sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Trabalhando em um navio

*introdução de Liti Marguerita

Sempre sonhou em viajar pelo mundo todo? E que tal fazer isso trabalhando e ganhando em dólar? Trabalhar em cruzeiros é um sonho possível e que proporciona muitas experiências e vantagens. Também há outros aspectos, porém, não tão positivos, que devem ser considerados para quem pensa em apostar nesse tipo de trabalho. Quem nos conta tudo bem detalhadamente é a minha colega e amiga, a jornalista Karen Novochadlo, que hoje está em algum lugar do mundo, trabalhando em um navio e diretamente dele escreveu um post para o Resenhas Femininas. No Diário do Sul de hoje, também foi publicada uma reportagem que eu fiz com a Karen, para quem quiser conferir basta clicar neste link.  Abaixo, o relata da Karen pro Resenhas.


Por Karen Novochadlo

Eu estava cansada da minha rotina no Brasil. Trabalhava de manhã, tarde e à noite para ter um salário que não me daria as oportunidades que eu desejava. Também estava ficando doente com a minha rotina. Eu precisava mudar a minha vida completamente. Neste instante comecei a pensar em trabalhar em um navio. No começo, era apenas uma fantasia, mas ao passar do tempo, começou a se materializar. Eu pesquisava em blogs e sites sobre a experiência. Quando percebi, já havia me inscrito em uma agência de recrutamento de Curitiba. 

Fiz a primeira entrevista via Skype e passei. Em seguida, fiz testes de inglês, fotografia e a entrevista final com um representante da cia. Fui aprovada. Após fazer os cursos necessários, era só esperar a data de embarque. Os cursos eram em um outro município. Fiquei hospedada na minha madrinha.

A data de embarque demorou um pouco a sair. Primeiro foi para o Favolosa, depois Mediterrânea e, finalmente, Pacífica.  Embarquei no dia 28 de abril. Mas para chegar ao navio, precisei me deslocar mais de 120 quilômetros até o aeroporto, pegar três aviões e um táxi. Dormi duas noites em hotéis. O primeiro foi uma precaução para não perder o primeiro avião. O deslocamento e o último hotel foram pagos pela cia.

Entrar no navio pela primeira vez foi um misto de nervosismo e entusiasmo. Era muita informação ao mesmo tempo. E, na primeira semana, tive dificuldade de me acostumar com o inglês pronunciado por pessoas de diferentes nacionalidades. Tive uma série de treinos também. Mas tudo valeu a pena. 

No meu primeiro cruzeiro, fizemos o báltico. Passamos por Letônia, Estônia, Rússia, Suécia, Polônia,
Lituânia, Finlândia. O embarque de passageiros foi na Alemanha. Fizemos este roteiro por um mês. Pude aproveitar a noite russa em overnights. A Rússia, mais precisamente São Petersburg, é muito bonita, principalmente pela noite. Fui a clubes, dancei bastante e provei a vodka. Até experimentei o famoso caviar, que não agradou muito o meu paladar. Também amei Estocolmo, uma cidade repleta de eventos culturais. Rolou até maracatu executado por suecas em um dos dias que estive lá.

Depois de 30 dias de báltico, fizemos a Noruega. Acredito que se não fosse por este trabalho, nunca teria pisado nesta terra fantástica, com belos fiordes. Na terra do sol da meia-noite, visitei o ponto mais extremo ao norte da Europa (North Cape). Também vi a neve em Geiranger. Além de ir a um bar de gelo. Nunca passei tanto frio durante um verão. Em breve, devo ir a Grécia, Itália e Israel. Encerro meu contrato no Brasil.

No navio, vivemos uma realidade diferente. Temos nossas próprias gírias e os sentimentos são intensificados. Você não namora no navio, e sim, casa. Quando percebe, já lavam até as roupas juntos e dividem as contas. Não que você precise comprar muita coisa; a cia dá cinco refeições por dia.

Não é uma vida fácil e nem para todas as pessoas. É preciso saber lidar com a falta dos amigos e da família. E até mesmo dos colegas de trabalho que desembarcam durante o seu contrato.  Você não tem dias livres, mas pode fazer o que quiser quando não está no seu turno.

Eu embarquei como fotógrafa. Não é um trabalho que te dá muito dinheiro. O pessoal do bar e restaurante recebe muito mais dinheiro, porém tem menos tempo livre. Eu tenho a possibilidade de conhecer todos os portos. Como fotógrafa, eu faço fotos dos passageiros em estúdio, dentro dos restaurantes, excursões, saída do navio e outras ocasiões.