor de verdade. E está com o amor dele até hoje.

Por sorte, um dia eu descobri que ele não era o meu amor. Mas isso demorou um pouco e devemos dizer que eu fiquei na maior dor de cotovelo, e foi nessa época que um antigo ficante me encontrou no face e começou a dizer coisas legais. Do tipo que era apaixonado por mim. Que eu nunca tinha percebido o quanto ele gostava de mim. Que eu sou realmente incrível. Blá, blá, blá.

Eu estava no auge da carência e esse ex ficante tinha sido uma história cheia de boas lembranças. Então a coisa ficou se desenrolando por uns meses. Conversinhas no face, telefonemas ocasionais até que uau! Convite para encontro. Explicando o porquê da demora, ele morava em outro estado, mas então me chamou para visitá-lo.

Juro que fiquei na dúvida. Isso porque eu ainda estava muito traumatizada com essa coisa de dom. Mas achei que o dom não funcionava pela internet, então topei. Começamos a combinar a viagem e então, então, então...! Isso mesmo. Descobri que meu dom é também virtual. Ele sumiu, e sumiu, e sumiu, eu fucei, e fucei, e fucei, até que descobri que ele estava NOIVO. Nada menos que isso. De solteiro tinha passado pra noivo. Bom, hoje ele está muito bem casado. Mais um final feliz graças a mim. Como sou privilegiada por fazer tanto bem.

Eu resolvi então ficar quieta, parada, sem me mexer. Chega né? Tá bom de boas ações pra uma vida. Mas aí apareceu um carinha, ele era todo carinhoso, toda apaixonado, e eu fui baixando a guarda. Até que começamos a namorar. Estava tudo lindo e maravilhoso até que ele perdeu o celular.
Sim, ele perdeu o celular e vocês podem imaginar quem encontrou o celular dele? Isso mesmo, o amor. O amor da vida dele e então, ele me trocou pela mulher que tinha encontrado o celular da discórdia. Ou da concórdia, sei lá.

Do mesmo naipe, teve o cara que me cercou por anos, e eu dizendo que era só amizade, até que, sabe como é, a carência é f... Resolvi arriscar. Talvez o dom não funcionasse se eu não estivesse afim de verdade do cara, né? Outro namoro.

E ele ficou comigo, cuidou de mim, fizemos planos, falamos em casamento. O tempo passou e nada do dom. Um dia, porém, eu fiquei me sentindo confusa e pedi um tempo. Tá, nesse caso, assumo completamente a culpa, mas o fato é que, apesar de todo amor que ele declarava por mim, ele encontrou o amor de verdade. Hoje está casado, com uns 30 filhos.

Bom, mas teve o dia que foi a minha vez. Eu encontrei o amor de verdade. E eu sei disso porque posso dizer que eu amei aquele homem com o qual meu destino se cruzou tantas vezes com todas as minhas forças. Logo no começo da história, porém, ele me aprontou uma grande. O namoro todo se desenrolando e ele sumiu durante umas três semanas. Assim, sem notícias. Simplesmente virou pó.

Quando ele voltou, eu então soube que ele tinha encontrado o amor. E o amor era eu, ele jurava. Só que ele tinha demorado pra descobrir. No tempo que ele ficou descobrindo, porém, ele teve a oportunidade de conhecer outro amor – o de pai. Isso mesmo, ele teve um filho, olha que fofo!

Bom, hoje estou aqui contando tudo isso porque resolvi que meu dom é algo que não pode ser negado, nem evitado. Ele simplesmente existe. E sinceramente, eu estou cansada de ser a que sempre se ferra nessa história. Logo estou abrindo oportunidade para aqueles (apenas homens) que buscam o amor verdadeiro.

Basta entrar em contato e podemos ter uma conversa virtual, e você tem grandes chances de encontrar o amor. Isso mediante um pagamento a combinar, claro. Mas eu garanto o serviço. Se a conversa virtual não funcionar, podemos falar no telefone. Se nem isso resolver, podemos sair uma vez (fique claro que sem abusos de nenhuma ordem). Mas se nada disso resolver, aí meu amigo, você terá que fazer eu me apaixonar por você. Isso dá a garantia total que precisamos que em seguida você irá encontrar o amor. O processo pode ser um pouco demorado, mas é garantido. Se nem assim você encontrar o amor, eu devolvo seu dinheiro em dobro.