sábado, 12 de dezembro de 2015

Com a palavra, os cães!

* Por Luli de Oliveira (com colaboração de Peter de Oliveira)

Oi gente, sei que minha mãe já falou de mim aqui no passado, mas, pra quem não me conhece, eu sou a Luli. 

Oi!

Hoje vou fazer uma colaboração especial aqui para o blog da minha mamãe, então vou contar um pouco da minha história pra vocês.

Eu sou uma linda SRD (Sem Raça Definida), mas conhecida como vira-latas. Eu estava na rua, quando ainda era um bebê de seis meses mais ou menos, sem dono, sem mãe, sem amor e sem carinho, vivendo de restos de lixo e da ajuda de algumas pessoas boas que me davam alguma comida. 


Foi uma época muito triste.

Um dia, porém, um tio muito legal, o meu padrinho Roberto, me viu na rua e ficou muito triste com minha situação. Então, mesmo já tendo muitos cachorros em um apartamento, ele me levou pra casa dele, e eu fui pela primeira vez numa Pet Shop.

Na verdade eu não gostei muito, eles me deram banho e eu tenho um pouco de medo de água, e também tosaram meu pelo que estava muito feio e sujo, aí eu fiquei assim.



Minha mãe diz que eu parecia um ratinho com grande orelhas e patas, ehehe. Eu sei que não sou uma bola fofinha que nem muitos cachorros de raça, mas fala sério aí, eu tenho meu charme né?




Obrigada, obrigada.

Bom, continuando minha história, minha mãe tinha comentado com a minha madrinha, a tia Rose, que era amiga do meu padrinho, o tio Roberto, que ela estava procurando um cachorro para adotar. E o tio Roberto tinha falado pra tia Rose que ele tinha pego mais uma patuda da rua, mas que não ia poder ficar comigo por falta de espaço pra tantos colegas patudos.

Logo minha madrinha Rose fez as apresentações e resultou que minha mãe não resistiu aos meus encantos e me adotou. Olha os meus primeiros dias na casa da minha mãe.



Então eu e minha mãe, os amigos de Salvador e minha vó que estava nos visitando vivemos meses de muita felicidade. Olhem nossas fotos:


Brincando com a amiga Vic.


Na praia.


Curtindo um visual.


Dando feliz ano novo para a mamãe.


No Cristo com a vovó.


Soneca com a amiga Vic.

Então um dia, minha mãe, por vários motivos, resolveu que ia se mudar pra Santa Catarina. 

Imaginem, uma mudança de 3 mil km pra fazer e ela tinha uma cachorrinha, e ainda ia ficar na casa de uma amiga por um tempo hospedada, antes de conseguir se estabilizar na nova cidade. Mas minha mãe nunca pensou em me deixar pra trás. Dificuldades tiveram muitas – me trazer no avião foi muito caro, eu não quis tomar o remédio pra dormir, não queria entrar na caixa de viajar, minha mãe teve que descer do voo em Curitiba e viajar vários quilômetros até Tubarão de carro, comigo vomitando (eu passo mal em carros, as vezes), fora o peso de me carregar pra lá e pra cá sozinha. 


Olhem a minha cara de infeliz na caixinha de viagem.

Mas ela não me deixou. E sabe por que?

Por que ela sabia que tinha assumido um compromisso quando me adotou. Ela não fez isso sem pensar, ela não fez isso pra dizer que é uma pessoa legal que adota cães de rua, ela não fez isso contando com a ajuda de outras pessoas pra cuidar de mim. Ela assumiu total responsabilidade por mim.

E, eu, claro, retribuo isso pra ela todos os dias, porque eu sou um ótimo cão. Olha alguns exemplos.


Eu fico com minha mãe enquanto ela está trabalhando fora do horário, dando apoio moral e fazendo caras fofas pra deixar ela alegre.


Eu fico de guarda na porta do banheiro  quando ela está tomando banho, porque essa é uma hora muito perigosa (nos filmes de psicopata sempre tem uma cena no banho, já viram?).


Eu levo ela pra passear na Unisul todo domingo, pra ela tomar um solzinho.


Quando ela sai, eu fico esperando ela pra fazer festinha quando ela chega, mesmo quando estou podre de cansada.


Eu espero ela na janela.


Eu faço fofuras pra ela.


Eu cuido dela enquanto ela dorme.


Eu assisto netflix com ela.

Enfim, eu sou muito legal pra minha mãe e hoje nós vivemos muito felizes, nós duas e minha vó.


E eu?


Ah, esqueci de dizer que o Peter também mora com a gente. Ele é legal, mas um pouco metido.




Eu não sou metido. Eu também sou um bom cachorro.


Você é metido sim Peter, mas é um bom cachorro.


Tu que é metida.


Peter acho desagradável a gente fazer DR na frente das pessoas, então, se você quer participar, se comporta.


Tu que começou, mas tá certo.


Bom, enfim, vivemos eu, minha mãe, minha vó e o Peter.
Mas, na verdade, eu vim aqui hoje não só pra contar minha história, mas pra dizer pra vocês que nós estamos começando mais uma vez a ver aumentar o número de companheiros patudos abandonados pela rua.


E nós ficamos preocupados.


Isso. Nós ficamos muito tristes, eu e o Peter, de ver nossos amigos abandonados na rua, sem casa, sem comida, sem um doninho e as vezes sofrendo maus tratos.
O ano todo nós vemos cães abandonados quando vamos passear, mas perto do verão nós vemos mais.
Exatamente. E por que isso acontece, Peter?


Por que muitas pessoas querem ir pra praia ou sair de férias e simplesmente deixam os cachorros pra trás.


Isso. Essas pessoas esquecem que, quando compraram ou adotaram esses cachorrinhos, assumiram uma responsabilidade, e simplesmente largam os coitadinhos na rua. E eles não sabem sobreviver na rua e muitas vezes acabam machucados.


Ou atropelados.


Ou envenenados.


É muito triste!


Então hoje nós estamos aqui, eu, uma SRD, e o meu irmão emprestado Peter, um legítimo Lhasa Apso, pra lembrar vocês de que cachorros não são brinquedos.


Nós temos sentimentos.


Isso mesmo. E antes de adotar um cachorro ou comprar um, ou dar um de presente pra alguém no Natal, lembre-se de que nós somos seres vivos e damos muito, mas também precisamos de muitas coisas.


Nós precisamos de comida, de banho, de remédios, de vacinas, ir ao veterinário quando ficamos doentes, precisamos passear, brincar, e fazemos cocô e xixi também. E precisamos de amor.



Sim, de muito amor. Então, se você acha que não tem condições financeiras de ter um cachorro, ou que pode amanhã precisar viajar e não vai poder pagar alguém pra cuidar da gente, não tenha um  cachorro.


É simples.


Bem simples. E se você já tem um cachorro e só se deu conta depois que ele também dá trabalho e você não quer esse trabalho, faça o favor de ter vergonha na cara e não largar ele por aí.


Pelo menos tenha a dignidade de procurar um outro dono pro bichinho.


Isso mesmo. Saiba que, uma vez que você pegou o cachorrinho, se não quer mais, pelo menos precisa se assegurar de dar um destino decente pro pobrezinho. E não pegue outro cachorro depois disso. Admita a verdade de que você não quer um cachorro. Isso não é vergonha.



Ninguém é obrigado a ter um cachorro.


Pois é.  Ninguém é obrigado a gostar de cachorro ou a ter um cachorro.
Mas se você tiver, tem que dar seu melhor.


Como em tudo na vida.


Fica a dica.


Não abandone.


Não maltrate.


Não dê cachorro de presente.


Castre seu cão.


Cuide do seu cão.


Ou não tenha um cão.


Simples assim.


Só acho.


E por hoje o recado está dado pessoal. Feliz Natal e um alegre 2016 pra todos!
Ah, e se você quiser ajudar uns patudos, seja colaborando como puder ou adotando um, dê uma olhadinha na facebook da ONG Movimenta Cão (https://www.facebook.com/ongmovimentacao/?fref=ts).