segunda-feira, 5 de junho de 2017

Em tom de desabafo

Quando eu olho para mim hoje, vejo que cresci. Não apenas pros lados (hehe) ou para cima, mas cresci no sentido de amadurecer, de melhorar, de evitar velhos erros.

Cedo eu aprendi que esse papo de que ninguém muda é balela de pessimista. TODO MUNDO pode mudar, e em qualquer tempo, em qualquer idade qualquer situação. Não muda quem não quer. E se você não quer mudar, bem, aguente as consequências do que você se tornar e de como as pessoas vão te tratar.

Eu penso que, apesar de achar (e esperar) que eu ainda seja jovem pra partir desse mundo, eu mudei bastante, evidentemente no sentido de buscar melhorar. Mas você só percebe que cresceu mesmo quando vê que ainda pode mudar muito mais. Precisa melhorar muito mais. Deseja melhorar muito mais.

E é isso que peço para hoje. Que eu possa melhorar muito mais.

Quando eu fui hoje ao cardiologista, sai de casa feliz e animada, com a certeza de que ele me diria que eu estou bem melhor de saúde. Isso porque eu me sinto bem melhor. Mas não foi o que aconteceu. De cara, mesmo sem precisar dos exames mais elaborados, ele já indicou que o resultado do meu tratamento não foi como o esperado.

Ainda pode ser. Há muitas alternativas para o meu tratamento. Temos muitas possibilidades de mudá-lo e de fazer com que ele dê certo. E foi nisso que me apeguei. Foi isso que ouvi. Foi por essas possibilidades que agradeci silenciosamente a Deus.

Em outros tempos, eu teria ficado arrasada, apegada na outra parte. Aquela de que, até agora, não está surtindo muito resultado. Muitas tentativas foram feitas de 2012 para cá, mas uma coisa que em princípio era simples e pequena cresceu pra se tornar um pequeno monstrinho que me assombra.

Mas eu não vou ter medo dele. Eu não vou nem acreditar nele, porque eu já cresci. Sei que não existem monstros embaixo da minha cama. E, sobretudo, sei que tudo que acontece na minha vida tem um motivo e um lado bom, um lado de ensinamento, um lado que pode me fazer melhorar mais. 

Eu só preciso olhar pra lá. Isso talvez não cure meu coração (embora eu espere que sim), mas certamente vai curar minha alma. E se eu conseguir sair dessa vida melhor do que entrei, já terá sido suficiente.

E porque estou falando todas essas coisas aqui? Simples. Se eu conseguir sair melhor do que entrei será suficiente, mas será ainda melhor se eu conseguir fazer uma única pessoa ter vontade de mudar algo que não é legal nela. Então, se Deus me deu toda essa vontade de escrever e essa inquietude de palavras que me povoam até nos sonhos, deve ser para que fique aqui o registro do meu apelo: tente. Tente agora. No começo não é fácil, mas depois melhora. Se avalie profundamente. Veja se você está realmente certo naquela questão ou está só batendo pé como uma criança mimada na frente de um pirulito.


E não se angustie, nem se melindre se você perceber que está. Eu faço isso até hoje. Só estou tentando perceber e não fazer mais. Ninguém é perfeito, ou não estaria aqui. Mas nós vamos nos tornar perfeitos um dia. Se esse dia será mais breve ou menos, nós decidimos, a cada atitude da vida. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Se enxerga!!!


Por muito tempo, em especial na adolescência, eu pensava que me via. Achava que me conhecia como a palma da minha mão, como mais ninguém no mundo, e por isso acreditava que tinha o direito de não gostar de mim.

Pernas grossas demais, sobrancelhas grossas demais, timidez demais (embora fizesse de tudo pra disfarçar), “panaquice” demais.

Com o tempo, eu comecei a ver que minhas características externas (como os outros me viam) não eram o que mais importavam. Não foi assim no mole. Minha cabeça teve que dar uma falhada e refletir na minha saúde pra que, com terapia, eu começasse o longo caminho de me enxergar de verdade.

Por um tempo, pensei que aquilo era suficiente. Agora eu me enxergava. Via minhas mágoas, rancores, traumas, a banda podre, digamos assim, de mim mesma e da minha história. E também conseguia ver algumas qualidades positivas.

Mas eu ainda estava tão longe! O caminho seguiu e tanta, mas tanta coisa aconteceu, eu andei por diversos lugares, conheci tantas pessoas, algumas maravilhosas, outras ainda em processo menos avançado de evolução, digamos assim.

Eu já sabia, então, como eu queria ser, mas não conseguia. Não conseguia porque essa crença do que eu queria ser ainda estava baseada no olhar de fora. Parar de fumar, emagrecer, me equilibrar, ter sucesso na carreira, estabilidade financeira, um marido, um filho. Tudo com base em como eu queria que as pessoas me vissem – saudável, magra, casada, mãe, com grana, equilibrada.

Aí o tempo passou mais e mais, e eu matei, literalmente, partes do meu coração tentando entender porque eu nunca conseguia me sentir feliz ou realmente bem. E isso me modificou.
Eu sempre acreditei nas mudanças que acontecem por um estalo. Você está lá sentada sendo infeliz e, de repente, boom! Resolveu ser feliz e encontrou o seu “felizes para sempre”.

Mas a mudança de perspectiva não acontece assim não. Você não pula de um lado para o outro. Você vai caminhando, às vezes para, às vezes vai muito devagar, às vezes vai sem nem sentir que está indo.

E então, eis que, um dia, eu me enxerguei. Me enxerguei de verdade, com toda dor e com todo amor que isso significa. Para mim, eu sou como qualquer outra pessoa. Quando eu conheço alguém, eu analiso a criatura. Vejo os pensamentos, as ideologias, os hábitos, o humor, as formas de tratar os outros. E escolho aquela pessoa ou não para a minha vida.

E, se eu escolho, eu tenho a noção de que não vai ser sempre que eu vou amar essa criatura. Esse escolhido amigo, namorado, seja o que for, vai ter momentos em que vou achar ele ou ela um idiota, em que vou me decepcionar, em que vou achar que ele pode melhorar, e talvez eu até brigue com a criatura e precise dar um tempo da cara dela.

Assim é comigo também. Porque, quando eu me enxerguei, eu me escolhi. Porque então eu tive condições de ver os meus defeitos e comportamentos que não acho legal e, olha que maravilha, descobri que posso mudá-los. Não quer dizer que eu vá conseguir assim de barbada. Como já disse, os caminhos muitas vezes são longos e os hábitos são coisinhas grudentas. Mas eu posso, aos poucos, mudar o que vejo que não é bom, não é bacana, não desejo para mim. Sobre os outros, me importa apenas o fato de que eu quero ser generosa com eles. Como eles me veem, honestamente não ligo.

Porque hoje eu me enxergo. Me enxergo e, desculpa a pouca modéstia, mas vejo uma pessoa que lutou e luta muito, sem prejudicar ninguém no caminho. Vejo uma pessoa que tenta todos os dias passar por cima de suas limitações para ser melhor. Vejo uma pessoa sensível e empática, por trás da personalidade forte e arroubos explosivos. Vejo uma pessoa de pernas lindas. Descobri que meu cabelo é lindo, que gosto dos meus olhos e da minha altura. Descobri que gosto do meu coração generoso, embora ele ainda não esteja pronto pra ser o tanto quanto eu quero que ele seja generoso.

Descobri que, assim como aqueles que escolhi como amigos, não é todos os dias que vou me amar. Alguns dias eu vou ficar de mal comigo. Vou me evitar. Vou me sentir decepcionada comigo mesma. Mas, no fim, isso vai passar porque eu me amo, no sentido mais completo, porque eu me enxergo.

E, me enxergando, eu consegui ver o que serve e o que não serve para mim. E também descobri que eu não tenho que salvar ninguém, além de mim mesma. Posso e quero tentar ajudar muitos, mas não vou revolucionar nem resolver a vida de ninguém. Então, hoje decido o que quero para o meu futuro. Com clareza. Olho lá na frente e vejo – eu quero um cara mal-humorado desses do meu lado? Eu quero um amigo que só me procura na hora que precisa? Eu quero um trabalho que não me satisfaz nem interna nem financeiramente? Eu quero me sentir mal por não estar em algum padrão louco que só existe na cabeça de alguém? Eu quero ir a um evento que nada tem a ver comigo só porque um amigo me convidou?

Assim, vou descartando o que não quero. E fico com o que quero. Às vezes demora. Eu preciso olhar a “coisa” bem de perto pra diferenciar o que ela realmente é do que eu imaginei que ela fosse. Mas, no fim, vem prevalecendo escolhas melhores. Isso não fez de mim (por enquanto) rica, mais magra, nem encontrei minha “alma gêmea”. Mas garante que eu não fique numa relação abusiva porque “preciso ter um homem de meu lado”, que eu não me endivide porque “preciso compra tal roupa, ir ao salão ou comer no restaurante da moda”, que eu não perca meu tempo e fique frustrada porque “preciso ir ao chá de panela”, que eu não fique me culpando e comendo cada vez mais porque “preciso emagrecer”.

Ou seja, estou, aos poucos, substituindo o “eu preciso” pelo “eu quero”. Aos poucos. E isso não me torna feliz todos os dias da minha vida nem evita que eu tenha problemas, mas me torna mais feliz, mais serena e faz com que eu não valorize tanto os problemas.


Então, se você quer um conselho, se enxergue. Se enxergue rápido, urgente. Mas uma dica: o espelho, para este tipo de enxergar, não vai te ajudar.