sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O outubro negro


O mês de outubro está chegando ao fim e é desde o início do mês que eu venho me cobrando este texto. Outubro é o mês de falarmos da prevenção em relação ao câncer na mulher. É mês de vestir rosa e espalhar aquelas lindas fitinhas rosinhas pelo face e por tudo, pra dizer pra todos nós e enfiar nas nossas cabecinhas que tem sim que ter tempo pra fazer mamografia, que tem sim que ter tempo pra fazer preventivo, que precisamos nos cuidar mais e não brincar com assunto sério.

Acho uma campanha super válida e poderia colocar aqui o artigo de uma ginecologista, ou fazer uma matéria sobre prevenção, etc, etc.

Acontece que, neste ano, meu outubro foi diferente. No primeiro dia do mês do outubro, às 6h15, eu, minha irmã e minha mãe estávamos na porta do Hospital Nossa Senhora da Conceição, uma malinha e uma sacola de exames nas mãos.

Pouco tempo depois, eu e minha irmã burlamos as normas de que somente um acompanhante poderia ficar com o paciente e nos fizemos de loucas entrando as duas no elevador com uma enfermeira e mais uma porção de outros pacientes e seus acompanhantes.

Às 7h, nós já estávamos num lugar chamado de sala de espera da cirurgia, onde nós e outras pessoas sonolentas e angustiadas esperávamos. Assim começou meu outubro negro.

Foi uma ironia que a cirurgia de mastectomia da minha mãe tenha sido marcada justamente para o primeiro dia do mês dedicado à prevenção do câncer de mama.  Isso porque minha mãe mesmo não tem medo nenhum de dizer que, se não descobriu a doença logo no começo, e sim quando ela já estava com dois nódulos de tamanho considerável na mama direita foi por falta de prevenção.

“Eu não me cuidei. Não posso me queixar agora, nem me sentir injustiçada por nada, porque sei bem da minha culpa”, diz ela pra mim.

Não que ela esteja se arrastando por aí e se queixando. Se você ver minha mãe caminhando pela casa de manhã e reclamando como sempre, fazendo várias de suas “artes”, você vai pensar: “a Litiane inventou essa história, essa mulher nem está com câncer nada”.

Quisera eu que fosse. Quisera eu que esse fosse um de meus contos. Mas não esse. Essa é a vida real.
Naquele primeiro dia de outubro, tudo deu certo. Eu não queria começar a pegar aquele telefone que estava na minha frente e dizia algo tipo “para obter informações sobre pacientes em cirurgia ligue XXX”.

Isso porque, além do aviso pedir nada sutilmente, em letras garrafais, para não ligar antes de três horas de cirurgia (o SUS é de uma delicadeza incrível), eu não queria começar a ligar e ouvir que ainda não havia notícias. Isso porque eu sei que cada vez que dizem “ainda não tem notícias, senhora”, eles roubam todas as suas esperanças de ouvir “está tudo bem não se preocupe”, que era o que seu coração mais desejava.

Sei disso porque aquele não foi meu primeiro momento negro. Eu já passei por isso, sabe. Passei na cirurgia do meu avô, passei nas duas cirurgias do meu pai. Por motivos que certamente não são apenas uma palhaçada do universo (afinal eu acredito que existe sentido nessa coisa toda), meu avô e meu pai também tiveram câncer.

Antes, porém, minha mãe estava lá. Ela estava passando pela angustia de esperar um ente amado em uma cirurgia junto comigo. Ela só não pode estar naquele 1º de outubro, porque nesse dia, era ela quem estava no centro cirúrgico.

Então eu não queria ligar e me ocupei dando uma organizada básica naquela sala de espera, atendendo o telefone, procurando os parentes solicitados, explicando as regras aos recém-chegados, esclarecendo dúvidas. Quase consegui um cargo de gerente da sala de espera, uma pena que ele não exista, até porque nós estávamos precisando de alguém pra ir ali nos dar uma ajuda às vezes, mas estávamos completamente entregues a nossa própria sorte, porque do hospital mesmo ninguém aparecia. Uma sorte que as pessoas, em suas dores e angustias, se ajudam.

Chegou um momento, porém, em que alguém falou: “dá pra ligar pra saber notícias também, né?”. 

No mesmo minuto todo mundo olhou pra mim. Como gerente da sala de espera não pude me omitir. Mas como ia ligar, não podia deixar de perguntar da minha mãe, por mais medo que tivesse de não ter notícias.

Mas Deus foi tão generoso comigo que, ao perguntar pela primeira vez eu ouvi logo o inusitado. “Ah, ela já está na recuperação, já está acordada e vai descer pro quarto em uns 15 minutos”.

Você pode me perguntar então: nossa, Liti, se tudo deu certo, se sua mãe está se recuperando bem, porque você colocou o nome dessa crônica de outubro negro? Isso é mórbito, isso assusta, isso é de mau gosto.

Eu estou completamente certa de que minha mãe vai vencer esse câncer. Estou convicta de que ela vai aprender com ele o que tem que aprender e vamos tocar nossas vidas, melhores do que antes.

Mas esse outubro de 2015 foi sim um outubro negro. Não venha me dizer que tem coisa pior, não venha me dizer que se eu tenho fé não posso falar assim, não venha me dizer nada. Apenas me ouça. Porque o que eu tenho pra dizer é importante.

Ninguém quer um câncer na sua vida. Seja ele no seu corpo ou no de alguém que você ama. Se por algum motivo bizarro qualquer você acha que quer, acredite em mim, você não quer. Vai lembrar que lhe avisei quando estiver com dor, quando estiver passando por cirurgia, quando estiver sem cabelos, quando estiver fazendo radio e/ou quimioterapia.

É claro que pode acontecer de você perceber que uma doença qualquer te ajudou a se tornar uma pessoa melhor em função dos valores, dos ensinamentos, de uma série de coisas, mas se você puder aprender tudo isso sem passar por essa dor tamanha, ah meu amigo, você vai preferir.

Então faça o favor de se prevenir. Vá fazer essa droga de Papanicolau, vá fazer mamografia. Se você é homem, cuide da sua próstata mesmo que isso possa ferir seu orgulho naquele examezinho danado de ruim. Você nem precisa contar pra ninguém.

Se você não tem grana pra fazer exames particulares, nem plano de saúde, exija seus direitos no SUS. O serviço público não é gratuito, você paga impostos até pra comer um pão. O SUS tem que disponibilizar prevenção, e se houver omissão, vá pros jornais, pra justiça, pro face, abra um bocão.

Mas cuide do seu corpo, que é a casa temporária da sua alma. Não deixe o cuidado pra depois. 
Porque todo outubro com câncer é negro. Porque sofrer é uma merda. Porque ver quem você ama sofrer é uma merda. Então se tem uma maneira de você fazer com que o sofrimento seja menor, detectando o câncer de forma precoce, faça isso.

Eu demorei até quase o último dia de outubro pra escrever esse texto por um motivo. Eu não consigo dizer como me sinto. Eu escrevi sobre o caso da minha mãe no jornal. Eu sentei na frente dela e a entrevistei, depois sentei e escrevi uma reportagem de uma página sobre a história de minha mãe e sobre câncer de mama. Eu gravei um vídeo com ela falando sobre isso.

Tudo isso eu posso fazer, e nós fizemos na intenção de que isso possa ajudar outras mulheres a não deixar pra depois, como ela deixou. Mas eu não posso dizer como me sinto diante da luta que estamos travando.

Não sei falar do que sinto quando penso na quimioterapia, nos exames futuros, nos próximos passos. 

Não posso fazer isso. E nem vou. Vou dizer apenas que o outubro negro está chegando ao fim. Sei que não será novembro, talvez não dezembro nem mesmo janeiro, mas quem sabe eu possa sonhar com um fevereiro rosa. Ou março. Só sei que vou sonhar. Vou sonhar com o momento em que eu possa escrever – vencemos.

Mas eu sei que até lá vai haver sofrimento. Então, dentro da pele de quem está sofrendo, eu te peço: se você pode evitar, não deixe de fazer isso. Se você pode não sofrer, não escolha o sofrimento.
Uma vida rosa é o que queremos para todos nós.

E com a palavra, dona Nara:





terça-feira, 27 de outubro de 2015

Sobre opiniões e coices

Eu sou uma pessoa analítica. Sempre foi assim. Sempre fui aquela que ficava mais quieta na sala de aula, ouvindo, olhando, pensando. Não apenas na matéria, mas no jeito do professor, nas conversas paralelas, no jeito que cada colega se posicionava.

Você pode não acreditar nisso, porque sou uma pessoa que fala muito, hoje em dia. Minha mãe pode atestar que nem sempre foi assim. Quando eu era pequena, você tinha que praticamente mandar um memorando solicitando se quisesse saber o som da minha voz.

Mas hoje eu falo muito, mas não se engane. Eu estou analisando sempre. É cansativo. Não quer dizer que estou sempre cuidando da vida dos outros, na verdade é muito diferente. Eu gosto de avaliar mais profundamente antes de sair formando opiniões sobre qualquer coisa que seja.

Ilustra isso uma das minhas primeiras entrevistas de emprego, na qual tinha uma daquelas insuportáveis dinâmicas, na qual tínhamos que debater um assunto qualquer. O tema foi dado e tínhamos que debater, ou melhor, sair falando qualquer coisa pra impressionar, mostrar que tem opinião, ou seja lá o que for que se espere de alguém em uma entrevista de emprego.

E eu fiz o que? Isso mesmo, fiquei ali olhando o debate e pensando. Uma opinião me parecia bem lógica, mas algum argumento contrário me pegava de jeito, aí uma experiência pessoal se misturava, e eu estava lá, montando o quebra cabeça da minha opinião quando uma candidata me apontou um dedo assustador.

Depois de muito refletir avaliei que ela deveria ser uma recrutadora infiltrada, mas o fato é que ela disse: “e você, Litiane? Qual sua opinião?”. Fez-se silêncio. Todos olharam para mim. E eu, calmamente, respondi: “eu estou formulando a minha opinião”.

Isso deve pegar mal em uma entrevista de emprego – até porque não fui contratada-, mas não deveria. Não deveria porque no momento que estou pensando, analisando, mudando, pesando argumentos, antes de formular uma opinião, significa que não estou saindo por aí dando qualquer opinião, apenas por dar, e, melhor ainda, que não estou aí repetindo “pré-conceitos”, embora eu queira que fique claro que toda opinião tem a influência de outras já existentes.

Mas eu pensei sobre ela. Refleti. Avaliei. Pesei. Joguei uma parte ruim fora, guardei uma parte boa, misturei com a parte daquela outra, tive uma ideia própria baseada em vivência e observação e acrescentei e “boom”, fez-se a minha opinião.

Como não ouvi tudo que existe sobre o assunto, nem vivi toda sorte de experiências que possam influenciar em minhas opiniões, no futuro, posso reformular aquela opinião.

Sim, estou dizendo que posso mudar de opinião. Sim, estou dizendo que não tem nada de problemático nisso. Sim, eu estou dizendo que isso é bom e faz parte da nossa evolução. Aliás, é um sinal dela.

Quando eu era muito jovem (porque jovem ainda sou, você pode ver pela minha cara de Barbie), eu tinha uma série de opiniões ferrenhas. Opiniões que eu defendia até a morte. Opiniões que, com a experiência que só essa coisa linda e apavorante que é a vida nos dá, foram se adequando, se moldando, se reformulando, crescendo, mudando.

Mudar não é ter cabelo preto e aparecer descolorida. Nada de errado se assim for bom pra você, mas mudança também vale se você tiver cabelo preto e aparecer com ele castanho médio. Ou se continuar com ele preto, mas fizer outro corte.

Mudanças não precisam ser da água pro vinho. Eu mantinha um namoro de seriedade intensa com o comunismo quando estava na faculdade (e antes que você pense em me tascar um rótulo de doidona maconheira, leia um pouco sobre o que é comunismo, de fato), mas, hoje, embora eu ainda ache que talvez seja um regime  quase ideal para se viver, eu percebo que ele tem falhas. E a maior delas é a falta da percepção de que talvez não estejamos tão evoluídos a ponto de viver nesse regime quase ideal.

Eu não conseguia ver nada de bom no capitalismo (tá bom, eu sempre gostei de Mac Donald´s, então quase nada), e hoje eu acho que talvez o capitalismo não seja o problema, mas sim o quanto nos agarramos nele pra defender uma desigualdade que nunca poderá ser justa.

Enfim, a essência do meu pensamento não mudou, mas o ponto de vista se ampliou.

Como uma pessoa que analisa muito, as redes sociais são um prato cheio. E o que eu tenho visto é uma coisa que me dá vontade de bater a cabeça na parede até abrir (a parede). Essa coisa de opiniões prontas, baseadas em nada, quase compradas na loja de departamento.

E quando eu vejo isso, penso duas coisas: ainda preciso evoluir muito, porque não posso ficar me exasperando com as dificuldades alheias, mas sim tentar ser útil para ajudar e a outra é, no dia a dia, como fugir da ditadura da opinião?

De repente, você tem que ter opinião sobre tudo. Até sobre o que nunca ouviu falar. Afinal, meu Deus, como assim você não ouviu falar? Meu Deus, você está ultrapassado!!

Em tudo você tem que dar opinião. Palpitar. Debater, mas, muitas vezes, não um debate saudável, mas sim algo agressivo, que beira a briga (isso quando não vira um barraco mesmo). Tipo, você vai no facebook da pessoa, insinua que ela é burra, esculacha toda a criatura e, pra mostrar civilidade, coloca no final: “grande beijo!” Se você chegou a ofender a criatura, você acrescenta “apareça pra beber uma”.

Isso me soa quase como uma intimidação. Eu denunciaria essa pessoa na delegacia. Sério! A pessoa me xinga toda e depois coloca um “apareça”. Soa como “vem aqui sua vaca, que aí eu te enforco, sua ignorante burra”.

Mas isso não me acontece muito e eu sei bem o porquê. As pessoas têm medo de mim. Tenho consciência do quanto posso parecer ameaçadora. Eu estou trabalhando duro pra ser mais sutil quando me expresso, mas é um processo lento. E mais lento ainda porque se você for intimidadora com uma pessoa uma vez e super fofa 100 vezes, em 90% dos casos essa pessoa vai dizer: “a Litiane? Nossa, tenho medo dela, ela é maior intimidadora”.

Faz parte. Espero que você esteja com pena de mim e espalhe por aí que eu sou super fofa, embora às vezes um pouco enfática demais.

Enfim, o que acho que tentei dizer com tudo isso foi que não precisamos ter opiniões extremas, absolutas em si mesmas, fechadas. Vou dar o exemplo da política porque é o mais óbvio. Você pode ser de direita, mas isso não quer dizer que tudo que a direita prega seja maravilhoso. Não quer dizer que tudo que a esquerda traz seja lixo. Ou você pode ser de esquerda, mas admitir que nem sempre tudo que a esquerda faz é maravilhoso e muitas vezes há erros evidentes. E você também pode não ser nenhum dos dois e ainda assim não ser burra e alienada.

Isso é bem simples. Pode ser assim com a questão religiosa também. Você pode ser ateu, mas não precisa dizer que toda (e ainda enfatizando bem o TO-DA) religião é exploradora, ruim ou errada. Não precisa achar que todo crente (no sentido de crer em Deus) é bitolado, imbecilizado ou careta. Você pode se permitir conhecer um pouco as ideias de uma pessoa que tem religião e ver que, mesmo que você continue sendo ateu, há princípios em uma religião que podem ser bacanas até pra quem não tem religião.

Assim como você pode se permitir analisar, pensar e conhecer algumas pessoas sem religião que entendem e vivem a caridade muitíssimo mais que pessoas que têm religião.

Você não precisa pegar sua opinião comprada na loja de marca ou de R$ 1,99 e se fechar num quarto e ficar atacando outros através de um computador. Você pode ler o que está escrito ali, refletir e, quem sabe, até melhorar muito sua opinião e sua vida.

E não pense que porque eu estou aqui escrevendo isso eu sou a musa da boa vontade e não me irrito profundamente com opiniões que me parecem absolutamente patéticas, pequenas, ridículas, nojentas, que vejo por aí.

Como já disse, vejo opiniões que tenho vontade de me atirar no chão e bater os punhos até doer. E muitas vezes, reajo mal a essas opiniões e solto um de meus famosos coices. Quem já tomou um sabe, porém, que eles normalmente vêm com um assoprinho arrependido.

Não estou dizendo que sou perfeita. Não estou insinuando que você tem que ser perfeito, ou mesmo não ter opinião, ou mesmo não dar opinião. Apenas se abra. Olhe com amor para o outro e tente ver se ele não pode te acrescentar algo. E, naqueles casos complicados (porque eles existem) você pode rezar pela pessoa, ou, se você não for de reza, se apiedar dela. Talvez até emitir uma opinião tentando contribuir, mas não precisa dar um coice. Um coice deixa marcas que assopros não apagam.


E não tenha medo nem vergonha de mudar de opinião. Não há nada de errado em se modificar. Como já dizia Raul:


domingo, 25 de outubro de 2015

Paisagismo bonito com uso inteligente da água

Por Daniela Sedo
Arquitetura e Paisagismo

Dentre os diversos problemas que podemos enfrentar com a falta de água, alguns podem impactar diretamente na beleza do jardim e ao mesmo tempo, trazer um gasto em excesso sem que haja necessidade para tal. É importante ficar atento para não desperdiçar este recurso natural, e até mesmo em locais que ainda não foram afetados pelo problema, devem manter os cuidados. O que se deve fazer para conseguir manter o paisagismo e colaborar com a economia?

O primeiro passo é avaliar o jardim e as espécies de plantas, que podem necessitar ou não de regas frequentes. A rega pode ser feita apenas três vezes por semana nos casos de jardim que eram regados todos os dias; Mas se o costume era de três dias alternados, pode-se reduzir em duas vezes por semana. Assim as plantas recebem a água necessária sem prejudicar o reservatório de água.

A escolha das plantas também é algo que causa impacto no volume de água consumido nos cuidados do jardim. Por exemplo, espécies tropicais necessitam de mais rega do que espécies de origem européia: palmeiras necessitam de mais água do que pinheiros, e heliconias necessitam de mais água do que buxinhos. Ao idealizar um novo jardim, é indicada, para algumas espécies, a utilização de um gel durante o plantio que absorve a água e se expande, liberando o líquido gradativamente ao longo de aproximadamente 20 dias. Ou seja, a água não é desperdiçada no solo porque se mantém na raiz. É importante, porém, ficar atento para algumas plantas que não podem receber esse gel, pois podem acabar apodrecendo por causa do excesso de umidade.

O período de planejamento que antecede o início das obras para construir um novo jardim é o melhor momento para definir o uso de um sistema de reutilização, ou de aproveitamento de água da chuva, já que nesta etapa é possível dimensionar previamente o volume do reservatório em relação ao tamanho do jardim e às necessidades específicas de cada espécie. Mas fazer este tipo de obra em um jardim já pronto pode ser complicado, e em alguns casos seria inviável economicamente. Uma alternativa é fazer a captação da água da chuva através de calhas nos telhados que levam o líquido para uma cisterna, que pode ser encontrada em lojas de materiais de construção. Essas cisternas devem ter os filtros necessários para eliminação da sujeira e, em alguns casos, uma bomba também é indicada para levar a água reaproveitada para torneiras externas e sistemas de irrigação do jardim.

Durante períodos de escassez a maior preocupação com a água é evitar o desperdício e buscar por alternativas que beneficiem não somente a beleza do jardim, mas que contribuam também para a economia e o reaproveitamento de recursos naturais.

sábado, 24 de outubro de 2015

Culinária alemã no próximo Sabores do Brasil, domingo (25/10)

Imagem meramente ilustrativa

A gastronomia alemã é o tema da próxima edição do Festival Sabores do Brasil, que acontece no domingo (25/10), nos Restaurantes Sesc em Santa Catarina. O evento conta com cardápio típico e programação cultural diferenciada. A Alemanha é um país de diversidades e isso tudo se reflete na cozinha. A culinária alemã varia de acordo com cada região do país, utilizando alguns ingredientes em comum disponíveis durante todo o ano, porém preparados de diferentes formas e combinações, usando produtos sazonais e regionais. No último domingo de outubro a cozinha alemã trará toda sua mistura histórica para os restaurantes do Sesc. O público poderá saborear pratos como: Lombo suíno com repolho roxo e maçãs, Mix de salsichas alemãs com molhos especiais, Carne assada marinada (Sauerbraten), Arroz de marreco, Panquecas fritas de batata (Kartoffelpuffer), Strudel de maçã e Torta alemã.

O evento Sabores do Brasil acontece todo o último domingo de cada mês, e neste ano celebra a miscigenação da culinária brasileira. Com mais de 500 anos de história, o Brasil possui grande mistura de tradições, que resultam numa culinária diversificada, com ingredientes que foram introduzidos não só pelos índios nativos, mas também pelos imigrantes da época. É possível encontrar, em cada região do país, peculiaridades incríveis devido às diferenças climáticas, de vegetação e também de povos que as habitam.

O público poderá degustar deste mosaico cultural e gastronômico do Brasil – variado, democrático, multicultural e saboroso. O valor do quilo do Buffet varia de acordo com o local (veja abaixo a relação dos restaurantes). De acordo com a coordenadora de Saúde do Sesc em Santa Catarina, Jéssica da Luz Pereira Pucci, a gastronomia brasileira é democrática e capaz de agradar os mais exigentes paladares.

Mais informações e valores em http://portal.sesc-sc.com.br/evento/768.


Restaurantes Sesc:

Sesc em Balneário Camboriú (Almoço)
Avenida Central, 360
Centro – Balneário Camboriú/SC
Fone: (47) 3248-4807

Sesc em Blumenau (Almoço)
Rua Ingo Hering, 20, sala 07, Shopping Neumarkt
Blumenau/SC
Fone: (47) 3322-5261

Sesc em Brusque (Almoço)
Rua Arno Carlos Gracher, 211
Centro – Brusque/SC
Fone: (48) 3351.2599

Sesc em Florianópolis (Estreito) (Almoço)
Rua Santos Saraiva, 289
Estreito – Florianópolis/SC
Fone: (48) 3244-1370

Sesc em Florianópolis (Prainha) (Almoço)
Trav. Siryaco Atherino, 100
Centro – Florianópolis/SC
Fone: (48) 3229-2200

Sesc em Jaraguá do Sul (Almoço)
Rua Jorge Czerniewicz, 633
Jaraguá do Sul/SC
Fone: (47) 3275-7800

Sesc em Joinville (Almoço)
Rua Itaiópolis, 470
Centro – Joinville/SC
Fone: (47) 3441-3300

Sesc em Lages (Coral) (Almoço)
Avenida Presidente Vargas, 678
Coral – Lages/SC
Fone: (49) 3225-1482

Sesc em Laguna (Almoço)
Rua Tenente Bessa, 211
Centro – Laguna/SC
Fone: (48) 3644-0152

Sesc em Tubarão (Almoço)
Rua Antonio Hülse, 411
Dehon – Tubarão/SC
Fone: (48) 3626-0146

Hotel Sesc em Blumenau (Almoço)
Rua Eng. Udo Deeke, 1330
Salto do Norte – Blumenau/SC
Fone: (47) 3334-8100

Hotel Sesc Cacupé em Florianópolis (Almoço)
Rod. Haroldo Soares Glavan, 1670
Florianópolis/SC
Fone: (48) 3231-3200

Sesc Pousada Rural em Lages (Almoço)
Rod. SC – 425 km 4,5 – Rincão Comprido
Zona Rural do Distrito de Índios – Lages/SC
Fone: (49) 3224-9988

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Unidade Móvel Sesc Saúde Mulher levará consultas gratuitas de prevenção do câncer à população


As mulheres catarinenses contam com um projeto pioneiro no País: a Unidade Móvel Sesc Saúde Mulher, que oferece exames gratuitos de mamografia digital, exame citopatológico (papanicolau que previne o câncer de colo uterino) e teste de monoximetria (avaliação respiratória relacionada aos fatores de risco de câncer). A estrutura, será entregue à população catarinense segunda-feira (26/10), às 11h30, no Hotel Sesc em Cacupé (Florianópolis), em referência ao Outubro Rosa, mês dedicado a ações que marcam a conscientização para a importância da prevenção do câncer. Dotada de aparelhos de ponta, a Unidade itinerante oferecerá, durante 60 dias, serviços de saúde gratuitos ao público feminino.

A primeira cidade que irá receber o atendimento será Biguaçu, em parceria com a prefeitura. A Unidade tem capacidade de realizar 1.280 mamografias e 1.280 exames de colo de útero por cidade, e atenderá as mulheres com dificuldade de acesso aos serviços de saúde em municípios do interior, que passarão por avaliação e exame.

O atendimento é gratuito e para realizar qualquer um dos exames é necessário ter a cópia da carteira de identidade, cópia do comprovante de residência e o cartão do Sistema Único de Saúde (SUS). “A Unidade se traduz na essência da interiorização da missão do Sesc, que é cuidar do bem-estar e da qualidade de vida da população. É com grande satisfação que entregamos este projeto pioneiro em Santa Catarina. Com essa ação, reforçamos o serviço de saúde no estado e contribuímos para a detecção precoce de várias doenças, colaborando para a melhoria da saúde das mulheres catarinenses”, afirma Eduardo Makowiecki Júnior, diretor de programação social do Sesc em Santa Catarina.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)*, em Santa Catarina das 552.350 mulheres que deveriam ter realizado o exame de mamografia, apenas 94.050 realizaram (17%). Para o citopatológico, de 1.724.932 mulheres que deveriam ter realizado o exame, somente 253.274 fizeram, ou seja, 14%. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é o segundo tipo mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos a cada ano.

“A Unidade Sesc Saúde Mulher está equipada com o que há de mais moderno em termo de tecnologias de mamografia e suas aplicações para o diagnóstico do câncer de mama. O mamógrafo é digital o que proporciona um melhor desempenho para avaliação do resultado e como a imagem fica disponível rapidamente, facilita o procedimento para a paciente e para toda a equipe”, declara Jéssica da Luz Pereira Pucci, coordenadora de saúde do Sesc em Santa Catarina. “Dentre os pontos reportados, podemos destacar o fato de que a realização da mamografia pode salvar muitas vidas, principalmente em pacientes em que o tumor ainda não é palpável”, finaliza Jéssica.



Sobre Sesc Saúde Mulher

O Sesc Saúde Mulher é composto por uma Unidade Móvel, que realiza exames para prevenção do câncer de mama (para mulheres com idade entre 50 e 69 anos) e colo de útero (para as mulheres com idade entre 25 e 64 anos), além de ações educativas para a promoção da saúde. Entre os temas abordados estão os direitos sexuais e reprodutivos, diversidade sexual, planejamento familiar, prevenção a violência doméstica e a mortalidade materna. Sua realização se dá a partir de parcerias locais, onde é identificada a demanda de cada comunidade, e as temáticas a serem abordadas.

O atendimento é gratuito e para realizar qualquer um dos exames é necessário ter a cópia da carteira de identidade, cópia do comprovante de residência e o cartão do Sistema Único de Saúde (SUS). A estrutura interna do caminhão está dividida em: consultório para realização de exames de mamografia com mamógrafo digital; sala para a realização do exame citopatológico, com mesa ginecológica; banheiro; tenda externa para ações educativas, recepção e sala de espera. A Unidade Sesc Saúde Mulher conta com uma enfermeira, uma educadora em saúde, duas técnicas de radiologia, um artífice de manutenção e um médico responsável técnico, além de laboratórios especializados para emissão dos laudos.

 *Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2012.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Novidades e mais novidades

Linda, cheia de conteúdo, maravilhosa, cheirosa, praticamente perfeita. Assim está a nova edição da revista.DS. Dá uma olhadinha nela aí:
O que, vocês acham que sou suspeita pra falar porque eu sou a editora? Absurdo. Vou provar minhas afirmações perguntando pra todas essas pessoas que estão aí embaixo lendo. Pessoal, como está a nova edição da revista.DS?

FANTÁSTICA!


GENTE, TÁ DEMAIS!!



MUITO FOFA!

SURPREENDENTE!


UM ESPETÁCULO!


UM BAPHO, AMIGA!


UM ESCÂNDALO!!!


Viram pessoas de pouca fé? Aliás, falando em fé, amor, coragem e dedicação,

a capa traz uma entrevista com o Padre Raimundo Ghizoni, que, aos 90 anos conta como foi sua história familiar, como decidiu optar pela vida religiosa e, especialmente, fala das experiências que passou pra realizar uma obra que incluiu a Aproet, instituição que atende hoje 500 crianças e 220 idosos e que foi iniciada graças ao seu esforço. Eu fiz a entrevista com ele e digo que a experiência foi enriquecedora. Independente de religião, independente até de você acreditar em alguma coisa, vale a pena saber um pouco mais sobre essa história que faz a gente acreditar que o mundo pode sim ser mudado pelo amor e pelo trabalho.

Como nós ainda somos seres em evolução, passemos diretamente para alguns dos sete pecados capitais. Para vaidosas e vaidosos, muitas dicas sobre beleza, em especial para ficar com tudo em cima para o verão, começando pelo sorriso, já que você vai poder saber tudo que queria sobre clareamento dentário. Na área da cirurgia plástica, uma matéria esclarecedora sobre lipoaspiração e dermolipectomia abdominal. Para quem quer perder peso ou modelar o corpo sem optar pelo procedimento cirúrgico, porém, tem uma gama de recursos, como os tratamentos estéticos alternativos. 

A revista.DS aborda, por exemplo, a Carboxiterapia, uma técnica que vem ganhando espaço e promete ótimos resultados. Outra alternativa pautada no reequilíbrio do corpo é a acupuntura estética, que vem sendo empregada com sucesso. Além disso, para assegurar boa forma e saúde, nada como aliar qualquer prática a uma alimentação saudável e, em especial, direcionada para os elementos particulares de cada pessoa, considerando a individualidade. Dessa forma, a revista traz ainda uma reportagem sobre nutrição funcional, que é tudo de bom para quem quer ficar linda (o) e saudável. 

Seguindo a linha da saúde, cuidados sobre como pegar sol sem que isso traga danos à saúde, e esclarecimentos sobre os tipos de câncer de pele. 

Para quem quer entrar no calor em dia com a moda, a revista.DS aborda desde os biquínis que vão encantar na temporada até chapéus e acessórios lindos para passar o verão protegida e maravilhosa - já que estes produtos têm um diferencial: vem com protetor solar nos tecidos. Uma matéria especial fala sobre como adequar o seu tipo de corpo à lingerie, e as cores que vão fazer as unhas das mulheres na temporada também são abordadas em texto sobre esmaltes. E não poderia faltar um gostinho das tendências da próxima estação nas roupas, calçados e acessórios. Olha aí uma prévia da editoria de Moda:


Se o seu negócio é mais curtir o verão, porém, dicas de locais muito bacanas, como a Praia do Rosa, com seu circuito gastronômico e famosas belezas naturais, além de uma prévia de como deve ser a temporada de verão nas praias da região Sul de SC são temas abordados em matérias especiais. 

E para quem está mais preocupado com o momento econômico, a revista também traz uma matéria sobre como dois setores estão traçando estratégias para lidar com o crise: o comércio, que se antecipa para o Natal, e a construção civil, que segue com planos de investimentos. Alem disso, dicas de decoração: como escolher a tinta ideal para o ambiente e novidades para as áreas de lazer da casa.

Bom, com tudo isso, motivos pra ler não faltam, né? Como a publicação impressa é exclusiva para os assinantes do Diário do Sul, quem quiser conferir, pode clicar neste link.


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Festival gastronômico tem pratos internacionais a R$ 39


A 5ª edição do Festival Gastronômico Sabores do Mundo Praia do Rosa começa na próxima semana, do dia 16 ao dia 25 de outubro, em Imbituba, Litoral Sul de Santa Catarina. No evento, cada restaurante participante oferece aos visitantes um prato da casa com um valor único: R$39,00 por pessoa.

Além disso, estão programados nos sábados e domingos do festival atrações para o público, como Workshops, Cursos, Cook Show com Chefs locais, apresentações de músicos e bandas na Praia do Rosa e no sábado do dia 24 de outubro está programado um Concurso Cozinhando no Rosa.

Para os apreciadores da boa mesa, esta é uma oportunidade para desfrutar de uma gastronomia local e bem variada, principalmente de restaurantes premiados, com estrela do Guia 4 Rodas e certificados pelo site de ranking mundial Trip Advisor.

Confira os restaurantes e pratos do Festival

Bistrô Pedra da Vigia - Filet Mignon à la Bordelaise (Filet Mignon na redução de Vinho Bordeaux e Aceto Balsâmico com fundo de Ossobuco) acompanhado de purê de batata e espinafre.


Bistrô Rêmora -  Garoupa Grelhada ao molho de Chutney de Manga com arroz Crocante e Damasco. Mix verde tropical com Kanikama ao molho de Mostarda Dijon.


Casarão - TRIS SFIZIO - Bruschetta mediterrânea + Dourado premium grigliato con brasato di carote + Cheesecake al cioccolato.


Engenho do Mar - Camarão empanado na Tapioca com risoto de queijo coalho e molho de maracujá


Goen - Entrada: Sunomono ou Goen Hot Balls. Combinado do Chef - 6 Sashimis,8 Uramaki Special + 8 pçs.especiais (4 Salby fly e 4 Dragon Make)


Lua Marinha - Anchova com purê de banana, pirão da roça e arroz integral.


Refúgio do pescador - Paella de frutos do mar.


San Diego - Costelinha de Porco braseada ao molho BBQ caseiro, acompanhado de batatas rusticas e molho de queijo.


Sapore de Pasta- Cartoccio de peixe com legumes ao estilo mediterrâneo - Peixe coberto por geleia de tomate italiano e farofa de azeitona preta, acompanhado de mini caprese, com rúcula, broto e rabanete.


Tigre Asiático - Combinado de  18 pçs.Sushi ou Mie Goreng - Prato Indonês - Verduras Variadas, Macarrão, especiarias, Gergelim, Linhaça, Green Curry. Frango ou Camarão.


Urucum - Peixe branco na folha de bananeira ao molho de goiaba, acompanha chips de batata doce e purê de ervilha torta.



fotos: Moniky Bittencourt


domingo, 11 de outubro de 2015

Programação para os pequenos no Cine Teatro Mussi

Rede Sesc de Teatro - Domingo 11/10 às 14h30 e 16h.
#MERGULHO com a Cia Eranos – Itajaí/SC
A experiência teatral “#Mergulho” foi construída à partir do universo imaginativo das crianças tendo como tema o Mar.  O espetáculo, com público limitado, e voltado especialmente para crianças conta a história de duas pessoas que vivem em universos diferentes, ele na terra e ela no mar, e que buscam com a ajuda da platéia, se encontrar. Utiliza como ferramenta técnica a projeção digital atrelada ao som, um meio que viabiliza uma linguagem sensorial e imagética e que permite uma série de possibilidades de interação entre cena e platéia, entre imagem e os sentidos do espectador.







Baú de Histórias - Terça - Feira 20/10 – Sessões: 14h30 e 19h.
COMO NUM LIVRO ABERTO com Eric Chartiot – Porto Alegre/RS

Sinopse: Joãozinho é um menino que só gosta de assistir televisão. Certa noite, ele é surpreendido por um choro vindo de uma mala esquecida em seu quarto. Ele descobre dentro do baú um livro que anda triste, pois ninguém se interessa em lê-lo. Ao ajudar esse novo amigo, o menino descobre que, quando a gente abre um livro, coisas mágicas acontecem.









Teatro - Sábado 24/10 às 16h.
BATMAN CONTRA A UNIÃO DOS VILÕES

Sinopse: Vilões de Gotham City visitam o estado de Santa Catarina e tentam acabar com o Batman . O mesmo tendo o auxílio da Bat girl e apoio do Comissário Gordon livra as cidades do crime provando que o mesmo não compensa. Interação com o público , doses certas de humor e mensagem educativa as crianças.


PROGRAMAÇÕES GRATUITAS NO CINE TEATRO MUSSI

A bilheteria abrirá  a partir de 1h antes de cada evento para disponibilização dos ingressos devido à capacidade de lotação, e ficará aberta até o início da sessão ou término dos ingressos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Um pouco de testosterona

introdução de Liti Marguerita

Hoje, Resenhas Femininas recebe seu primeiro post masculino. Embora homem seja assunto recorrente por aqui, este é o primeiro texto feito especialmente para o blog por um exemplar da espécie masculina. Eu convidei um amigo de longa data para escrever sobre um tema do qual ele gosta tanto quanto eu - relacionamentos. 


E, mesmo sem combinar, ele escreveu sobre um tema que eu queria abordar por aqui: como os homens se sentem com os relacionamentos atuais. Nós mulheres falamos muito do que queremos, do que gostamos, do que esperamos de um homem, mas a verdade é que as coisas ainda são bem confusas. Queremos um cara educado que abra a porta do carro, ou vamos julgar ele um machista se fizer isso? Queremos um cara que pague a conta ou vamos tentar matar o coitado se ele não nos deixar dividir? Se nem nós sabemos direito, imagine eles. 

Acho que lutar pelos nossos direitos e pelo fim dessa babaquice que é a clara diferenciação que existe entre os sexos e , em especial, contra o machismo que prega que uma mulher merece ser estuprada se estiver de minissaia é coisa que devemos fazer de forma permanente. Mas o fato é que existem por aí homens legais, homens que querem uma relação, homens que não são perfeitos, mas também não são opressores terríveis que estão esperando a hora de nós fazer de empregada. E esses homens se sentem confusos com a nossa própria confusão sobre o que esperamos deles. Até porque, vamos convir, o machismo tem que ser combatido não apenas entre os homens, mas no coração de muitas mulheres que tem cada pensamento absurdo que nem quero comentar aqui. 

Então, vamos receber com aplausos e agradecimentos o texto do meu querido amigo Hector Salas, publicitário, cartunista, inventador de moda, artista e arteiro.


A fila anda

Por Hector Salas

E lá estava eu em uma loja de departamentos (ainda tem este nome?). O único homem em uma fila de mulheres. Eu com minha sandália nova e elas com centenas de coisas para elas, para a casa, para os maridos e filhos.

Paciente, espero minha vez enquanto escuto uma senhora de seus 50 anos maldizer o marido em uma conversa em alto e bom tom com a mocinha do caixa:

-Homem não serve pra nada!

A partir daí seguiram queixas e outras frases do gênero repetidas como um mantra e automaticamente referendadas por todas da fila. Súbito, elas notam minha presença maculando o santuário feminino. Mas não fui queimado vivo. Elas apenas sorriem e fazem um “pedido de desculpas” engraçadinho.
Neste momento eu, que até então era a escória da humanidade e não tinha me metido na conversa, sorri também e em tom de brincadeira perguntei:

- E vocês acham que é mesmo fácil ser homem?

Elas se olharam sem entender muito bem o rumo da prosa e, aproveitando a surpresa, completei.

- Vocês acham que é fácil ter que cumprir à risca as expectativas que criaram em vocês e que vocês perpetuam de que nós temos que ser “perfeitos” tal qual um “príncipe encantado”? Que temos que ser amantes, namorados, bem sucedidos, provedores, companheiros, seguranças, carregadores, eletricistas, encanadores, office-boys, despachantes, atletas, mecânicos, cavalheiros e seguir a risca um padrão criado em filmes de sessão da tarde e histórias infantis?

Eu prossigo:

- É um padrão que é impossível de alcançar. E por mais que façamos boas coisas ou tenhamos qualidades jamais seremos tão legais quanto o sonho  idealizado. Uma pessoa é responsável por suas atitudes, mas o responsável pelas expectativas é quem as cria. Da mesma maneira, a mulher quer se libertar da imagem obrigatória de ser “do lar” e uma companheira “compreensiva” para as piores falhas de seu companheiro.


Silêeeeencio. E por fim olhares e sorrisos de aprovação. Chegou minha vez de pagar e fui embora acreditando ter contribuído para a preservação da espécie.