domingo, 8 de maio de 2016

Para você mãe, as boas vivências

Chamar a mãe de guerreira é um clichê. Só de aguentar uma gravidez, parir, cuidar daquelas coisas choronas e seguir se preocupando e resolvendo pepino pela vida afora, as mães já mereciam troféus e medalhas e estrelinhas. 

No entanto, eu não posso deixar de fazer uma homenagem a minha guerreira particular. Nesse momento, travamos uma batalha juntas. Vemos o fim, se aproximando (se Deus quiser e ele há de querer), mas ainda não chegamos lá. Estamos no caminho. 

Sobre este assunto, que já foi falado aqui , não vamos falar mais hoje. Hoje vamos falar da mãe que eu, por toda esta vida, conheci. Engraçada, atrapalhada, sábia de uma forma quase debochante (por que tudo que ela diz tem que acontecer do jeito que ela disse???), chata, mãe, em suma, mas uma mãe especial, uma mãe que merece todo nosso respeito, afeto e carinho. E a ela hoje vai o meu muito obrigada e uma homenagem na forma de lembrança, ressuscitando um texto da época do meu extinto blog Letras e Papéis, que mostra um pouco de como essa figura que é Dona Nara alegra e atordoa nossas vidas. 


20 de outubro de 2008

As proezas de minha mãe


Quem conhece sabe - minha mãe é uma criatura engraçada. Sendo assim, sua visita à Bahia não poderia deixar de ter suas partes cômicas. Resolvi deixar aqui registradas algumas das mais marcantes façanhas de Dona Nara.

Bom, para explicar uma delas tenho antes que falar um pouco sobre uma das praias mais famosas aqui de Salvador - o Porto da Barra. Pois bem, o Porto é uma praia pequena, que tem como característica mais marcante um mar esverdeado, bonito, e muito calmo. É uma das poucas praias que temos dentro de Salvador que não tem ondas e tem um mar calminho, daqueles que até
criança entra. Pois a minha mãe conseguiu - e acreditem isso é uma façanha - quase se afogar no mar do Porto da Barra.

Vamos dar um desconto pra ela pelo fato de que, neste dia, o mar estava agitado, dentro dos padrões do Porto, que é quando ele forma uma onda que quebra bem na beira. Pois Dona Nara conseguiu ser pega por esta única onda, levada e derrubada, pobrezinha. Estávamos nós duas no mar, bem na beira, quando olho pro lado e vejo que ela sumiu. Me assustei, mas logo vi a coitada de borco lá na areia. Tinha engolido água e tudo.

A comédia continua com a sereia de Itapuã (que está na foto acima, ao fundo). É que neste famoso bairro soteropolitano existem muitas imagens da famosa sereia, uma delas esculpida em uma pedra dentro do mar. Quando passamos por esta pedra, a minha mãe comentou:

- Olha lá Liti, a sereia de Itapuã!

Eu concordei. Isso não tem nada demais, mas depois deste reconhecimento da sereia, quando sentamos em uma barraca na praia, vi que ela olhava insistentemente pra pedra. Daí, seguiu-se o seguinte diálogo:

Mãe:- Ei filha, eu to achando que aquilo lá não é uma pessoa.

Liti:- Aquilo lá o que?

Mãe:- Aquela sereia! To achando que é uma estátua porque ela não se mexe!

Pobre mainha. Ela pensou que a sereia de Itapuã era uma mulher de verdade! Essa foi hilária mesmo.

No final de semana, resolvemos fazer uns passeios mais longos, e o roteiro ficou assim: Itaparica - uma ilha que fica na baía de Todos os Santos e requer uma viagem de mais ou menos 1h30 pelo mar - no sábado, e Praia do Forte - que fica cerca de 2h de Salvador, de ônibus - no domingo. Quando fomos pra ilha, pegamos uma escuna com um grupo de turistas. Acontece que este transporte nos deixa, em Itaparica, no mar, de onde é preciso entrar em um barquinho, que vai nos deixar ainda em um local onde descemos com água pelos joelhos.

É bem difícil sair do barquinho, por que ele é alto e é preciso dar um salto pra dentro d' água, no qual você acaba se molhando, ou pode até cair se não tiver muita firmeza. É claro que, percebendo esta dificuldade, um grupo de espertinhos nem tão solidários (porque o que eles querem mesmo é pedir um trocado depois) ficam por ali, dando uma força.

Ao verem uma senhora como minha mãe, ainda mais com aquela cara de gringa, eles correram. Ajudaram ela a descer, e até aí tudo bem. Não se conformaram em fazer só isso, porém. Saíram carregando ela no colo, pra levar até a areia, o que realmente não tinha necessidade, já que ela podia muito bem caminhar, pois a dificuldade era saltar do barco. Acontece que eles não sabiam que Dona Nara é nervosinha. Gente, ela deu um "piti", ficou fula mesmo. Começou a gritar pra colocarem ela no chão, que ela não era inválida e podia caminhar. Os caras ficaram tão surpresos que nem tiveram coragem de pedir grana pra ela. Vieram pedir pra mim mesmo, rsrs.

Foi na Praia do Forte que percebi que mainha tem realmente um problema com estátuas. Lá, fomos visitar o famoso projeto Tamar, aquele que atua na preservação das tartarugas marinhas. Pois estou eu lá liinda olhando as tartaruguinhas quando mamãe me chama, com um olhar apavorado, pra ver uma arraia gigante. Acontece que não era uma arraia de verdade, mas sim uma reprodução grande do bichinho, que, no projeto, existe um todos os tanques - nos de tartaruga tem uma tartaruga, nos de
tubarão tem um tubarão e nos de arraia tem uma arraia. Coitadinha, tive que frustrar ela de novo dizendo que aquela era de mentirinha, rsrs. Depois, quando fomos pro tanque das tartaruguinhas pequenas, tinha uma série delas esculpidas na borda, como se estivessem indo para o mar, e mainha perguntou meio espiada:

- Filha, aquelas são de verdade?