sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A "mulher de véu"

A intenção foi evitar uma gripe. O resultado foi uma reflexão sobre as diferenças.

Aconteceu em uma folga, quando eu aproveitei quatro dias sem trabalhar para passar uns dias no ap da minha irmã em Balneário Camboriú,  fazendo nada além de comer, contemplar o mar (porque estava frio pra burro) e me “refestelar” no SPA (porque sim, eu sou phyna e minha irmã é evidentemente phyna também).

Um belo dia, depois de tomar um banho quente pra burro, eu descobri que minha irmã e minha sobrinha, que estavam viajando e tinham deixado a casa só pra mim, tinham levado todos os secadores pra emoldurar seus lindos cabelões à vontade, coisa que eu não esperava.

Não costumo secar o cabelo quando estou na praia, nem na cidade, na verdade (sinto muito se nasci com os cabelos lindos naturalmente, além de uma modéstia evidente), mas, como eu disse, estava frio. E, além disso, tinha começado a chover. E eu não tinha levado secador de cabelo. E estava com essa cabeleira toda pingando e precisava sair.

Se eu não levei nem secador de cabelos, imagina se eu ia levar sombrinha, né. E é claro que minha irmã não tinha uma em casa. Então, com medo de ficar gripada no meu primeiro dia de folga, eu peguei um lenço, joguei na cabeça e passei ele pelo pescoço, imaginando que isso me protegeria até eu chegar a algum lugar onde pudesse comprar uma sombrinha de R$ 15,00 (porque eu não queria gastar meu rico dinheirinho com uma sombrinha cara, sendo que tenho umas cinco em casa).

Essa missão sombrinha acabou não sendo tão fácil, mas eu lembrei do famosíssimo Camelódromo de BC e resolvi ir até lá. Então, enquanto eu andava algumas quadras entre a Central e a Rua 1400, em BC, num feriado chuvoso, com um lenço na cabeça, eu entendi muito sobre como é se sentir diferente.

O diferente na verdade não existe. Usar lenço é diferente no Brasil, mas não usar é diferente nos países com essa cultura (seja ela boa ou ruim, não é essa a discussão). Ser branquelo na Bahia é diferente. Diferente é apenas o que não é corriqueiro naquele local, naquele contexto.

Mas no momento em que eu meu tornei “uma mulher de véu”, digamos assim, eu me tornei diferente naquele contexto. E, eu juro pra vocês, numa cidade cheia de pessoas (feriadão em BC), apenas umas quatro ou cinco não olharam para mim – aquelas que você vê que estão se esforçando pra não olhar.

Eu não estou aqui julgando as pessoas que me olhavam. Eu não sei se passava na cabeça delas que eu era um ser estranho que cobre a cabeça por imposição machista, ou que eu ia deixar uma bomba em algum lugar, ou apenas estavam curiosas.

Não sou uma leitora de olhares, nem de mentes. O que posso refletir sobre o assunto, porém, é que, embora há tempo eu fale por aí sobre respeito, igualdade e derrubada de preconceitos, somente naqueles minutos em que caminhei de lenço em BC eu pude descobrir como é pesado ser “diferente”.

Eu poderia brincar dizendo que vou usar lenço sempre pra que todos os homens olhem pra mim e eu me sinta a Aline Moraes, mas eu não achei graça. Foi ruim. Foi estranho tantos olhares, com espanto, curiosidade, olhares vazios, mas ainda assim olhares, olhares e olhares. E eu pensei em uma pessoa com câncer e sem cabelo, pensei em uma pessoa com necessidades especiais, pensei num negro que usa trancinha colorida, pensei numa mulher que usa véu.

Não acho que as pessoas olhem os “diferentes” por maldade ou com reprovação, não todas. Acho até que muitas devem olhar e pensar – que legal! Ou com compaixão. Ou com mera curiosidade. Mas nós olhamos. E para quem está ali de lenço, isso se torna constrangedor.

Quando eu cheguei ao Camelódromo, parei na barraca com TODOS os clientes e vendedores me olhando em instantes de expectativa e apenas tirei o lenço e pedi uma sobrinha, senti um alívio em alguns e certa decepção em outros. Eu era apenas uma mulher se protegendo da chuva. E, quando peguei minha sombrinha e sai andando pelo restante do caminho, eu voltei a ser apenas uma pessoa na multidão.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Lindinhas, personalizadas e "protetoras"


A moda praia já não se restringe mais aos modelos de maiôs, sungas e biquínis. As camisas com proteção UV caíram no gosto popular, sobretudo dos praticantes de esportes náuticos, de atividades ao ar livre ou pessoas preocupadas com saúde.


As Camisas UV são feitas em tecido com tratamento fator 50 e bloqueiam mais de 97,5% dos raios ultra violeta. São extremamente leves, resistentes e possuem um toque macio oferecendo, além da proteção solar, maior ventilação e rápida evaporação de suor. São comercializadas em modelo básico e Raglan, ideal para prática de esportes. 


A novidade é que agora as camisas também são encontradas com estampas coloridas resistentes à água doce e salgada. Na loja virtual www.kamisae.com o cliente pode ainda optar pela personalização do modelo alterando cores e inserindo estampas próprias através de um sistema on line.