sábado, 26 de setembro de 2015

O que você fez?

Você já pensou no que você fez hoje? Possivelmente, ao ver esta pergunta aí escrita, você pensou no trabalho que executou, no que comeu, em alguém que visitou, na saída com os amigos ou num filme que assistiu.

Mas eu estou te propondo que você pare uns minutos e responda a si mesmo o que você fez enquanto fazia essas coisas todas. Quando você acordou, como tratou sua esposa ou seu marido, seus filhos, seu namorado, sua mãe ou seja lá quem foi que você viu?

Você lhes deu bom dia, você perguntou sobre o dia deles, você jogou um beijo antes de sair?

E ao passar pelo porteiro do seu prédio ou do trabalho, você conseguiu encontrar um bom dia pra oferecer ou você passou por uma pessoa invisível aos seus olhos?

E se você, politicamente correto que é, cumprimentou o porteiro, a empregada, a faxineira do prédio, como foi que você fez isso? Você fez isso pra mostrar pra si mesmo que é civilizado ou porque você consegue encontrar em seu coração a verdade de que aquela pessoa nada tem de diferente de você?

Você fala dos seus bons feitos e do quanto ajuda os outros, das doações que faz, mas não trata bem quem passa bem na sua frente?

Você, que coloca um Dr. antes de seu nome, todo cheio de orgulho, parou pra pensar se isso te faz diferente de qualquer pedreiro ou do lixeiro? E se você responder: é claro que faz, eu estudei, eu salvo vidas, eu salvo dentes, eu torno as pessoas mais bonitas e felizes, eu tenho o poder da justiça ou qualquer coisa que você pense que te difere, você se perguntou o quanto isso realmente importa?

E eu não pergunto o quanto importa pra mim, mas o quanto importa para você mesmo. O que isso te abona como ser humano? O que o seu carro, o seu trabalho, a sua viagem pro exterior, o seu belo apartamento fazem para resolver o problema de quem chora de fome em algum lugar talvez nem tão longe de você?

Você se acha ocupado? Pensa que porque tem uma profissão importante (importante por quê?) tem menos tempo do que o outro que você não faz ideia do quanto batalha, do porque chora à noite, das dores que sente, dos caminhos que percorre?

Você aí parou agora pra pensar se foi arrogante hoje com alguém? E você imaginou se talvez essa pessoa tenha dois ou três empregos e mal consiga pagar o aluguel, apesar de ter estudado tanto quanto você e de em nada ser menos que você?

Você parou pra pensar se a pessoa que você maltratou hoje por achar que não faz algo tão importante quanto você talvez estivesse cansada, talvez estivesse doente, talvez estivesse sofrendo por uma doença na família e mesmo assim não tenha aumentado o tom de voz com você, que arrogantemente falava do quanto a sua incrível vida perfeita é corrida?

Você tem um minuto pra pensar se você acha que os outros estão no mundo pra te servir?

Você avaliou se as suas incríveis conquistas talvez não tivessem sido tão fáceis se você não tivesse um pai ou uma mãe pra pagar os seus estudos?

Ou se você é um batalhador que conquistou tudo com muito esforço, você já parou pra analisar que existem milhares de batalhadores como você que não ficam por aí se vangloriando disso?

Você ainda sabe como é acordar às 6h e começar a trabalhar aguentando um bando de arrogantes mesquinhos como você, depois partir pra mais um emprego, caminhando alguns quilômetros porque não tem dinheiro pra comprar um carro?

Você parou pra imaginar que enquanto você, que se acha tão ocupado por, além do trabalho, ter um filho pequeno, vai pra casa achando cansativo ter um filho pequeno, talvez a pessoa que você destratou por se achar incrivelmente ocupado tenha um desejo imenso de poder ter um filho?

Você, que contabiliza feitos sociais e profissionais e vai para casa achando o máximo por ter dado mais um passo na carreira teve a habilidade hoje de salvar o dia de alguém com um sorriso de compreensão?

Você que se gaba de salvar vidas sabe acariciar uma alma com um pouco de educação?

O que você fez hoje? O que você fez enquanto o mundo não parava pra você ser maravilhoso, enquanto uma mãe não deixava de perder um filho por você não fazer mais que a sua obrigação obturando um dente, enquanto uma pessoa não deixava de chorar de dor porque você “vencia” um caso, enquanto uma pessoa não deixava de descobrir um câncer porque você desenhava um projeto que em nada vai tornar o mundo melhor, porque um dia vai virar pó, como ele, como você, como tudo que você comprou, como os seus diplomas, como o corpo que você tanto valoriza.

O que você fez hoje pela sua alma?


O que você fez hoje com verdadeiro amor?


O que você fez?




sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Domingo com circuito de teatro infantil e musical no Parque Ambiental Tractebel

O domingo (27) será agitado no Parque Ambiental Tractebel, em Capivari de Baixo, com mais um dia de atividades dentro do projeto Cultura no Parque. Desta vez, além dos já disputados espetáculos teatrais destinados para a criançada, a música instrumental completa a programação e promete lotar o teatro do espaço.

Às 16h, os atores do Grupo Cirandar prometem levar  os pequenos, e porque não os adultos, para o mundo lúdico com o espetáculo “Conta um, conta dois, conta três!". Ritmos, cantos, danças e histórias encantadoras são apresentados com o intuito de aproximar o público da cultura popular brasileira. Em cena, Molenga Maluca, os Pescadores e as bruxas e também o Boi de mamão.

A música instrumental do grupo Soonanda dá continuidade à programação, às 20h, também no teatro do Parque Ambiental. Os músicos apostam na invenção sonora, mesclando ritmos que vêm da tradição africana com as propostas da música contemporânea brasileira e mundial, desfazendo os limites entre corpo, instrumento e som. Todos os espetáculos tem entrada gratuita e os ingressos serão distribuídos uma hora antes do início da apresentação.

O “Cultura no Parque” é uma realização da Associação Jorge Lacerda, com patrocínio da Tractebel Energia, por meio da Lei de Incentivo à Cultura; Apoio Parque Ambiental Tractebel, Incentive Projetos e Eventos e Marte Inovação Cultural. Os ingressos e cortesias são limitados e  estão disponíveis na secretaria do Parque Ambiental. Informações através do site www.parqueambientaltractebel.com.br ou pelo telefone (48) 3623.2642.


Serviço

O quê: Circuito de Teatro Infantil  com Grupo Cirandar: “Conta 1, Conta 2, Conta 3”

Horário: 16h


O quê: Musical  com grupo Soonanda

Horário: 20h

Endereço: Av. General Osvaldo Pinto da Veiga, nº1, Capivari de Baixo



Fonte: Assessoria de Imprensa Parque Ambiental

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Culinária capixaba no próximo Sabores do Brasil, domingo

A gastronomia capixaba é o tema da próxima edição do Festival Sabores do Brasil, que acontece no domingo (27/09), nos Restaurantes Sesc em Santa Catarina. O evento conta com cardápio típico e programação cultural diferenciada. A herança pesqueira e indígena define os pratos desta cozinha originária do estado do Espírito Santo, mas que também tem grande influência de estados vizinhos e de colonizadores europeus, em especial os italianos. No último domingo de setembro a cozinha capixaba trará toda sua mistura histórica para os restaurantes do Sesc. O público poderá saborear pratos como: Moqueca capixaba, Pastel de Siri, Torta de palmito, Sobrecoxa desfiada com polenta cremosa, Péla-égua (canjiquinha com costela de porco), Pudim de queijo e Muxá (canjica com coco).
O evento Sabores do Brasil acontece todo o último domingo de cada mês, e neste ano celebra a miscigenação da culinária brasileira. Com mais de 500 anos de história, o Brasil possui grande mistura de tradições, que resultam numa culinária diversificada, com ingredientes que foram introduzidos não só pelos índios nativos, mas também pelos imigrantes da época. É possível encontrar, em cada região do país, peculiaridades incríveis devido às diferenças climáticas, de vegetação e também de povos que as habitam.
Nos próximos meses poderão ser apreciados pratos da culinária alemã (outubro), mexicana (novembro) e baiana (dezembro). O público poderá degustar deste mosaico cultural e gastronômico do Brasil – variado, democrático, multicultural e saboroso. O valor do quilo do Buffet varia de acordo com o local (veja abaixo a relação dos restaurantes). De acordo com a coordenadora de Saúde do Sesc em Santa Catarina, Jéssica da Luz Pereira Pucci, "a gastronomia brasileira é democrática e capaz de agradar os mais exigentes paladares."
Mais informações e valores em http://portal.sesc-sc.com.br/evento/768.
Restaurantes Sesc:
Sesc em Balneário Camboriú (Almoço)
Avenida Central, 360
Centro – Balneário Camboriú/SC
Fone: (47) 3248-4807
Sesc em Blumenau (Almoço)
Rua Ingo Hering, 20, sala 07, Shopping Neumarkt
Blumenau/SC
Fone: (47) 3322-5261
Sesc em Brusque (Almoço)
Rua Arno Carlos Gracher, 211
Centro – Brusque/SC
Fone: (48) 3351.2599
Sesc em Florianópolis (Estreito) (Almoço)
Rua Santos Saraiva, 289
Estreito – Florianópolis/SC
Fone: (48) 3244-1370
Sesc em Florianópolis (Prainha) (Almoço)
Trav. Siryaco Atherino, 100
Centro – Florianópolis/SC
Fone: (48) 3229-2200
Sesc em Jaraguá do Sul (Almoço)
Rua Jorge Czerniewicz, 633
Jaraguá do Sul/SC
Fone: (47) 3275-7800
Sesc em Joinville (Almoço)
Rua Itaiópolis, 470
Centro – Joinville/SC
Fone: (47) 3441-3300
Sesc em Lages (Coral) (Almoço)
Avenida Presidente Vargas, 678
Coral – Lages/SC
Fone: (49) 3225-1482
Sesc em Laguna (Almoço)
Rua Tenente Bessa, 211
Centro – Laguna/SC
Fone: (48) 3644-0152
Sesc em Tubarão (Almoço)
Rua Antonio Hülse, 411
Dehon – Tubarão/SC
Fone: (48) 3626-0146
Hotel Sesc em Blumenau (Almoço)
Rua Eng. Udo Deeke, 1330
Salto do Norte – Blumenau/SC
Fone: (47) 3334-8100
Hotel Sesc Cacupé em Florianópolis (Almoço)
Rod. Haroldo Soares Glavan, 1670
Florianópolis/SC
Fone: (48) 3231-3200
Sesc Pousada Rural em Lages (Almoço)
Rod. SC – 425 km 4,5 – Rincão Comprido 
Zona Rural do Distrito de Índios – Lages/SC 
Fone: (49) 3224-9988

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Nossos olhares

Você pensa que eu queria ser uma âncora
Mas eu queria ser uma pluma
Pra ficar planando irresponsável pelo teu rosto
E te fazer rir e se inquietar

Você me diz que eu queria ser um porto
Mas eu sei que queria ser uma vela
Pra me estufar de vento e poder
Bem pra longe te levar

Você me acusa de querer ser uma algema
Mas não sabe que eu já nasci pássaro
Só queria ser maior
Pra nas costas poder nos voos

Sempre te carregar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Depressão x Suicídio

Por Liti Marguerita

Engajado na campanha pela vida e pela saúde mental proposta pelo Setembro Amarelo, o Resenhas Femininas traz hoje um texto da psicóloga Bárbara Felisbino falando sobre depressão e suicídio. Quero dizer que, como jornalista, desde a faculdade sempre ouvi e aprendi que a imprensa evita falar de suicídio, pois pesquisas apontam que, quando se publica uma notícia sobre o assunto, o índice de suicídios aumenta.

Hoje, analisando, creio que a questão não é falar sobre suicídio ou não, mas sim como abordar o tema. Questiono a utilidade de se publicar que uma pessoa cometeu este ato, pois não se trata de um crime que será investigado e que requer sim um acompanhamento da sociedade. O tabu de não falar a palavra suicídio, porém, eu acho muito questionável, visto que existem mitos que precisam ser tratados sobre o tema, como aquele de que “quem quer se matar não avisa”.


Muitos profissionais da área da saúde mental apontam que as pessoas avisam sim, com palavras, com atos, de várias formas que podem ser identificadas, e a família e amigos podem ajudar esta pessoa a buscar ajuda. Neste intuito, de ajudar e esclarecer, Bárbara hoje fala sobre este tema. 


Depressão x Suicídio
Por Bárbara Felisbino
Beco sem saída? Problemas que parecem não ter solução? Encruzilhada? Visão negativa sobre a vida e sobre si mesmo?
Tudo isso é indicativo de uma pessoa com depressão, uma das maiores causas de suicídio na atualidade. Uma pessoa com depressão se sente tão isolada que acaba criando um mundo paralelo, onde tudo o que tinha vida agora está sem cor, a vida fica literalmente preto e branco.
Dizer para uma pessoa com depressão que isso é bobagem, falta do que fazer, que é mente vazia, é um grande erro.
Muitas vezes, confundida com tristeza, o depressivo não consegue reconhecer que está doente e as pessoas ao seu redor, muitas vezes acreditam que ele está com stress ou com muitas atividades.
Geralmente, quando procura atendimento especializado, já está com a doença instalada há algum tempo.
O uso de medicação e terapia fazem parte do tratamento adequado à doença.
Alguns sinais são indicativos da depressão tais como:
* tristeza recorrente há mais de 6 semanas;
* apatia;
* falta de desejo ou vontade de exercer atividades diárias;
* perda da libido;
* alteração do apetite;
* alteração do sono;
* choro fácil;
* angustia;
* falta de energia;
* sentimento de culpa e inutilidade;
* vontade de morrer.
Um dos maiores receios está ligado a esse último sintoma, a vontade de morrer pode ser tão grande que a pessoa pensa e planeja a própria morte como única solução de todos os seus problemas.
Os familiares precisam estar atentos durante o tratamento e levar a sério quando ouvem o doente (sim, depressão é doença), afirmar que quer morrer ou que vai se matar.
Muitas vezes, o depressivo acaba tentando dar fim ao sofrimento com o suicídio. As tentativas podem ser um pedido de socorro, para que a família possa voltar um pouco de sua atenção ao parente ou amigo.
No entanto, uma dessas tentativas pode ter um fim doloroso, deixando dessa forma, várias pessoas desoladas e com sentimentos de culpa por não terem levado a sério as ameaças anteriores.
Dica do dia: prestar atenção aos seus sentimentos e procurar ajuda se sentir que precisa de cuidados.
A vida é preciosa e única! Vamos valorizar o bem estar e a saúde emocional!

domingo, 13 de setembro de 2015

Nova receita: panquecas

Domingo não tem nada melhor que uma receitinha prática e deliciosa pra alegrar a vida, não é mesmo?

Então lá vai o super mega segredo das fantásticas panquecas da Liti Marguerita. Bom, na verdade, elas não têm segredo nenhum, pois se tratam apenas de farinha, ovos, margarina, leite e sal. Sim, é só isso. E sim, todo mundo ama.

Na verdade, o que faz a panqueca ficar decente é você ter uma boa frigideira, que não grude e que não seja necessário ficar colocando óleo. Eu, por exemplo, não coloco óleo pra fazer panqueca, só quando estou fazendo para um batalhão e começa a grudar demais da conta, como diria uma amiga mineira. Nesse caso eu coloco uma micro gota de óleo só pra constar.

Vamos à receita com detalhes de quantidades.

Panqueca (cerca de 10 unidades):

1 xícara e meia de farinha de trigo;
1 xícara de leite;
2 ovos;
4 colheres de sopa de margarina (ou manteiga);
Sal a gosto.

Bom, eu sei que tem gente que bate com ovos, faz sei lá o que com margarina, etc, etc, mas eu não sou chef, então eu só jogo essas coisas todas aí em cima no liquidificador e bato. Bato, bato até ficar homogêneo, olha que palavra bonita. Às vezes não vai ser tão fácil quanto parece, porque a farinha pode ficar no fundo do copo do liquidificador (especialmente se for um bem simples, como o meu), mas aí você desliga, mexe com uma colher, sacode, enfim dá um jeito da massa misturar. Lembrando que ela tem que ficar com uma consistência mais líquida digamos assim (não que você possa colocar num copo e beber, mas não muito consistente, se não você não vai conseguir fazer as panquecas decentemente).

Com a massa pronta, você esquenta a frigideira. Eu não sei se é o tecnicamente correto segundo as leis da culinária, mas eu uso fogo baixo por motivos óbvios – não quero queimar as panquecas. E não, eu não sei atirar elas pra cima e virar milagrosamente, então eu levanto  a massa com uma espátula ou colher e viro, e ninguém fica triste por isso.

Pra fazer panquecas mais finas, você tem que colocar a massa no centro da frigideira, sem exagerar e ir espalhando, mexendo a frigideira para os lados, até que ela se expanda.

E suas panquecas estão prontas!

Agora, você pode e deve soltar sua criatividade para rechear as bichinhas. Entre as salgadas, você pode fazer o clássico: aquele guisadinho (carne moída para os leigos) de pastel e usar para rechear, ou fazer de queijo. Tem gente que joga molho vermelho ou branco por cima e gratina. Eu gratino (as salgadas), mas sem molho por cima.

E também gosto de inventar recheios. Na última vez que fiz, servi panquecas de queijo com linguiça calabresa e de queijos (gorgonzola, mussarela* e catupiry). A criação é livre. Como vai queijo, eu coloco no forno antes de servir.

No caso das doces, você pode fazer de um tudo, mas eu gosto de optar pelo prático: geleias, doce de leite, nutella, paçoquinha cremosa... Simplesmente coloco as panquecas na mesa, as opções de doces em seus potes mesmo, muitas facas sem ponta e liberdade para que cada um misture como bem quer. Já fiz também panqueca de chocolate – coloquei pedacinhos de chocolate dentro da panqueca e derreti no forno. Hummmm! É tudo uma delícia e o que eu mais gosto é da liberdade que a panqueca nos proporciona! Então, aproveite e invente as suas!


*Sei que muitos dicionários indicam a grafia correta como muçarela ou mozzarella, mas optei pela forma que o “erro consagrou” porque acho interessante a ideia de renascer a partir dos nossos erros. J

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Trabalhando em um navio

*introdução de Liti Marguerita

Sempre sonhou em viajar pelo mundo todo? E que tal fazer isso trabalhando e ganhando em dólar? Trabalhar em cruzeiros é um sonho possível e que proporciona muitas experiências e vantagens. Também há outros aspectos, porém, não tão positivos, que devem ser considerados para quem pensa em apostar nesse tipo de trabalho. Quem nos conta tudo bem detalhadamente é a minha colega e amiga, a jornalista Karen Novochadlo, que hoje está em algum lugar do mundo, trabalhando em um navio e diretamente dele escreveu um post para o Resenhas Femininas. No Diário do Sul de hoje, também foi publicada uma reportagem que eu fiz com a Karen, para quem quiser conferir basta clicar neste link.  Abaixo, o relata da Karen pro Resenhas.


Por Karen Novochadlo

Eu estava cansada da minha rotina no Brasil. Trabalhava de manhã, tarde e à noite para ter um salário que não me daria as oportunidades que eu desejava. Também estava ficando doente com a minha rotina. Eu precisava mudar a minha vida completamente. Neste instante comecei a pensar em trabalhar em um navio. No começo, era apenas uma fantasia, mas ao passar do tempo, começou a se materializar. Eu pesquisava em blogs e sites sobre a experiência. Quando percebi, já havia me inscrito em uma agência de recrutamento de Curitiba. 

Fiz a primeira entrevista via Skype e passei. Em seguida, fiz testes de inglês, fotografia e a entrevista final com um representante da cia. Fui aprovada. Após fazer os cursos necessários, era só esperar a data de embarque. Os cursos eram em um outro município. Fiquei hospedada na minha madrinha.

A data de embarque demorou um pouco a sair. Primeiro foi para o Favolosa, depois Mediterrânea e, finalmente, Pacífica.  Embarquei no dia 28 de abril. Mas para chegar ao navio, precisei me deslocar mais de 120 quilômetros até o aeroporto, pegar três aviões e um táxi. Dormi duas noites em hotéis. O primeiro foi uma precaução para não perder o primeiro avião. O deslocamento e o último hotel foram pagos pela cia.

Entrar no navio pela primeira vez foi um misto de nervosismo e entusiasmo. Era muita informação ao mesmo tempo. E, na primeira semana, tive dificuldade de me acostumar com o inglês pronunciado por pessoas de diferentes nacionalidades. Tive uma série de treinos também. Mas tudo valeu a pena. 

No meu primeiro cruzeiro, fizemos o báltico. Passamos por Letônia, Estônia, Rússia, Suécia, Polônia,
Lituânia, Finlândia. O embarque de passageiros foi na Alemanha. Fizemos este roteiro por um mês. Pude aproveitar a noite russa em overnights. A Rússia, mais precisamente São Petersburg, é muito bonita, principalmente pela noite. Fui a clubes, dancei bastante e provei a vodka. Até experimentei o famoso caviar, que não agradou muito o meu paladar. Também amei Estocolmo, uma cidade repleta de eventos culturais. Rolou até maracatu executado por suecas em um dos dias que estive lá.

Depois de 30 dias de báltico, fizemos a Noruega. Acredito que se não fosse por este trabalho, nunca teria pisado nesta terra fantástica, com belos fiordes. Na terra do sol da meia-noite, visitei o ponto mais extremo ao norte da Europa (North Cape). Também vi a neve em Geiranger. Além de ir a um bar de gelo. Nunca passei tanto frio durante um verão. Em breve, devo ir a Grécia, Itália e Israel. Encerro meu contrato no Brasil.

No navio, vivemos uma realidade diferente. Temos nossas próprias gírias e os sentimentos são intensificados. Você não namora no navio, e sim, casa. Quando percebe, já lavam até as roupas juntos e dividem as contas. Não que você precise comprar muita coisa; a cia dá cinco refeições por dia.

Não é uma vida fácil e nem para todas as pessoas. É preciso saber lidar com a falta dos amigos e da família. E até mesmo dos colegas de trabalho que desembarcam durante o seu contrato.  Você não tem dias livres, mas pode fazer o que quiser quando não está no seu turno.

Eu embarquei como fotógrafa. Não é um trabalho que te dá muito dinheiro. O pessoal do bar e restaurante recebe muito mais dinheiro, porém tem menos tempo livre. Eu tenho a possibilidade de conhecer todos os portos. Como fotógrafa, eu faço fotos dos passageiros em estúdio, dentro dos restaurantes, excursões, saída do navio e outras ocasiões.