domingo, 20 de novembro de 2016

A grande festa


A vida é como uma festa. Quando você é criança, vê a festa lá longe, mas está mais preocupado com a brincadeira. A festa não interessa, porque festa de adulto não faz lá muito sentido. Você só quer comer o chocolate e cair na piscina.

Mas quando você cresce um pouco e o mundo começa a se desenhar na sua frente, a festa está logo ali, rolando em todo seu esplendor, mas não você não pode entrar. No entanto, ela está só começando, você sabe.

E ela está sendo preparada toda para você. Vai ter os melhores canapés e drinques, você vai dançar no ritmo perfeito. Vai beijar o gatinho mais lindo e suas músicas preferidas vão tocar duas vezes e você nunca vai se cansar de dançar, porque a festa é toda sua.

Esse é aquele momento único em que pensamos que o mundo é uma espécie de local para nosso reinado fabuloso. Vamos ter uma carreira perfeita, nunca vamos ter problemas de dinheiro e vamos casar com o mais incrível dos companheiros. Vamos ter os filhos mais saudáveis e lindos, os amigos mais legais e viajar para todos os países do mundo. Tudo será fácil, tudo será lindo, tudo será perfeito, e a festa está bem ali, começando, já ouço aquela música show tocando, já vejo as pessoas bacanas dançando, já sinto o cheiro da alegria e em dois minutos vou poder entrar.


Quando você está lá dentro, enfim, no começo o deslumbre é certo, mas depois as coisas começam a complicar. Isso porque aquele gato incrível já se agarrou em outra, a bebida está quente e o som não está assim tão bom. Não tem tanta gente bacana e tem até uns babacas te puxando pelo braço. Você quer ir ao banheiro e a fila é enorme e ele está imundo. Quer dançar e suas pernas doem.

Então você pensa: caraca, que droga de festa. Queria ir embora. Você chega a se sentar em um canto e respirar fundo. Nessa hora, se você ficar ali, mesmo que você não saia pela porta, a sua festa terá acabado. Você vai passar a noite lamentando o que não aconteceu e invejando a festa dos outros sem se dar conta que sua festa ainda não acabou. Mas se você conseguir ter a força de levantar, mesmo que você não saiba, essa é a hora que você descobriu o significado da festa.

Porque você vai levantar, procurar os seus amigos mais íntimos e vai dançar ainda que o som não seja aquele que você ama. Você vai beber água porque não importa se está quente, já que você quer só matar sua sede. E se a droga do sapato te apertar você vai largar ele num canto e dançar descalça.

E você vai gargalhar com seus amigos, fazendo uma dancinha patética qualquer. Vai se encostar ao balcão e ouvir aquele amigo que está cheio de problemas e sentir seu coração cheio de amor ao dar conselhos pra ele no meio da festa. Vai filosofar sobre um assunto totalmente nada a ver com uma amiga enquanto vocês sentam 15 minutos pra descansar as pernas. Vai sentir o quanto é bom chegar sua vez de ir ao banheiro. E vai rir quanto constatar que sua maquiagem tão bem feita virou um caldo preto escorrendo pelo rosto, porque essa é a marca que mostra o quanto sua noite está sendo incrível. 

E pode até ser que mesmo perto da hora de ir embora você ainda encontre aquele carinha que não é aquele super gato sarado, mas que te faz rir sem motivo.

E essas são as coisas que você vai levar no coração e na alma quando a festa acabar. E antes de sair pela porta você vai olhar pra trás e pensar: puxa, que bom que eu fiquei, porque essa festa foi realmente incrível.


Pode até ser que você deseje que ela não acabe, mas você vai entender que acabou, porque o fim não importa. O que importa é o que você vai levar e deixar com os que ficam. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Sobre amor

Você
Que não quer amar
Não traga seu desamor
Para perto de mim
Logo eu, que só vejo amor.


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Tema de um amor ou roubando letras

Eu sei que vou te amar, por toda minha vida, vou te amar, mesmo em cada despedida, ainda vou te amar. Porque o meu amor não será passageiro, eu te amarei de janeiro a janeiro até o mundo acabar. E se todos fossem iguais a você, existiria verdade, verdade que ninguém vê. Por isso, ainda bem que agora encontrei você. Eu realmente não sei, o que fiz pra merecer, você.  

Mas agora, não sei o que que eu vou fazer pra te lembrar como tantos que eu conheço e esqueço de amar. Porque eu mudaria meus sonhos pra ficar na sua vida. E o meu coração ateu quase acreditou, na tua mão que não passou de um leve adeus. Ah se eu soubesse não caia na tua conversa mole outra vez. Não dava mole à tua pessoa. Te abandonava prostrado aos meus pés. Fugia nos braços de um outro rapaz. 

Mas amor, eu sinto a sua falta, e a falta é a morte da esperança. Porque entre palavras não ditas, ficaram tantas palavras de amor. Essa paixão é antiga, e o tempo nunca passou. E, na verdade, eu sei que você não vale nada, mas eu gosto de você. 

(Aqui temos Vinícius de Moraes e Tom Jobim, Roberta Campos, Marisa Monte e Arnaldo Antunes, Nei Lisboa, Ana Carolina, Chiara Civello e Dudu Falcão, Sueli Costa, Chico Buarque, Nando Reis,  Giuseppe Anastasi (La Notte) - versão de Tiê, Rita Wainer, Andre Whoong e Adriano Cinta, e  Dorgival Dantas)







domingo, 14 de agosto de 2016

Sim, o amor é sem fim

E então, quase sem sentir, eu lembro de você.

Uma frase que você dizia que vem no meio de um conselho para uma amiga.

Uma lembrança de coisas engraçadas que você fazia. 

Uma situação que puxa uma história de tantos momentos juntos.

Um jeito de falar que lembra o seu.

Então eu olho em volta e vejo meu irmão falar com a filha como você fazia comigo. 

E vejo minha irmã ter um comportamento igual ao seu na direção. 

E pego em mim mesma uma forma de falar igual a sua. 

Um pensamento me vem e então eu lembro que uma vez falamos sobre isso. 

E então eu sei que você não morreu, porque você está em tudo que eu faço. 

E quando eu me sinto triste e frágil, eu olho pra algum lugar no céu, no chão, no ar, dentro de mim e vejo você me dizendo que é quando eu fico mais frágil que eu fico mais forte. 

E apesar de ainda achar que teria sido maravilhoso ter tido a oportunidade de ver você ficar velhinho ao meu lado aqui nesta existência, eu sou imensamente grata por saber que você faz parte da minha vida, que é eterna. 

Obrigada pai. Obrigada pai celeste por ter me dado a chance de ter nesta existência o pai que tenho. E que ele esteja banhado da tua luz. 

















quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Antes de

Eu vou ter que te degustar
Eu vou ter que te mastigar
Eu vou ter que te saborear
Eu vou ter que te engolir
Eu vou ter que te deglutir
Eu vou ter que me engasgar
E ainda te digerir
E você não vai me envenenar
Antes de eu te expelir.


quinta-feira, 28 de julho de 2016

Sim, é impossível ser feliz sozinho (a)

Eu, embora tenha plena consciência de que há muito machismo incutido em mim pelas crenças que acabam se arraigando em nossas mentes, me considero uma feminista. Dia desses, em uma das páginas que sigo sobre o assunto e que considero muito boa, me deparo com algo que bateu fundo no meu coração e que me levou a escrever este texto.


Com um trecho de uma música de Tom Jobim que eu adoro no qual diz “É impossível ser feliz sozinho”, julgava-se o querido e inteligente maestro por um trecho isolado de uma música, afirmando-se que nossas letras de música nos faziam acreditar que não podemos viver sem um homem.

Eu fiquei inicialmente indignada com um discurso baseado em algo tão sem contexto e sem nexo, mas depois que passou a raiva, fiquei profundamente reflexiva sobre se essa frase nos fazia acreditar que não podemos ser felizes sem um homem.

E aqui, vou dizer não apenas porque não foi isso que Tom disse com a música, mas ainda direi mais – porque a frase é profundamente verdadeira.

Em primeiro lugar partiremos do óbvio. A música não diz “mulheres não conseguem ser felizes sem um homem do lado”. Ela diz: “é impossível ser feliz sozinhO”. Saliente-se que isso se refere à solidão e não a namoro ou casamento, e não se refere à mulher, e sim aos seres humanos em geral. Ponto final (pra mim, pois o choro é livre).

Em segundo, eu concordo plenamente com a ideia. Sim, é impossível ser feliz sozinho. Imagine que você acordou pela manhã, olhou em volta e sua família desapareceu. Não tem pai, nem mãe, nem irmãos pentelhos e amados, nem sobrinhos, nem mesmo o cachorro ou o peixe. Aí você pensa, eles devem estar na rua.

Mas ao ir para a rua você descobre que todas as pessoas desapareceram. Nada. Nem o colega chato do trabalho sobrou, nem o mendigo para o qual você, vez ou outra, joga uma moeda de forma complacente.

Tragédia das tragédias, você vai pro facebook e não tem ninguém online. Você abre o Whats App e todo mundo sumiu. Você está só. Diga-me então, qual seria sua motivação para viver?

Responda o que seria de nossa felicidade se não fosse a família que nos aborrece e é parte de nós
mesmos, os amigos com quem na segunda já estamos programando a saída de sábado, os colegas de academia, os colegas de trabalho que, por mais que não sejam amigos íntimos, fazem você parar no meio do dia pra ouvir uma piada, o cachorro que te leva para sair de casa todos os dias. E sim, sim e sim. Os nossos amores. Os companheiros ou companheiras que nos fazem tremer ao som de sua voz, os amores que nos deixam com vontade de rir sem motivo no meio do dia, a alegria de sonhar com um futuro juntos ou de viver um presente de felicidade.

E por mais que nossa referência para amar o outro seja a forma como amamos a nós mesmos (eu como cristã, tento seguir o máximo ensinamento de Cristo – amai o outro como a si mesmo), do que adianta você amar a si mesmo se você não tiver o outro para completar a segunda parte da missão?

Até mesmo o eremita, em seu isolamento, não está só. Ele está com Deus, com a força da natureza, com os animais e plantas aos quais se integra, seja qual for sua crença ou motivo para buscar o isolamento social, certamente ele tem referência de companhia, mesmo que não seja o convencional.

Então, minhas caras e meus caros, eu vou não apenas assinar embaixo do trecho da música de Tom, como ressaltarei um trecho anterior e que dá toda vida e verdade a esta letra: “fundamental é mesmo o amor – é impossível ser feliz sozinho”. Sim, fundamental é mesmo o amor. E amar exige o outro. O amor é algo que é tão imenso que extrapola a nós mesmos. Só quem ama é feliz, e por isso é impossível ser feliz sozinho.

E se você se incomodou com a frase de Tom e achou que ela é machista, reavalie se você não está sendo machista ao dar um sentido machista para uma música que fala de amor.

E agora me deem licença, que eu tenho muito pra amar hoje.

Segue a letra de Wave, de Tom Jobim:

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Um apelo

Amigos de direita e de esquerda, eu creio que, mesmo com dificuldades em alguns casos, especialmente quando se trata de direitos humanos (nome autoexplicativo - direitos que humanos têm, independente de quem são), machismo e alusão à ditadura (de qq tipo), eu busco respeitar e não dar palpite nas opiniões de vocês, ainda quando vejo coisas que me incomodam e principalmente preocupam.

No entanto, vou pedir encarecidamente um favor: chequem as fontes das informações que vocês compartilham. O facebook é uma rede social de grande alcance, pessoas vão acreditar no que vocês compartilham, vão ler, se influenciar, compartilhar e assim milhares de mentiras, absurdos e abobrinhas vão se espalhar por todo país, causando o círculo da burrice causado por você que fica aí dizendo que a solução é educação.

Comece por você mesmo e tenha a educação de só disseminar aquilo que você pega de fontes confiáveis e, em especial, apartidárias.

Não adianta você dizer que a Globo é da direita e depois compartilhar uma notícia de um site que claramente é de esquerda. E vice-versa. Use sua cabeça para pensar e não deixe sua paixão te rebaixar à condição de irresponsável.


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Voluntários da Pátria

Incomoda-me sim
O cidadão de borco no chão
A miséria que o animaliza
E entre os passos apressados
De quem corre para sua vida
Nenhuma mão em socorro estendida
Nem mesmo a minha.




foto retirada de http://www.teleios.com.br/

terça-feira, 7 de junho de 2016

O que não mudou, mas precisa mudar

Há dias eu penso no caso do estupro coletivo que ocorreu no RJ, com uma menor de 16 anos. Resolvi chamar de estupro porque, pelo que li até agora, a investigação já concluiu que houve a violência, embora muitas pessoas pareçam inclinadas a discordar e até acusar profissionais que estudaram e fizeram concursos para ser investigadores. Só quero deixar claro que embora eu ache sim que houve estupro, não falaria isso por mera suposição minha, tomando estas suposições como sentença.

Já rolou de tudo, em função do que este crime gerou. O fato das pessoas culparem a vítima me deixou com raiva, triste, em pânico, com vontade de chorar, de sacudir, de estapear pessoas, de gritar, espernear, uma porção de sentimentos e reações.

Eu até cheguei a escrever um texto sobre o assunto que talvez eu publique depois de revisar. É maravilhoso, porém, o fato da maturidade te ensinar que, quando você está com muita raiva ou tristeza, o melhor é esperar. Deixar o turbilhão passar e pensar. Refletir.

Ao me dar esse tempo, eu percebi que nesta discussão toda que se seguiu ao crime há coisas mais profundas das quais preciso falar.

Em primeiro lugar eu quero pontuar com muita clareza que não existe “mas” em caso de estupro. Não há justificativa para estupro. E sim, se a garota que foi vítima neste caso estivesse fazendo a maior suruba, ainda assim, se, em algum momento, ela pediu para parar, ou foi sedada, isso é estupro e ponto final. Não há discussão possível sobre isso.

O que me deixa absolutamente chocada, porém, é que milhares de pessoas se embateram na internet sobre ser ou não ser estupro, por isso ou aquilo (muitas delas procurando inacreditavelmente um motivo para justificar um estupro), e eu não vi ninguém levantar uma questão chave.

Se, e apenas se, em algum momento, realmente passasse na cabeça da moça, que tem 16 anos, ou de qualquer outra menina, fazer uma suruba tamanho “extra grande” com 30 caras, como isso pode ter ocorrido?

Entre nós aqui, adultas e adultos, vamos pensar – alguém realmente acredita que uma mulher pode ter prazer transando com 30 homens ao mesmo tempo? Alguém acha que ela não vai se machucar, se cansar, se ferir de verdade ao fazer isso? Acredito que, salvo raros casos de fantasias muito bizarras, que são bem raros mesmo, não há prazer de verdade nisso.

Homens, esqueçam os filmes pornôs bizarros que vocês assistiram. As mulheres normais, no dia a dia, não estão sonhando com uma suruba. Se isso é sonho de consumo de alguma moça (e a investigação já aponta que não foi o caso dessa moça em particular, porque ao que parece ela foi sedada e estuprada), mas se, como algumas pessoas bradam na internet, uma super suruba com 30, 50 sei lá quantos caras é sonho de consumo de garotas que falam isso nas redes sociais, o que está acontecendo que leva a isso?

A ideia de que nós mulheres temos que ser aquela palavrinha com P e quatro letras na cama, de que temos que mandar bem, ser safadas, rebolar gostoso e pegar todos não surgiu do feminismo, amiga e amigo. Ela vem do mesmo lugar de onde veio a ideia de que temos que ser “belas, recatadas e do lar”. 

O feminismo é uma luta por direitos, não por imposições. E ser gostosa, safada e estar pronta pra ser devorada é a nova imposição social machista.

Vejam as músicas, as propagandas, a moda, enfim, tudo que nos impõe essa coisa de que temos que ser as “fodonas”. Elas vêm do mesmo lugar de onde saíram os conceitos de mulher “que se dá o respeito”, seja lá o que isso for, de “mulher pra casar” etc, etc – ou seja, daquilo que os homens (ou, pra ser justa, uma parte deles) esperam de nós. E o feminismo, ao contrário, busca combater as músicas que agridem as mulheres neste sentido, as propagandas que tratam a mulher como objeto etc. 
O feminismo pede apenas o direito de que sejamos livres para escolher o que queremos em relação a sexo e um monte de outras coisas, não é um estímulo para surubas.

E nem estou aqui condenando as surubas em si. Cada um que faça o que quer, mas por gostar e não por imposição, por meta, por concorrência estimulada pelo mesmo machismo que nos dizia no passado que tínhamos que estar prontas para sermos usadas pelos nossos maridos mesmo se estivéssemos com dor de cabeça.


E quando você, mulher, vai lá pro face falar que um estupro ocorreu porque a mulher não soube “se preservar”, conceito absurdo, pois um estupro não ocorre onde não tiver um estuprador, você está alimentando o conceito machista do passado, do presente e do futuro. Então, cuidado, pois, amanhã, sua filha pode estar fazendo suruba sem sentir o menor prazer nisso, mas porque é o que se espera de uma mulher. E o feminismo, coitado, segue levando a culpa. 


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Delícia bem deliciosa

Hoje nós vamos atacar de receita. E vai ter gente me perguntando, eu já sei - "Liti, tanta coisa pra comentar, tanto assunto relevante, tanta aberração sendo dita e você vai e posta uma receita de torta?". Pois é, bem isso.

Eu até escrevi outro texto. Hoje, eu ia postar aqui sobre estupro, sobre incriminar a vítima, sobre machismo disseminado em todos os locais, inclusive nos corações femininos. Mas eu estou um tanto quanto furiosa. Estou brava, triste, envergonhada das coisas que vejo. Tanto, mas tanto, que nem consegui escrever meu texto direito. É tanto a dizer que, ao ler, percebi que ele vem e vai, volta, repete, está uma bagunça. E eu só posso arrumar essa bagunça quando acalmar meu coração.

Logo, fiquem de boa que não voltamos à ditadura não, quando os jornais publicavam receitas por serem obrigados a se calar, pelo menos ainda não. Eu só quero adoçar meu coração e o de vocês.

Cozinhar é uma das minhas paixões, assim como pensar, escrever, dançar, etc, etc, então sim, apesar do foco deste blog ter se encaminhado para debates mais profundos, pelo menos nos últimos tempos, decidi que as receitas vão continuar.

E não tem nada a ver com o fato de "lugar de mulher ser na cozinha", vamos deixar MUITO claro, Até porque todo mundo (tá, quase todo mundo) sabe que isso é um clichê babaca. Vou postar receitas por que sou livre, mas tão livre, que posso até escolher cozinhar. Cozinhar pra mim é um presente aos que amo e mais ainda pra mim mesma, pois eu adoro minha comida.

Dito tudo isso, que por si só já seria um post, vou adiantar o lado e colocar logo a receita.

Eu vou chamar aqui de Delícia bem deliciosa, mas na verdade não passa de um pavê. Bem delicioso. Vi uma receita na internet e adaptei, e ficou show! Bora lá.

Você vai precisar de:

Receio
1 lata de leite condensado;
1 pote de nata;

"Massa"
1 pacote de bolacha de leite ou Maria, ou Maisena;
1/2 copo de leite;

Cobertura
1 barra de chocolate meio amargo;
1 caixinha de creme de leite;



Preparo:

Coloque a lata de leite condensado em uma vasilha e junte a nata, mexendo devagar até ficar incorporado;

Em um refratário, forre o fundo com a bolacha. Jogue um pouco de leite por cima e deixe absorver. Cuidado aqui para não ficar muuuuito mole;

Cubra com o creme feito com nata e leite condensado; Repita, fazendo duas camadas;

Coloque o creme de leite num pote e acrescente o chocolate quebradinho. Deixe um minuto no micro, ou no fogão, até derreter o chocolate e virar um creme;

Cubra o pavê com o creme e deixe na geladeira por cerca de duas horas antes de comer.

E que adoce nossas vidas!!!

sexta-feira, 27 de maio de 2016

O terror nosso de cada dia

Rafaela virou a esquina já com um frio na barriga. Desligou a música que saia pelos fones de ouvido, no sentido de ficar atenta a qualquer barulho de passos, a não se distrair. Pensou em como seria bom ter algo como um spray de pimenta ou até uma arma na bolsa, mas, ao mesmo tempo, sabia que não estaria protegida, mesmo assim.

Afinal, seu medo teria tanto fundamento?

Entrou nas sombras da rua deserta, sabendo que não havia outra saída. Afinal de contas, os outros caminhos que ela poderia pegar para chegar onde precisava ir não eram menos assustadores ou arriscados que aquele.

Algumas lâmpadas estavam apagadas nos postes de iluminação pública e isso fazia com que ela se sentisse mais insegura naquele lugar. Será que as luzes, porém, poderiam poupá-la de alguma coisa naquela situação, pensou ela.  

Sentia-se covarde e quase ridícula por seu coração batendo acelerado no peito, mas não podia evitar. Tentou dizer pra si mesma que isso era exagero, que nada ia acontecer, mas não conseguia acreditar totalmente em suas tentativas de positividade. Sabia que sua situação era critica, e, o pior, quase ninguém mais sabia.

Quase ninguém ou talvez ninguém pensasse nela naquele momento, passando pela rua escura e deserta, com seus medos aflorando pouco a pouco e um a um se somando.

Os terrenos baldios cheios de mato eram perfeitos pra que o inimigo sem rosto se escondesse. Ela passava pelo meio da rua, tentando se manter o mais longe possível daqueles lugares. Uma casa logo à frente lhe acendeu uma secreta esperança de segurança, mas o local estava às escuras, parecendo abandonado, quase um convite para que ele estivesse lá esperando-a.

Ao deixar a casa pra trás, Rafaela sentiu seu corpo se arrepiar ao ver uma pessoa vindo ao seu encontro. Um vulto, apenas, por enquanto. Seu coração quase parou. A esperança de encontrar alguém naquele caminho deserto e isso lhe dar algum conforto se dissipou totalmente quando a aproximação não deixou dúvida de que era um homem. Ou seja, poderia ser ele.

Fingindo não estar com medo, ela atravessou a rua devagar. Ele a observou quando passou pelo outro lado. Não conhecer o rosto de seu inimigo deixava Rafaela mais fragilizada. Podia ser ele. Não importava se era branco, negro, baixo, alto, magro ou gordo, apenas podia ser ele.

Com o canto dos olhos, Rafaela respirou ao ver o homem passando e seguindo seu caminho sem olhar para trás. Deixou o ar sair lentamente. Logo à frente, então, viu um carro parado, metade na calçada, metade na rua. Dava para ver um vulto dentro dele. A felicidade de ver alguém tomando parte em seu pavor e talvez podendo defendê-la de seu inimigo virou quase terror quando ela pensou em como seria fácil para ele pegá-la e jogá-la para dentro do carro, sem testemunhas, sem ninguém que a ela desse algum crédito.

Tirou da bolsa a sombrinha, no sentido de que aquela pseudo arma pudesse pelo mesmo surpreender seu inimigo caso ele saltasse de dentro do carro. Mas ela passou pelo veículo sem susto.

Mais dez passos, ela chegou ao seu destino. A chave já estava na mão antes de chegar em frente ao portão. Rafaela entrou em casa e fechou a porta atrás de si. Mais uma vez, agradeceu a Deus por ter chegado bem em casa. Agradeceu por ter chegado bem, porque o caminho do seu trabalho para o seu lar tinha sim um pedaço muito deserto e escuro, que lhe dava medo todos os dias de sua vida. Por um breve instante, pensou em como aqueles minutos de aflição diária influenciariam sua vida, sua saúde, sua mente.

Pensou em como era ridículo se arrepender por ter colocado uma roupa mais justa naquele dia. 
Pensou em como era injusto sempre pensar em usar um calçado com o qual fosse fácil correr. Pensou em como era triste toda vez que ia sair com um paquera novo não estar certa se devia fazer isso, porque ele podia decidir por ela que era hora sim de transar, mesmo que ela não estivesse afim. Pensou em como era triste ter medo até do ex-namorado, porque ele podia decidir que queria mais uma vez e quem ia acreditar que ela não tinha aceitado?

E se isso acontecesse, o que as pessoas diriam? “Ela saiu com ele mesmo não conhecendo muito bem. Ela foi sozinha, bem que queria, ela estava usando uma roupa curta. Ela foi porque quis, ela foi e... mereceu???”

Rafaela não tinha medo, quando pegava o caminho escuro, de perder seu Iphone, o dinheiro que tivesse na carteira ou sua bolsa que comprara com esforço. Seu único pânico real era de que alguém simplesmente usasse seu corpo sem autorização, entrasse nela, a estuprasse. Seu único medo era de que, se isso acontecesse, ela nunca mais poder ter uma vida normal, jamais se esquecer do medo, da violência. Nunca mais dormir sem pensar nisso. Nunca mais amar ou sentir prazer. Nunca mais querer andar na rua.

Seu medo era não poder nem mesmo ver seu agressor pagar, porque sua roupa justa podia ser mais criminosa que a violência dele. Seu medo era que o fato de ter que andar de noite sozinha no caminho escuro, porque precisava trabalhar, fosse interpretado como um convite ao homem que, por algum motivo, a sociedade ainda defendia. Seu estuprador. Aquele que nem sequer existia, a não ser na sua mente, no medo diário, nascido das histórias e avisos de cuidado que já a seguiam antes mesmo dela ser mulher e saber o que era sexo.

O medo que ronda nós mulheres desde crianças, nos avisos de: “se algum homem fizer ou disser assim pra você, saia de perto dele e conte pra mamãe”. Um medo transmitido de geração para geração e que existe apenas por um único motivo: nascemos mulheres.


E se você acha que este texto é um exagero, pergunte para Bia se ela também acha: http://bhaz.com.br/2016/05/25/trintahomens/.


domingo, 8 de maio de 2016

Para você mãe, as boas vivências

Chamar a mãe de guerreira é um clichê. Só de aguentar uma gravidez, parir, cuidar daquelas coisas choronas e seguir se preocupando e resolvendo pepino pela vida afora, as mães já mereciam troféus e medalhas e estrelinhas. 

No entanto, eu não posso deixar de fazer uma homenagem a minha guerreira particular. Nesse momento, travamos uma batalha juntas. Vemos o fim, se aproximando (se Deus quiser e ele há de querer), mas ainda não chegamos lá. Estamos no caminho. 

Sobre este assunto, que já foi falado aqui , não vamos falar mais hoje. Hoje vamos falar da mãe que eu, por toda esta vida, conheci. Engraçada, atrapalhada, sábia de uma forma quase debochante (por que tudo que ela diz tem que acontecer do jeito que ela disse???), chata, mãe, em suma, mas uma mãe especial, uma mãe que merece todo nosso respeito, afeto e carinho. E a ela hoje vai o meu muito obrigada e uma homenagem na forma de lembrança, ressuscitando um texto da época do meu extinto blog Letras e Papéis, que mostra um pouco de como essa figura que é Dona Nara alegra e atordoa nossas vidas. 


20 de outubro de 2008

As proezas de minha mãe


Quem conhece sabe - minha mãe é uma criatura engraçada. Sendo assim, sua visita à Bahia não poderia deixar de ter suas partes cômicas. Resolvi deixar aqui registradas algumas das mais marcantes façanhas de Dona Nara.

Bom, para explicar uma delas tenho antes que falar um pouco sobre uma das praias mais famosas aqui de Salvador - o Porto da Barra. Pois bem, o Porto é uma praia pequena, que tem como característica mais marcante um mar esverdeado, bonito, e muito calmo. É uma das poucas praias que temos dentro de Salvador que não tem ondas e tem um mar calminho, daqueles que até
criança entra. Pois a minha mãe conseguiu - e acreditem isso é uma façanha - quase se afogar no mar do Porto da Barra.

Vamos dar um desconto pra ela pelo fato de que, neste dia, o mar estava agitado, dentro dos padrões do Porto, que é quando ele forma uma onda que quebra bem na beira. Pois Dona Nara conseguiu ser pega por esta única onda, levada e derrubada, pobrezinha. Estávamos nós duas no mar, bem na beira, quando olho pro lado e vejo que ela sumiu. Me assustei, mas logo vi a coitada de borco lá na areia. Tinha engolido água e tudo.

A comédia continua com a sereia de Itapuã (que está na foto acima, ao fundo). É que neste famoso bairro soteropolitano existem muitas imagens da famosa sereia, uma delas esculpida em uma pedra dentro do mar. Quando passamos por esta pedra, a minha mãe comentou:

- Olha lá Liti, a sereia de Itapuã!

Eu concordei. Isso não tem nada demais, mas depois deste reconhecimento da sereia, quando sentamos em uma barraca na praia, vi que ela olhava insistentemente pra pedra. Daí, seguiu-se o seguinte diálogo:

Mãe:- Ei filha, eu to achando que aquilo lá não é uma pessoa.

Liti:- Aquilo lá o que?

Mãe:- Aquela sereia! To achando que é uma estátua porque ela não se mexe!

Pobre mainha. Ela pensou que a sereia de Itapuã era uma mulher de verdade! Essa foi hilária mesmo.

No final de semana, resolvemos fazer uns passeios mais longos, e o roteiro ficou assim: Itaparica - uma ilha que fica na baía de Todos os Santos e requer uma viagem de mais ou menos 1h30 pelo mar - no sábado, e Praia do Forte - que fica cerca de 2h de Salvador, de ônibus - no domingo. Quando fomos pra ilha, pegamos uma escuna com um grupo de turistas. Acontece que este transporte nos deixa, em Itaparica, no mar, de onde é preciso entrar em um barquinho, que vai nos deixar ainda em um local onde descemos com água pelos joelhos.

É bem difícil sair do barquinho, por que ele é alto e é preciso dar um salto pra dentro d' água, no qual você acaba se molhando, ou pode até cair se não tiver muita firmeza. É claro que, percebendo esta dificuldade, um grupo de espertinhos nem tão solidários (porque o que eles querem mesmo é pedir um trocado depois) ficam por ali, dando uma força.

Ao verem uma senhora como minha mãe, ainda mais com aquela cara de gringa, eles correram. Ajudaram ela a descer, e até aí tudo bem. Não se conformaram em fazer só isso, porém. Saíram carregando ela no colo, pra levar até a areia, o que realmente não tinha necessidade, já que ela podia muito bem caminhar, pois a dificuldade era saltar do barco. Acontece que eles não sabiam que Dona Nara é nervosinha. Gente, ela deu um "piti", ficou fula mesmo. Começou a gritar pra colocarem ela no chão, que ela não era inválida e podia caminhar. Os caras ficaram tão surpresos que nem tiveram coragem de pedir grana pra ela. Vieram pedir pra mim mesmo, rsrs.

Foi na Praia do Forte que percebi que mainha tem realmente um problema com estátuas. Lá, fomos visitar o famoso projeto Tamar, aquele que atua na preservação das tartarugas marinhas. Pois estou eu lá liinda olhando as tartaruguinhas quando mamãe me chama, com um olhar apavorado, pra ver uma arraia gigante. Acontece que não era uma arraia de verdade, mas sim uma reprodução grande do bichinho, que, no projeto, existe um todos os tanques - nos de tartaruga tem uma tartaruga, nos de
tubarão tem um tubarão e nos de arraia tem uma arraia. Coitadinha, tive que frustrar ela de novo dizendo que aquela era de mentirinha, rsrs. Depois, quando fomos pro tanque das tartaruguinhas pequenas, tinha uma série delas esculpidas na borda, como se estivessem indo para o mar, e mainha perguntou meio espiada:

- Filha, aquelas são de verdade?



sábado, 7 de maio de 2016

A crônica inacabada

Da série #antiguidades, uma crônica inacabada para vocês...



Sobrevoando o oceano rumo ao meu amado e sedutor Brasil, me sinto, de repente (e até parece que isso é raro), tentada a refletir um pouco sobre minha vida e tudo que aconteceu, e ainda há de acontecer, pois minha crônica ainda não está acabada. Belos e interessantes, por vezes insensatos, por vezes fascinantes, são os caminhos que se apresentam na vida.

Ao realizar parte de um sonho e conhecer um pedacinho da Europa, não pude deixar de pensar em algo curioso e, por que não, bonito. Há anos atrás, um menino saia do prédio antigo do então iniciante, mas hoje principal jornal da cidade de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, com sua pilha de jornais embaixo do braço, seu sorriso pequeno, mas verdadeiro, no rosto, e andava pela cidade a entregar seus jornais. O nome deste menino era Euclides, que, muitos anos depois casou-se e teve três filhos – Cínara, Litiane e Thiago. Abandonou Novo Hamburgo pela capital Porto Alegre, viveu, criou sua família, e encerrou sua crônica em 04 de abril de 2001, jovem – aos 53 anos -, mas com o louvor de um lutador que vence muito, mas não perde a humildade. Meu pai Euclides teve o ponto final de sua crônica colocado por um câncer.

Bom, mais de 40 anos depois do menino Euclides entregar seus jornais por Novo Hamburgo, sua filha Litiane forma-se em jornalismo na cidade catarinense de Tubarão, mas, depois de muitas idas e vindas, vai parar onde? Em Novo Hamburgo, no mesmo jornal – hoje já em prédio novo -, na redação, e, um ano e meio depois de ingressar na empresa, escreve uma crônica sobre esta sutileza da vida, enquanto sobrevoa o oceano, em retorno da Europa, numa viagem feita a trabalho.

Então pergunto: há algo mais fabuloso que escrever diariamente a crônica de nossas vidas? Hoje, esta que escrevo não tem fim, está inacabada, mas não como algo que se deixou de fazer, mas sim como algo que a cada dia podemos acrescentar.

Acho que é preciso ter atenção a nossas crônicas inacabadas. Enfeitá-las, utilizar recursos para enriquecê-las, procurar palavras que se encaixem, escrever corretamente. Assim, quando vier o inevitável ponto final, ela será uma bela obra, que há de enriquecer outras crônicas, que ainda estão inacabadas.

Junho de 2005.


sábado, 30 de abril de 2016

Sobre clichês e cansaço

Não procure no trabalho. Onde se ganha o pão não se come a carne.
Amigo de amigo não. Essas coisas nunca dão certo.
Como assim você quer encontrar alguém pra namorar na balada?
Você está procurando casamento num aplicativo?
Não procure. Quando você parar de procurar vai parecer alguém.
Você precisa se abrir se quiser conhecer alguém legal.
Você está procurando nos lugares errados.
A sua forma de ser dá a entender que você não quer compromisso.
Você tem que aceitar certas coisas se quiser manter um casamento.
Não conheço uma mulher que não queira duas coisas: que o homem pague a conta e casar.
Você é tão legal, merecia conhecer um cara e se casar.
Você é toda safadinha e agora vem com esse papo parecendo que quer namorar?
Achei que tinha ficado claro pra você sobre compromisso (por isso achei que não precisava falar que eu não queria).
Eu tenho namorada sim, mas isso não tem nada a ver com o que eu tenho com você.
Tem 35 anos e ainda vem se fazer de tímida?
Por que não um menáge? Com certeza você ia gostar, já que é safada...
Você é liberal, porque o fato de eu ser casado faz diferença?

Desejar um companheiro é estar de lupa em punho procurando?
Estar num aplicativo de relacionamento é sinônimo de ser safada ou desesperada?
Gostar de sexo é igual a não gostar de respeito?
Querer casar é rezar toda noite aos prantos pedindo a Santo Antônio um marido?
Querer casar é pecado?
Não querer casar é mentira?
Só porque não estou buscando necessariamente um compromisso sou obrigada a aceitar sexo com pessoa comprometida?
Se não aceitar, então era mentira que não queria compromisso?
Eu não posso ter meus valores?
Minha idade me impede de ser romântica?
Meu romantismo me impede de gostar/querer bom sexo?
Qual o lugar certo para encontrar companheirismo e respeito?
Por que eu tenho que entender que você quer continuar comigo mesmo tendo compromisso e você não quer entender que eu não quero nada, nada mesmo, com alguém comprometido?
Por que, se eu gosto de sexo, tenho que gostar de menáge?
O que a sua fantasia tem a ver comigo?
Por que estou sozinha estou disponível para satisfazer suas fantasias?
Por que estou sozinha?
Estou amarga por que estou sozinha?

Por que perdi a vontade de ouvir tanta bobagem?

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Porque o "bela, recatada e do lar" incomoda e porque nem devia

Eu não ia falar nada sobre o "bela, recatada e do lar", além da minha óbvia rejeição ao padrão "boneca" por trás, pelos lados e pela frente dessa ridícula matéria, expressa nas fotos que já colocamos na fanpage do Resenhas Femininas (aproveita e curta lá)

Não ia falar nada por dois motivos: um porque estou sem tempo, trabalhando feito louca; outro, porque estou com uma imensa preguiça da discussão política no entorno desse embate e, que minhas amigas mulheres de todas as naturezas que lutam por seus direitos todos os dias me perdoem, estou com preguiça até do embate homensXmulheres que se tornou o feminismo em ALGUMAS mentes. 

Mas não dá pra não dizer nada até pra não deixar de dizer que todas essas coisas são coisas bem diferentes (na minha opinião, e quem não quer saber a minha opinião, acione o útil "xiszinho no canto superior direito e feche esta página). 

Primeiro, feminismo não é luta contra os homens. Eu na verdade não posso negar que gosto muito de homens. Começando pelo meu pai e meu irmão, meus tios, primo, avôs, etc, seguindo pelos meus amigos e finalmente chegando nos namorados, paqueras, amores. Porque, sim, pasmem, eu sou feminista (acho que posso me chamar assim), mas não sou assexuada. 


Mas as minhas preferências afetivas e sexuais são o que menos importam aqui. O que quero destacar é que feminismo é uma luta para que as mulheres sejam vistas como seres humanos com desejos, direitos e, sim, deveres, como todo cidadão e como todo ser humano. E não me venha com esse papo de que já é assim, porque você sabe que não é. Existem lugares onde as mulheres ainda têm seus órgãos genitais mutilados ao nascer. E, no nosso Brasil da diversidade, mulheres e meninas (crianças) são estupradas todos os dias e ouvem que provocaram essa violência com seus shorts. 

Então me poupe do "tá tudo lindo". Não está e há muito pelo que se lutar. Ponto.

Ao mesmo tempo, me dá preguiça ver propagandas, textos e discursos que, ao invés de acompanhar a evolução feminina, tentam se aproveitar dela. Aquelas frases: "eu não preciso de aliança no dedo para ser feliz"; "eu quero ser a mega super bem sucedida na empresa e pisar nessa macharada". Essas coisas bestas. 

Está evidente que ninguém precisa de casamento pra ser feliz e que uma mulher pode comandar uma empresa, mas isso tudo é natural, é óbvio, é básico. Não precisa ser estimulado de forma a desmerecer a mulher que não quer ser presidente da empresa ou que deseja um companheiro. 

E aí chegamos à matéria da Veja. "Bela, recatada e do lar", não incomoda porque a mulher em questão é realmente bela. Incomoda porque coloca a lorinha com carinha angelical tipo Barbie como modelo de beleza. Soa como uma espécie de "chupa aí, feia (leia-se, diferente)".

A criatura em questão é bela mesmo, que bom! Mas, sinceramente, não me acho menos bela com meus quilinhos sobrando e meu cabelão cacheado revolto. Beleza é visão, não pode ser pré-conceituada. É por isso que comemoramos as Barbies gordinhas e de cabelo crespo ou azul, belas como as loiras, na minha visão. 

Você pode até dizer que a matéria não diz que somente o padrão da citada "possível-talvez um dia - futura primeira-dama" é beleza (e eu não sei se diz isso), mas eu te digo que se parasse no bela, tudo bem. A mulher é bonita mesmo. #fato.

Mas, ao lado do bela, nós temos o ponto crítico da questão. O tal recatada. No conceito, recatada quer dizer pessoa que tem modéstia, que é prudente ou sensata; pudica. Aí eu pergunto: baseada em que, já que, pelo me conste a reportagem nem sequer ouvir a mulher citada, a Veja diz que ela é prudente e sensata, ou mesmo pudica? Na observação? No empirismo? Nos anos de pesquisa sobre o exemplar da espécie? 

Enfim, é claro que aí estamos falando da "mulher recatada", aquela que se resguarda (leia-se: não sai "dando" por aí), que não usa roupa curta pra não provocar os “machos alfa” que não podem controlar seus instintos, tadinhos, que não fala palavrão, não bebe, não arrota e não ronca nem que esteja com a maior sinusite da face da Terra. Bobear ela nem fica doente. A mulher que diz "sim" ao marido, não tenta se "sobressair" a ele, sabe seu lugar, embelezando a paisagem do casal. Não fala alto. Não fica fazendo "exposição da figura" à toa pela rua. 

E aí, completando, é claro que essa mulher é "do lar". Aliás, eu acho que esse termo já é meio esquisito, ou pelo menos o pré-conceito que o envolve é muito injusto. A mulher que é “do lar” de uma família pobre ou de classe média (a normal, não os quase ricos) as vezes trabalha muito mais em casa que na rua.

Ela cuida dos filhos, limpa a casa, lava a roupa da galera toda, faz comida, lava louça e uma infinidade de outras tarefas para as quais não recebe nada. E, pior, por mil vezes tem que aguentar outras mulheres olhando pra ela e dizendo torto: "ah, você não trabalha, né?". Além de não serem reconhecidas pela família, muitas vezes. 

Eu acho que essas mulheres deveriam ser chamadas de "trabalhadoras não remuneradas do lar". Então vamos imaginar que nossa "possível-talvez um dia - futura primeira-dama" se ajoelhe no chão pra tirar o encardido do piso, limpe bunda de criança e lave as cuecas do Temer. Isso torna ela melhor ou pior do que alguma mulher? Não. Estaria só trabalhando como qualquer outra. 

Supondo outra situação, imaginemos que a mulher de Temer tenha empregadas domésticas, babás e não faça serviço de casa algum. Isso faz dela uma pessoa ruim? Não. Ser ou bom ou mal nada tem a ver com o trabalho que você faz. Vamos parar de achar que temos que ser as imbatíveis mulheres que dão conta de tudo. Sobre isso, minha opinião já ficou clara em texto anterior

O problema todo não é Marcela, e sim o conceito barato de retorno ao século passado, da mulher que "todo homem quer". E vou dizer pra vocês que conhece uma pilha de homens por aí que não querem uma mulher assim. Conheço muitos homens que adoram sim mulheres que pensam, que trabalham, que são suas parceiras, amigas, amantes e companheiras.


Se decepcionem neste parágrafo aqueles que acham que eu me alongaria sobre a implícita relação com a presidente Dilma, que, nesse conceito tosco de mulher ideal da Veja, seria a “não-aceitável”. Partindo de onde parte, um veículo declaradamente contra o governo, é evidente que isso existe, mas o conceito atinge todas as mulheres, e eu estou falando de mulheres e não de política. Política deixo para os entendedores. Por Dilma, posso dizer apenas que, como mulher ela é tão aceitável como qualquer outra. Como política, aí me permito o direito do resguardo da minha opinião.

Então gente, a matéria da Veja é um "ossinho" sendo acenado para os machistas de plantão, para os defensores de torturadores e meia dúzia de babacas que acham que vão ganhar alguma coisa se o Brasil tiver uma primeira-dama supostamente, por um motivo que não se sabe qual, mais respeitável que nós, as mulheres que estão aí falando palavrão, se enfiando na política e querendo ter salários mais justos. 

Nem mesmo devemos nos preocupar com uma tentativa tão besta, porque ela é risível. E fique claro que nosso problema não é com Marcela e nem com suas escolhas de vida (que, de verdade, nem conhecemos), mas sim com essa tentativa patética da Veja de mostrar uma mulher "aceitável" do ponto de vista "direitopata". E, com essa expressão roubada de uma amiga, eu defino pessoas que querem entrar numa máquina do tempo e voltar aos "anos dourados" da ditadura, da repressão feminina, etc, etc, etc, e não aos militantes de direita de bem, pessoas normais, que apenas têm uma linha de pensamento de direita. 

Ou seja, esse conceito é de para uma minoria patética, mas que nos incomoda porque ela é barulhenta. Ela vai pro face e vomita besteira. Ela vai pra mídia e fala como se fosse grande coisa. Mas não é. Por que o bem é silencioso, e quem está de cabeça baixa trabalhando no silêncio é sempre quem produz mais. Os que não têm força precisam berrar porque são fracos. O forte não grita, porque sabe que está fazendo sua parte, e que o serviço feito não pode ser desfeito. E assim caminhamos na direção do progresso, ainda que ele pareça lento. E o progresso não tem direita ou esquerda, ele tem pessoas que buscam se melhorar, caminhando juntas.

terça-feira, 19 de abril de 2016

O que Bolsonaro não vai me tirar

Eu fiz o teste para ver quais dos meus amigos de facebook são seguidores do Bolsonaro. O resultado não podia ser melhor: "nenhum do seus amigos curtiu isso ainda". É de encher uma pessoa de felicidade imaginar que, de 600 e poucas pessoas que estão no meu face, nenhumazinha segue Bolsonojinho.

No entanto, eu não sou tão ingênua. Eu sei que tem gente que curte páginas (que devem ser outras e não esta que estava em "investigação" no citado teste) desse indivíduo adorador de torturadores. Sei porque tenho colegas, conhecidos e até familiares que gostam do Bolsonojinho.

Fico realmente apavorada de imaginar que pessoas normais assim "a olho nu" possam concordar com os discursos de ódio, sarcasmo barato e babaquice geral desse indivíduo que se promove pregando ódio, segregação, tortura e tantas outras coisas terríveis que já deveriam estar ultrapassadas em uma sociedade que já teve tantos ensinamentos pela dor.

O primeiro impulso é deletar todas as pessoas que seguem páginas "bolsomíticas". É nunca mais falar com criaturas que endeusam ou simpatizam com alusão à tortura, homofobia, machismo, racismo, etc, etc, etc.

Graças a Deus, e isso eu posso dizer que é graças a Ele mesmo, eu pensei melhor. Pensei melhor e vi que existe uma pessoa que eu sei que gosta do Bolsonojo da qual eu jamais poderia me desvencilhar, nunca poderia deletar do meu face, ou da minha vida, porque simplesmente eu o amo, amo e amo mesmo com todos os seus defeitos, inclusive o Bolsonojo. E sei que ele me ama com todos os meus defeitos, inclusive o que ele considera inadmissível, que é o meu lado esquerdista (e aqui vou deixar claro que esquerda não é PT).

Então, ao constatar esse sentimento, eu me senti estranha e a mesmo tempo tão feliz de finalmente entender que essa atitude comprova que estou conseguindo tirar um pouquinho, ainda muito pouco, mas um pouco inicial, digamos assim, da teoria a minha crença mais profunda, que é na verdade uma máxima de Gandhi: a de que podemos mudar o mundo pela verdade e pelo amor.

E o amor aceita, mesmo nas situações mais críticas. O amor verdadeiro também envolve ser duro quando necessário, com alguém que você ama, mas, antes de qualquer coisa, o amor não permite que você exclua uma pessoa da sua vida por uma diferença do opinião, por mais grave que ela seja. Pois estamos aqui todos para aprender, para melhorar, para evoluir - inclusive eu, que não sou nenhuma santa.

Eu não estou dizendo que vou concordar com o Bolsonojo ou com qualquer amante dele. Não vou dizer que aceitarei como normal apologia à tortura, homofobia, machismo, violência e tudo que sabemos que vem nesse pacote. Vou continuar defendendo um mundo de igualdade verdadeira e o banimento de políticos corruptos (de qualquer partido), pregadores de ódio, etc, etc, etc. Mas vou deixar o outro pensar o que ele quiser, mesmo que me enoje. No máximo vou deixar de seguir pra não ver coisas que vão me irritar. Em vez de ficar banindo pessoas da minha vida e do meu facebook, vou buscar propagar essa filosofia amorosa e igualitária na qual acredito.

Não estou aqui falando dos conhecidos. Pessoas que estão ali no face porque um dia passaram pela minha vida sem grande contribuição mútua, sinceramente, não faço questão. Aliás, eu tenho consciência plena de que 600 pessoas no face é só número. Eu não tenho 600 amigos. Eu sou imensamente abençoada com 6 ou 7 amigos que eu sei que posso contar pra tudo, 10 ou 12 que eu sei que posso contar pra muita coisa e uns 20 ou 25 que são pessoas lindas que me ajudarão se puderem em algumas coisas.

Tenho sorte de ter tantas pessoas maravilhosas em minha vida. Por isso mesmo, tenho repensado sobre essas 600 pessoas vendo coisas íntimas da minha vida, e, não vou mentir, tenho tirado alguns do face, outras colocado numa lista mais restrita, enfim, tentando me dar um pouco de privacidade numa coisa que é minha - o MEU facebook. Por isso, essas pessoas aleatórias que curtem o Bolsonojo serão sim excluídas, porque eu também não sou tão boa assim. Mas aquelas pessoas que, pela convivência, eu sei que não são apenas "bolsofãs", que contraditórias como todo ser humano, têm até atitudes muito diferentes deste discurso, dessas, Bolsonaro nenhum me faz abrir mão.

E tenho dito.

segunda-feira, 7 de março de 2016

CineSesc e CineClube ''Mulher''


* Todas as programações são gratuitas e sujeita a capacidade de lotação. Sugerimos retirar o ingresso gratuito na bilheteria do espaço a partir de 1h antes de cada evento.

Local: 
Cine Teatro Mussi
Unidade Sesc em Laguna
(48) 3644-0152 | sesc-sc.com.br



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A "mulher de véu"

A intenção foi evitar uma gripe. O resultado foi uma reflexão sobre as diferenças.

Aconteceu em uma folga, quando eu aproveitei quatro dias sem trabalhar para passar uns dias no ap da minha irmã em Balneário Camboriú,  fazendo nada além de comer, contemplar o mar (porque estava frio pra burro) e me “refestelar” no SPA (porque sim, eu sou phyna e minha irmã é evidentemente phyna também).

Um belo dia, depois de tomar um banho quente pra burro, eu descobri que minha irmã e minha sobrinha, que estavam viajando e tinham deixado a casa só pra mim, tinham levado todos os secadores pra emoldurar seus lindos cabelões à vontade, coisa que eu não esperava.

Não costumo secar o cabelo quando estou na praia, nem na cidade, na verdade (sinto muito se nasci com os cabelos lindos naturalmente, além de uma modéstia evidente), mas, como eu disse, estava frio. E, além disso, tinha começado a chover. E eu não tinha levado secador de cabelo. E estava com essa cabeleira toda pingando e precisava sair.

Se eu não levei nem secador de cabelos, imagina se eu ia levar sombrinha, né. E é claro que minha irmã não tinha uma em casa. Então, com medo de ficar gripada no meu primeiro dia de folga, eu peguei um lenço, joguei na cabeça e passei ele pelo pescoço, imaginando que isso me protegeria até eu chegar a algum lugar onde pudesse comprar uma sombrinha de R$ 15,00 (porque eu não queria gastar meu rico dinheirinho com uma sombrinha cara, sendo que tenho umas cinco em casa).

Essa missão sombrinha acabou não sendo tão fácil, mas eu lembrei do famosíssimo Camelódromo de BC e resolvi ir até lá. Então, enquanto eu andava algumas quadras entre a Central e a Rua 1400, em BC, num feriado chuvoso, com um lenço na cabeça, eu entendi muito sobre como é se sentir diferente.

O diferente na verdade não existe. Usar lenço é diferente no Brasil, mas não usar é diferente nos países com essa cultura (seja ela boa ou ruim, não é essa a discussão). Ser branquelo na Bahia é diferente. Diferente é apenas o que não é corriqueiro naquele local, naquele contexto.

Mas no momento em que eu meu tornei “uma mulher de véu”, digamos assim, eu me tornei diferente naquele contexto. E, eu juro pra vocês, numa cidade cheia de pessoas (feriadão em BC), apenas umas quatro ou cinco não olharam para mim – aquelas que você vê que estão se esforçando pra não olhar.

Eu não estou aqui julgando as pessoas que me olhavam. Eu não sei se passava na cabeça delas que eu era um ser estranho que cobre a cabeça por imposição machista, ou que eu ia deixar uma bomba em algum lugar, ou apenas estavam curiosas.

Não sou uma leitora de olhares, nem de mentes. O que posso refletir sobre o assunto, porém, é que, embora há tempo eu fale por aí sobre respeito, igualdade e derrubada de preconceitos, somente naqueles minutos em que caminhei de lenço em BC eu pude descobrir como é pesado ser “diferente”.

Eu poderia brincar dizendo que vou usar lenço sempre pra que todos os homens olhem pra mim e eu me sinta a Aline Moraes, mas eu não achei graça. Foi ruim. Foi estranho tantos olhares, com espanto, curiosidade, olhares vazios, mas ainda assim olhares, olhares e olhares. E eu pensei em uma pessoa com câncer e sem cabelo, pensei em uma pessoa com necessidades especiais, pensei num negro que usa trancinha colorida, pensei numa mulher que usa véu.

Não acho que as pessoas olhem os “diferentes” por maldade ou com reprovação, não todas. Acho até que muitas devem olhar e pensar – que legal! Ou com compaixão. Ou com mera curiosidade. Mas nós olhamos. E para quem está ali de lenço, isso se torna constrangedor.

Quando eu cheguei ao Camelódromo, parei na barraca com TODOS os clientes e vendedores me olhando em instantes de expectativa e apenas tirei o lenço e pedi uma sobrinha, senti um alívio em alguns e certa decepção em outros. Eu era apenas uma mulher se protegendo da chuva. E, quando peguei minha sombrinha e sai andando pelo restante do caminho, eu voltei a ser apenas uma pessoa na multidão.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Lindinhas, personalizadas e "protetoras"


A moda praia já não se restringe mais aos modelos de maiôs, sungas e biquínis. As camisas com proteção UV caíram no gosto popular, sobretudo dos praticantes de esportes náuticos, de atividades ao ar livre ou pessoas preocupadas com saúde.


As Camisas UV são feitas em tecido com tratamento fator 50 e bloqueiam mais de 97,5% dos raios ultra violeta. São extremamente leves, resistentes e possuem um toque macio oferecendo, além da proteção solar, maior ventilação e rápida evaporação de suor. São comercializadas em modelo básico e Raglan, ideal para prática de esportes. 


A novidade é que agora as camisas também são encontradas com estampas coloridas resistentes à água doce e salgada. Na loja virtual www.kamisae.com o cliente pode ainda optar pela personalização do modelo alterando cores e inserindo estampas próprias através de um sistema on line.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Uma reflexão sobre o "saudável" hábito de julgar



Então tá – você emagreceu. Você perdeu 30 quilos e ficou linda (o) e dentro dos padrões de beleza, que sei lá quem inventou.

Você mudou de vida, parou de se matar (porque antes tomava 5 litros de coca cola por dia, ou fumava 30 cigarros, ou usava drogas ilícitas, ou pior, bebia e dirigia), descobriu que carne é veneno, que glúten mata as células, que açúcar rouba vitaminas ou que grãos são venenosos para o ser humano.

Você se tornou outra pessoa, começou a participar de corridas, tá malhando, largou o netflix perpétuo que era sua vida ou passou a sair menos pra balada e ir mais pra academia.

Legal pra você. Legal mesmo!

O que eu te peço, porém, é que você entenda que tem pessoas em fases diferentes que a sua. Tem pessoas que não estão nem aí pra alimentação, nem pra saúde, querem mais é viver o momento, estão passando por um bocado de merda e querem sim comer muito carboidrato.

Há pessoas que não estão buscando se encaixar em padrões de beleza e desejam ser amadas da forma que são.

Há pessoas que estão infelizes, doentes, tristes, lascadas mesmo e usam drogas, o que é terrível, concordo, mas há pessoas que estão passando por isso.

Há pessoas que bebem e dirigem sim, infelizmente, colocando em risco não só sua vida, mas a minha e a de todos, o que é inclusive um crime conforme as leis deste país, mas há pessoas que fazem isso.

Há pessoas que odeiam academia e não querem correr.

Há pessoas inclusive que, pasmem, não podem fazer exercício por orientação médica, porque têm problemas de saúde e - por mais que você ache que poderiam ser solucionados se ela não comer glúten e malhar -, o médico, sim, aquele cara que estudou anos e anos disse que infelizmente a doença que ela tem pode levar este paciente à morte se ele fizer exercícios. 

E há pessoas que, acreditem, estão bem como estão, comendo carne, sem academia, gordinhas... enfim. Existem pessoas que estão preocupadas com outras coisas neste momento, como a família, a carreira, sua vida pessoal, sua melhoria como ser humano, causas humanitárias, mil coisas que não têm a ver com o corpo ou com a saúde física especificamente, mas sim com a saúde mental e com a vida.

Não quer dizer que elas não se preocupem com a saúde. Talvez elas procurem ter uma alimentação equilibrada, sem exageros, talvez elas até façam alguma atividade física (fora da academia também rola, sabia?), mas elas estão mais preocupadas com outras coisas.

Pode ser que alguns dos casos que citei sejam tristes, sejam péssimas atitudes que as pessoas estão tomando pra si mesmas, mas o fato é que cada um está passando por aquilo que está. Amanhã talvez, essa pessoa pode estar em outro momento. Amanhã ela pode também começar a adotar uma atitude mais saudável em vários sentidos (não necessariamente na academia e na dieta, mas em uma religião talvez?). Mas a questão é que cada um tem seu tempo, seus caminhos e seu jeito de lidar com a vida.

Aí você me diz, ah, mas é que eu quero ajudar, quero mostrar pras pessoas como melhorei, quero ser um exemplo.

Excelente! É nobre sua intenção. Seja um exemplo. Quer mostrar lá no seu face como você mudou? Mostre. Quer dizer que você acredita que todo mundo pode conseguir o mesmo? Diga. Quer contar sua história? Conte.

Vou me arriscar a opinar que o que você não deve fazer, porém, é deixar que o orgulho de si mesmo e de sua atitude te torne uma pessoa arrogante e dona de toda a verdade do mundo. Como se só o caminho que você tomou tivesse validade. Se você fizer isso, eu realmente acredito que era melhor você ter continuado com seus quilinhos, mas mantido a humildade.

Cair na arrogância, começar a entrar em embate, postar matérias criticando pessoas que estão acima do peso, escrever textos citando outras pessoas, nominalmente ou não, mas que vão saber que são elas, falando de como elas são péssimas porque não seguem seu exemplo, etc, etc, etc. Se você faz isso, eu te pergunto, é sério que você acha que melhorou, meu amigo? Pois repense. Talvez você esteja pior hoje. Ou talvez esteja igual, só que magro (a).


Julgamentos

Há 13 anos eu parei de beber por vários motivos. Mais recentemente, há cerca de 1 ano e meio, eu parei de fumar, e até postei umtexto sobre essa última experiência aqui no blog. Eu me sinto bem com essas duas atitudes? Sim, imensamente. Sei o quanto foi bom pra mim fazer isso. O que eu procuro, porém, é não julgar as pessoas que são fumantes e nem as que bebem, sob qualquer circunstância.

Simplesmente porque eu não tenho esse direito. Não tenho não só porque eu já bebi e já fumei, mas especialmente porque ninguém me deu o poder de julgar as pessoas, seja lá pelo que for.

Não sou perfeita, no dia a dia, julgo as pessoas por várias atitudes chatas, péssimas, horríveis, criminosas ou erradas na minha concepção por vários motivos. Não deveria fazer isso, mas faço. Estou procurando julgar mais a mim mesma e mudar as minhas atitudes erradas e menos os outros, mas não é fácil. Mas to tentando.

Outra coisa que você precisa entender: quando você vê um (a) gordinho (a) na rua, não pode nunca, jamais, julgar essa pessoa uma fraca somente pela aparência. Essa criatura que você vê pode ser mil vezes melhor do que você em milhares de coisas. Talvez seja uma pessoa que vive pra se doar pros outros. Talvez seja um desses caras a quem toda turma recorre quando está com problemas porque é o famoso “amigo que está sempre ali”. Também seja um batalhador que passou fome e conquistou coisas a duras penas. Ou talvez não seja nada disso. Talvez seja uma pessoa chata, pentelha, que ninguém gosta e que também é obeso. Poderia ser magro.

Está cheio de pessoas “saúde” chatas, pentelhas, egoístas... cheio, minha gente. Então, cuide pra não ser mais uma delas.


Os famosos

Aproveitando o que ocorreu recentemente com a Preta Gil, toda essa questão fica ainda mais delicada quanto falamos dos famosos. Já ouvi todo tipo de argumentos.

Um deles é – “ah, mas ela (e) trabalha com a imagem, tem que estar bonita (o).” Sobre isso, me desculpe aí, amigo ou amiga, mas quem trabalha com sua imagem é modelo. Ator não trabalha com sua beleza, trabalha com seu talento de atuar. Cantor não trabalha com sua imagem, trabalha com seu talento pra cantar. E assim vai. Deve ser por pensamentos como o seu que temos tantos péssimos cantores e cantoras bonitinhos fazendo sucesso e tão poucos talentosos de verdade.

Outro argumento: “sendo uma pessoa pública que é referência, ela (ou ele) é exemplo pra outras então precisa dar bons exemplos”. Desculpa aí, mas seria bom que TODOS pudessem dar bons exemplos, especialmente as pessoas que são pais e mães, mas nem sempre é possível. As pessoas têm seus problemas e os famosos são apenas pessoas. Não pediram pra ser exemplo, apenas para trabalhar com o que gostam e a fama é uma consequência, mas eles não viram super heróis porque ficaram famosos. Se você tem dificuldades e problemas, não cobre perfeição dos outros. E se pensou “eu não tenho problemas”, então você tem um dos piores do mundo – está afogado em orgulho. Tome cuidado com ele.  


Comparações

Tenho visto pessoas comparando certo tipo de alimentos e hábitos com o uso de drogas. Se você faz isso ou pensa que é tudo a mesma coisa, é porque está muito enganado sobre o efeito devastador que um vício em drogas (e aqui falo de álcool, cocaína, crack, etc) tem na vida de uma pessoa e de todos que a cercam.

O vício em drogas faz as pessoas perderem a referência de qualquer coisa, assaltarem, até matar pra conseguir saciar esse vício. Sem entrar na discussão sobre “ah não, o cara só vai roubar se já não for boa coisa” que é o pensamento simplista vigente, digo apenas que vemos todos os dias pessoas assaltando pra conseguir comprar crack, por exemplo, mas eu nunca vi um obeso assaltar uma padaria pra conseguir um doce. Então meu amigo, guarde as proporções e pense melhor no que você está dizendo.

Não estou aqui desprezando a dor que uma pessoa que come por ansiedade ou outros distúrbios pode sentir e os efeitos que isso pode ter em sua vida. É claro que isso deve ser respeitado, olhado e tratado, mas não sei se vai ajudar ficar falando sobre o quanto você é incrível porque emagreceu e o quanto todos aqueles que não fizeram o mesmo são um lixo.

Talvez ajude se você der seu exemplo, sem fazer comparações e comentários arrogantes e sem fundamento científico.


Padrões estéticos

Não podemos desprezar e esquecer também o poder devastador que os padrões estéticos têm na sociedade. Se conheço 10 pessoas que emagreceram por uma mudança de vida em função de saúde, conheço outras 20 que emagreceram apenas para se encaixar em padrões.

Na verdade, se a pessoa quer, se está se sentindo melhor assim, não vejo problema e nem sou eu que vou condenar, até porque resultou em uma vida melhor pra ela. No entanto, padrões não são leis, não são benefícios, não são nada, na verdade. Ninguém precisa se encaixar em padrões para ser saudável ou bom. Então, aceite que aquela pessoa gordinha não tem obrigação nenhuma de querer estar no “padrão magreza”.

Os padrões são uma verdadeira porcaria, e, ainda que você esteja no padrão, o bom mesmo seria que todos nós (dentro ou fora dele) desejássemos e lutássemos para derrubá-lo. Pense que existem milhares de pessoas sofrendo incrivelmente porque não estão no padrão que você está defendendo como certo.

Aliás, uma pessoa pode sim ser saudável sem estar no padrão. O padrão nada tem a ver com saúde. Tem gente malhada e linda que toma anabolizante. Tem gente magra que fuma. E tem gente com uns quilinhos mais que por mil motivos tem mais dificuldade de emagrecer, mas procura ter uma alimentação equilibrada e faz exercícios leves, e está com a saúde perfeitamente em dia.


Mente saudável

Eu tenho diversos amigos que emagreceram, mudaram de alimentação e hábitos e não são arrogantes por isso. Nem ficam tentando catequisar ninguém. Ajudam com o exemplo, contam como foi bom pra eles, trazem dicas bacanas de alimentação. Tenho uma amiga que fez disso profissão e nada, mas nada, tem de arrogante ou chata. Pelo contrário, ela é humilde e disposta a ajudar.

E também tenho amigos que eu nem consigo mais chegar perto desde que emagreceram. Pessoas que eu lembro com saudades da época que eram não saudáveis, que Deus me perdoe. Pessoas que fazem a gente ter vontade de nunca se tornar uma pessoa saudável, com medo de ficar como elas ficaram.

Ou seja, quando você enche o saco dos outros e dá exemplos negativos em vez de positivos, você afasta as pessoas da ideia de ter uma vida mais saudável, seja o que for que você considere isso.

Pra mim, uma vida saudável passa por mil coisas que vão bem além dos hábitos alimentares e físicos. Uma vida saudável passa por ter uma mente saudável. Uma mente que julga pouco e age mais. Pense nisso. Faça sua mudança ser realmente saudável, para você e para os outros. Vai ser muito mais gostoso, eu te garanto.